O vereador Wilian Tonezi (PL) apareceu diante das câmeras segurando uma placa azul de rodovia, igual às oficiais, com uma inscrição que não passa despercebida: “Marginal Luiz Inácio Lula da Silva, BR-101”. A cena é o cartão de visita de mais um capítulo do embate do parlamentar de Joinville com o governo federal, e desta vez ele transformou o protesto em projeto de lei.
Tonezi protocolou na Câmara de Vereadores de Joinville o Projeto de Lei Ordinária nº 210/2026, datado de 26 de julho. O texto quer denominar oficialmente as duas vias marginais que acompanham o trecho urbano da BR-101 no município: a “Marginal Luiz Inácio Lula da Silva BR-101 Norte”, no sentido Joinville a Curitiba, e a “Marginal Luiz Inácio Lula da Silva BR-101 Sul”, no sentido Joinville a Florianópolis. Ambas cobririam o trecho entre o km 20, na divisa com Garuva, e o km 52, na divisa com Araquari, para fins de identificação, logradouro público e endereçamento postal.
Segundo o próprio vereador, o projeto nasceu como resposta a uma ação movida pela federação do PT contra ele no Tribunal Superior Eleitoral. Tonezi afirma que foi processado depois de ter se manifestado, durante o Carnaval, contra uma homenagem de escola de samba que, nas palavras dele, teria feito uma “aberração da família conservadora”. O parlamentar diz que falou “em defesa da família brasileira e dos valores cristãos” e que, por isso, o partido teria se sentido no direito de processá-lo na Justiça Eleitoral.
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“Em razão disso, eu também me senti no direito de fazer uma justa homenagem ao senhor Luiz Inácio Lula da Silva”, declarou o vereador ao apresentar a placa.
A escolha das marginais não é aleatória, e isso está escrito no próprio projeto. Na justificativa, Tonezi classifica a iniciativa como uma “estratégia inédita de visibilidade pública e apelo institucional”. A lógica, segundo o texto, é direta: se o nome do presidente estiver estampado nas placas de sinalização e nos mapas oficiais do município, a expectativa é que o governo federal passe a enxergar a existência dessas vias e destine recursos e obras de manutenção ao trecho.
O documento não economiza nos adjetivos para descrever o estado das marginais. Fala em pavimento deteriorado, buracos constantes, trechos sem iluminação adequada, falta de drenagem e escassez de sinalização de segurança. Classifica as vias como um “gargalo viário” por onde trafegam diariamente milhares de trabalhadores, moradores e motoristas que transportam a riqueza do maior polo industrial de Santa Catarina. A associação, portanto, é proposital: dar o nome do presidente justamente às vias que o vereador considera abandonadas.
“Essa é a homenagem que merece esse camarada que tá lá sentado no Palácio do Planalto”, afirmou no vídeo em que apresenta a proposta.
O parlamentar também admite que a aprovação não é o objetivo central. “Tenho certeza que, se o projeto não caminhar, mas que ele fique em tramitação, até que seja possível dar essa nomeação da marginal”, disse, deixando claro que a permanência da proposta na pauta já cumpre o papel simbólico pretendido. A própria justificativa reconhece o caráter da manobra, ao classificar a iniciativa como um “ato de protesto criativo e de cidadania”.
Radicado em Joinville e natural de Apucarana, no Paraná, Tonezi construiu a carreira política com pautas conservadoras e críticas frequentes ao governo federal. O trecho da BR-101 já era alvo do vereador: em julho de 2025, ele havia protocolado requerimento apontando o estado de abandono das marginais no percurso de Joinville, que se estendem por cerca de 120 quilômetros entre Garuva e Itajaí. Recentemente, o parlamentar também se posicionou contra a importação de bananas do Equador anunciada pelo governo Lula, alegando prejuízo aos produtores catarinenses.
Até a publicação desta matéria, não havia manifestação do PT ou de representantes do governo federal sobre o projeto. A proposta segue em tramitação na Câmara de Joinville.






















