Se de um lado um grupo de apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu em um bar em frente ao Thyssenkrupp Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí, para acompanhar a cerimônia da fragata Cunha Moreira (F202) pela televisão, do outro lado havia gente discordando, e fazendo questão de dizer. Um morador da região parou para conversar com a reportagem do Jornal Razão na calçada e não economizou no recado.
A primeira frase já dava o tom da entrevista.
Tando aqui ou não tando é a mesma coisa.
Para ele, a expectativa em cima da visita não corresponde ao que se vê, de fato, na rua. O morador apontou para o grupo reunido no estabelecimento em frente ao estaleiro como prova do que defendia.
Apoiadores nenhum, tá muito fraco.
Rotina segue igual
Na avaliação dele, a maior parte dos moradores de Itajaí segue com a rotina normal, sem dar muita atenção à passagem presidencial pela cidade. A visita, segundo o morador, não muda o cotidiano de quem trabalha, paga conta e segue a vida.
A fala contrasta com o discurso dos apoiadores que estavam do outro lado da calçada, que justificaram a presença pelos investimentos da ordem de R$ 12 bilhões previstos para o setor naval e pelo apoio antecipado à candidatura do presidente em 2026. Entre uma calçada e outra, o que se viu em Itajaí foi o retrato em miniatura do Brasil dividido que aparece nas pesquisas: dois grupos pequenos, com leituras opostas do mesmo evento, separados por meia rua e por um anel de segurança.
A vista é a mesma
O esquema montado nos arredores do estaleiro segue rígido, com militares das Forças Armadas, agentes de segurança institucional e efetivo estadual em pontos estratégicos. A circulação está controlada, os perímetros isolados, e o acesso ao evento, restrito a convidados, autoridades e credenciados. Para quem está do lado de fora, seja a favor ou contra, a vista é a mesma: a entrada do estaleiro, as grades e a televisão do bar.
A cerimônia de batismo e lançamento ao mar da fragata Cunha Moreira segue em andamento na área interna do estaleiro. Depois, o presidente cumpre agenda no Porto de Itajaí antes de retornar a Brasília. Pelo histórico, sem aceno ao público de fora.

























