Durante uma sessão da Câmara de Vereadores de Itapema, realizada nesta semana, o vereador Saulo Salustiano Ramos Neto deu voz de prisão a um grupo de manifestantes que o chamaram publicamente de estuprador. O parlamentar alegou que os protestos configuram crime de calúnia e solicitou a prisão em flagrante dos envolvidos.
Cartazes com frases como “Estupro é crime” e “Lugar de estuprador é na cadeia” foram erguidos por manifestantes no plenário. Em resposta, o vereador interrompeu a sessão e se dirigiu à presidência da casa pedindo providências imediatas: “Gostaria que a senhora determinasse que a Guarda Municipal identificasse e prendesse essas pessoas em flagrante pelo crime de calúnia.”
Saulo acusou a Guarda Municipal de não ter cumprido sua ordem: “A Guarda deu no pé, fugiu. Lamentável a postura”, declarou em tom de indignação.
Durante seu discurso, o vereador afirmou que já havia sido alvo de denúncias semelhantes no passado, mas que o inquérito correspondente foi arquivado pela Justiça. Um documento oficial do Tribunal de Justiça de Santa Catarina confirma o arquivamento do inquérito policial nº 5004543-33.2020.8.24.0125/SC, que investigava o parlamentar. De acordo com o juiz Marcelo Trevisan Tambosi, a decisão seguiu parecer do Ministério Público, que entendeu não haver crime.
“Estão espalhando mentiras sobre mim. Nunca respondi a processo por esse tipo de crime. O boletim de ocorrência foi investigado, arquivado pela Polícia Civil, pelo Ministério Público e pela Justiça. Nem advogado eu precisei nesse caso”, afirmou Saulo na tribuna.
O vereador também insinuou que os manifestantes atuam sob comando político e ironizou a origem dos recursos usados para produzir os cartazes. “Como é que alguém que pede marmita durante o dia consegue pagar mais de R$ 1.500 em faixa?”, questionou. Ele ainda disse que os cartazes fazem parte de uma tentativa articulada para difamá-lo.
Saulo também atacou os supostos vínculos entre os manifestantes e a atual administração da prefeitura, afirmando que uma das mulheres presentes tem ligação com um condenado por crime eleitoral e que sua filha teria cargo comissionado na prefeitura. “É tudo muito suspeito”, disse.
Durante o mesmo discurso, o vereador comparou sua situação à de outras autoridades, afirmando que “gente condenada por crime semelhante está entre os que me acusam” e citando o prefeito como um dos envolvidos em casos na Justiça. “Pessoas que foram condenadas me acusando de crimes que elas cometeram. Isso é um absurdo”, declarou.

























