A morte do bebê José Alfredo de Campos, de apenas 10 meses, reacendeu um dos episódios mais delicados da saúde pública catarinense nos últimos anos. O menino estava entre os 11 recém-nascidos que receberam, por engano, soro antiofídico no lugar da vacina contra hepatite B na maternidade do Hospital Santa Cruz de Canoinhas, em julho de 2025.
José Alfredo morreu na terça-feira, 2 de junho, em Joinville. Desde então, familiares passaram a questionar a causa da morte e a cobrar respostas das autoridades de saúde. O caso voltou a ganhar repercussão após o Hospital Santa Cruz afirmar que o óbito ocorreu em decorrência de bronquiolite causada pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e que não existe relação entre a doença e o erro registrado na maternidade no ano passado. As informações foram reveladas em primeira mão pelo portal JMais.
A família, porém, afirma que ainda não está convencida dessa conclusão e sustenta que apenas os resultados da perícia e dos exames complementares poderão esclarecer o que aconteceu.
Caso marcou Santa Catarina em 2025
O episódio envolvendo os 11 bebês ocorreu em julho de 2025 e provocou grande repercussão em Santa Catarina. Na ocasião, recém-nascidos receberam soro antibotrópico, utilizado em acidentes com serpentes, no lugar da vacina contra hepatite B logo após o nascimento.
Após a descoberta do erro, investigações foram abertas para apurar as circunstâncias da troca. O Hospital Santa Cruz informou à época que seguiu os protocolos definidos pelas autoridades sanitárias e que as crianças passaram a ser monitoradas.
Em nota divulgada após a morte de José Alfredo, a instituição afirmou que todos os bebês envolvidos foram acompanhados durante dois meses e não apresentaram intercorrências relacionadas ao episódio. O hospital também declarou que a bronquiolite causada pelo VSR não possui relação com a vacina contra hepatite B nem com a administração do soro antiofídico.

Pais relatam problemas de saúde recorrentes
Os pais de José Alfredo, moradores da localidade de Lajeado Liso, no interior de Major Vieira, afirmam que o filho apresentava problemas de saúde frequentes desde os primeiros meses de vida.
Segundo a mãe, o bebê enfrentava episódios constantes de gripe, infecções respiratórias e necessidade recorrente de uso de antibióticos. Ela relata que procurou atendimento médico diversas vezes ao longo dos últimos meses e chegou a solicitar exames mais aprofundados para investigar a condição do filho.
A mãe também questiona o acompanhamento realizado após o episódio do soro aplicado por engano. Segundo ela, recebeu apenas orientações por telefone para procurar atendimento médico caso surgissem problemas de saúde.
Quadro piorou rapidamente
De acordo com o relato da família, os sintomas que antecederam a morte começaram no domingo, 31 de maio, quando José Alfredo apresentou febre. No dia seguinte, o quadro teria piorado, com perda de apetite, dificuldade para respirar e febre elevada.
Naquela noite, ele foi levado ao Hospital São Lucas, em Major Vieira. Segundo a mãe, inicialmente o caso foi tratado como uma gripe e o bebê permaneceu recebendo soro e medicação durante a madrugada.
A família afirma que somente após a troca de plantão uma médica percebeu a gravidade da situação e iniciou o uso de oxigênio. A transferência para o Hospital Infantil de Joinville foi então solicitada e realizada pelo Samu.
Os pais sustentam que houve demora na remoção para uma unidade de maior complexidade e que o estado de saúde do menino se agravou durante a espera.
Morte ocorreu após chegada em Joinville
José Alfredo foi transferido para Joinville por volta das 13h. Segundo a família, a mãe não foi autorizada a acompanhar o filho na ambulância e precisou seguir em outro veículo disponibilizado pela Secretaria Municipal de Saúde.
Ao chegar ao hospital, Leila afirma ter sido informada pela equipe médica de que o bebê sofreu uma parada cardiorrespiratória pouco tempo após a chegada à unidade. O menino não resistiu.
Família aguarda resultado da perícia
Outro ponto que gera divergência envolve a causa exata da morte. Segundo a mãe, um exame realizado em Major Vieira teria apontado bronquiolite viral associada a uma infecção bacteriana pulmonar.
A Prefeitura de Major Vieira, porém, afirma que o laudo da radiografia registrou apenas uma pequena alteração no pulmão esquerdo, sem apontar o diagnóstico citado pela família.
Leila afirma ainda que profissionais que atenderam o filho em Joinville explicaram que a definição da causa da morte dependerá da conclusão dos exames complementares e da perícia realizada pela Polícia Científica.
Segundo ela, o resultado deverá ser divulgado nas próximas semanas.
Prefeitura nega falhas e aguarda laudos
Em nota enviada ao portal JMais, a Prefeitura de Major Vieira informou que o atendimento prestado ao bebê seguiu os protocolos assistenciais vigentes para pacientes pediátricos com sintomas respiratórios.
O município declarou que José Alfredo recebeu atendimento prioritário, permaneceu sob observação médica e foi monitorado continuamente pela equipe multiprofissional.
A administração municipal também afirmou que a transferência para o Hospital Infantil de Joinville foi solicitada diante da evolução do quadro clínico e da necessidade de atendimento especializado.
Sobre a ausência da mãe na ambulância, a prefeitura informou que os critérios para composição das equipes durante o transporte são definidos pelo próprio Samu.
O município destacou ainda que aguarda os resultados oficiais da autópsia e dos exames complementares para esclarecer definitivamente a causa da morte.
Duas versões e respostas ainda pendentes
Até o momento, não existe laudo pericial conclusivo divulgado publicamente que estabeleça ou descarte de forma definitiva qualquer relação entre a morte de José Alfredo e o episódio do soro administrado por engano em 2025.
De um lado, o Hospital Santa Cruz sustenta que o óbito ocorreu em decorrência de bronquiolite causada pelo Vírus Sincicial Respiratório e afirma que não existe ligação entre a doença e o erro registrado na maternidade.
Do outro, os pais do menino afirmam que permanecem com dúvidas, questionam o histórico de saúde do filho e defendem que apenas os resultados da perícia e dos exames complementares poderão esclarecer completamente o que levou à morte do bebê.






















