O deputado federal Zé Trovão (PL-SC) resolveu chamar Bolsonaro de covarde por, segundo ele, não ter mandado os apoiadores para casa depois da derrota de 2022. O problema é que, quando a eleição foi decidida, era justamente Zé Trovão quem estava na estrada fazendo o contrário: pedindo que o povo não saísse das ruas. A memória, dessa vez, jogou contra ele.
A crítica veio durante uma participação no Quintow Podcast, em São Bento do Sul. Ao comentar o silêncio de Bolsonaro no momento em que o resultado foi confirmado, o parlamentar não poupou palavras. “Covarde”, disparou, defendendo que o ex-presidente deveria ter reconhecido a derrota publicamente. “Não podia ter feito aquilo, porque hoje tem milhares de pessoas presas por conta daquilo. Tinha que ter falado: perdi as eleições, seja de maneira democrática ou não, perdi as eleições, vai pra casa.”
O deputado responsabilizou diretamente a postura do ex-presidente pelas prisões ligadas ao 8 de janeiro de 2023. “O presidente Bolsonaro errou. Aquilo ali, pra mim, não foi certo”, disse, afirmando que hoje gasta seu “tempo político” tentando tirar da cadeia pessoas que considera inocentes. “Se ele tivesse feito isso, talvez hoje ele não estivesse preso.”
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O que ele fazia em 2022
A cobrança soa curiosa diante do próprio histórico. Em 1º de novembro de 2022, poucos dias após o segundo turno, era o próprio Zé Trovão, então deputado recém-eleito, quem insuflava caminhoneiros a manter os bloqueios em rodovias contra a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva.
Em discurso registrado à época, ele afirmava aos manifestantes que aquele era o momento em que Bolsonaro mais precisava deles, que a legitimidade era do povo e que “o povo não pode deixar as ruas”. O grupo respondia com gritos de “resistência civil”. Naquele dia, foram contabilizados mais de 300 bloqueios em estradas de 25 estados e no Distrito Federal.
Não era a primeira vez. Zé Trovão já havia sido investigado e chegou a ficar foragido e preso por sua participação na organização de “atos antidemocráticos” durante as festividades de 7 de Setembro de 2021, quando deixou o país e passou meses fora antes de se entregar. Ou seja: o mesmo deputado que hoje cobra de Bolsonaro ter desmobilizado o povo foi, no passado, uma das vozes que mantinham esse mesmo povo mobilizado.
A resposta de Jair Renan
A fala no podcast não passou batida dentro do próprio bolsonarismo. Nos comentários, Jair Renan Bolsonaro, filho do ex-presidente, reagiu com dureza à acusação de covardia.
Acusar Jair Messias Bolsonaro de covardia no 8 de janeiro é o cúmulo da canalhice. Aproveitadores sabem que meu pai está impedido de se defender e tentam manipular a história. Os presos políticos de 8 de janeiro e meu pai são vítimas e posturas como essa contribuem para que a perseguição continue.
Elogio e teoria da fraude
Apesar da crítica dura, o deputado fez questão de reafirmar o apoio ao ex-presidente. Chamou Bolsonaro de “o melhor presidente que o Brasil já teve”, disse “eu amo esse cara” e sustentou que houve “uma fraude nas eleições de 2022”, não nas urnas, mas dentro do TSE e na imprensa. As declarações não têm respaldo em qualquer decisão judicial.
A fala do parlamentar catarinense reacende a discussão sobre 2022 em plena largada do ciclo eleitoral de 2026.

























