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Tumulto entre grupos de direita e esquerda marca sessão que decide ampliação de cotas na UDESC

Sessão do Conselho Universitário desta quinta-feira decide a nova Política de Ações Afirmativas da UDESC e foi marcada por tumulto entre grupos favoráveis e contrários desde o início da manhã. A Polícia Militar foi acionada e cada lado atribui ao outro a responsabilidade pela confusão.

Tumulto entre grupos de direita e esquerda marca sessão que decide ampliação de cotas na UDESC
Foto: Reprodução
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A manhã desta quinta-feira (9) na Reitoria da UDESC, em Florianópolis, foi de gritos atravessando portas de vidro, empurra-empurra nas catracas e acusações voando de um lado para o outro. O motivo estava na pauta da sessão do Conselho Universitário marcada para as 11h: a nova Política de Ações Afirmativas e Diversidades, que redesenha o sistema de cotas da universidade. Do lado de fora e nos corredores, grupos favoráveis e contrários à proposta transformaram a votação em campo de batalha, e a Polícia Militar chegou a ser acionada.

A confusão começou ainda no início da manhã e se arrastou pelo prédio. Vídeos que circulam nas redes mostram bate-boca, princípio de confronto físico na entrada e gritos de “recua” enquanto os grupos se separavam. Em meio ao tumulto, um dos presentes relata ter tido o celular derrubado durante a discussão.

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De um lado, manifestantes que se identificam como de direita e são contrários à ampliação das cotas afirmam que foram impedidos de entrar na sessão e relatam ter sido agredidos. “Tem filmado, a gente tava quieto e eles agrediram a gente”, diz um deles nas imagens, cobrando providências da universidade. O grupo também acusa militantes do lado oposto de terem se trancado em uma sala após o confronto.

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Do outro lado, estudantes e militantes favoráveis à proposta reagiram à presença do grupo com palavras de ordem, chamando os manifestantes de “fascistas” e organizando o recuo para evitar que a briga escalasse. Uma professora entrou no embate, defendeu as cotas e classificou a postura dos opositores como racismo, o que elevou ainda mais o tom da discussão. Cada lado atribui ao outro a responsabilidade pelo início da confusão, e as versões seguem sem confirmação independente.

A Polícia Militar no local

A Polícia Militar foi acionada pela Central Regional de Emergência para atender uma ocorrência de vias de fato e calúnia na Avenida Madre Benvenuta. Ao chegar, a guarnição encontrou uma aglomeração de pessoas, mas o princípio de confronto já havia cessado.

Quem acionou a polícia foi o ex-deputado estadual Bruno Souza (PL), registrado como vítima na ocorrência. Ele relatou aos militares que tinha ido participar do debate sobre as cotas e que foi hostilizado, agredido por um homem e chamado de racista, e afirmou ter tudo registrado em imagens. Com base no material apresentado pela vítima, a guarnição tentou localizar o autor da agressão, acompanhada pelo reitor da universidade. Diante da aglomeração e do grande número de pessoas no interior do prédio, e por segurança da própria equipe, a busca foi rápida e o autor não foi localizado. As imagens foram anexadas à ocorrência e a vítima, orientada.

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O que está em votação

O item central da sessão é o Processo 14649/2024, que institui a nova Política de Ações Afirmativas e Diversidades da UDESC. A proposta nasceu no Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da universidade e tem relatoria da conselheira Cláudia Mortari.

Pelo sistema em vigor desde 2011, a UDESC reserva 30% das vagas do vestibular, sendo 20% para quem cursou todo o ensino em escola pública e 10% para candidatos negros. A nova política amplia os grupos contemplados, alcançando pessoas negras, indígenas, com deficiência, quilombolas e trans, e estende as reservas para além da graduação, chegando à pós-graduação. Opositores da proposta afirmam que a reserva total poderia chegar a até 55% das vagas do vestibular, número que a universidade não confirmou publicamente.

Os dois lados chegaram mobilizados. Contrários à ampliação lançaram um abaixo-assinado pedindo que os conselheiros rejeitem a proposta, sob o argumento de que a universidade é sustentada pelo imposto de todos os catarinenses e de que a reserva avançaria sobre espaços onde deveria valer apenas o mérito. Defensores apontam os resultados da política em vigor: desde a adoção das cotas, o percentual de estudantes negros na UDESC saltou de 6,4% para 17,6%, segundo dados do Censo da Educação Superior.

A guerra jurídica por trás da sessão

A votação acontece menos de três meses depois de o Supremo Tribunal Federal derrubar a lei catarinense que proibia cotas raciais no ensino superior do estado. Aprovada pela Assembleia Legislativa em dezembro por 24 votos a 7 e sancionada pelo governador Jorginho Mello em janeiro, a Lei 19.722/2026 vedava reserva de vagas por critério racial em instituições públicas ou financiadas com verba estadual. Em abril, o STF invalidou a norma por 10 votos a 0, em julgamento relatado pelo ministro Gilmar Mendes.

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O embate jurídico travou o processo dentro da própria universidade. A convocação da sessão registra que a proposta foi retirada de pauta duas vezes, em dezembro e em março, pela “insegurança jurídica” causada pela lei estadual, e só retornou para deliberação depois da decisão do Supremo. A sessão desta quinta é, na prática, o primeiro movimento da UDESC sobre o tema após a liberação da Justiça.

O alcance da nova política também é alvo de questionamento na esfera política. Na Assembleia Legislativa, o deputado Alex Brasil (PL) afirmou que a proposta não se restringiria aos alunos e seria aplicada também às contratações da universidade, o que classificou como possível ilegalidade, por entender que normas de concurso público são matéria de lei.

Até a publicação desta reportagem, a UDESC não havia se manifestado publicamente sobre a confusão na Reitoria. A sessão seguia em andamento, e o resultado da votação ainda não havia sido divulgado.

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