A Prefeitura de Florianópolis está intensificando o monitoramento na rodoviária da Capital e implementando uma estratégia polêmica: devolver pessoas em situação de rua que chegam à cidade, enviadas por prefeituras de outros municípios.
A medida foi confirmada pelo prefeito Topázio Neto em uma entrevista ao Jornal Razão, na qual detalha a operação e rebate críticas sobre suposta “discriminação” ou “barreiras migratórias”.
Topázio defende a postura adotada pela gestão municipal. Segundo o prefeito, a iniciativa visa proteger a segurança pública e a dignidade dessas pessoas, muitas das quais chegam à rodoviária sem qualquer estrutura, contato ou destino certo.
“Temos identificado com frequência pessoas sendo mandadas de outros municípios para cá. Gente que chega perdida, não sabe para onde ir, e acaba sendo condenada a morar na rua. Isso não é humano, não é legal, e precisa ser coibido”, afirma.
Topázio explica que, nos casos em que é possível identificar a origem da pessoa e ela manifesta desejo de retornar, a Prefeitura ajuda no deslocamento de volta, sempre mantendo contato com a cidade de origem. Ele diz que até mesmo o Ministério Público já foi acionado em casos de envio irregular por parte de outras prefeituras.
“Se a pessoa está na rodoviária com mala, sem rumo, sentada o dia todo, nós vamos abordar. É uma questão de segurança, de saúde pública, de assistência. Mas isso não é discriminação. Nós não escolhemos pela roupa ou pela aparência. O próprio posto da assistência social é procurado espontaneamente por essas pessoas”, completa.
Durante a entrevista, o prefeito ainda fez menção a estrangeiros em situação de rua vindos de outros países, como a Argentina, mas garante ainda não ser necessária a criação de um convênio com a Polícia Federal para identificar possíveis abusos nesse fluxo imigratório, já que são poucos os moradores de rua oriundos de outros países.
A fala veio após o endurecimento das regras para entrada de ônibus de turismo na cidade, com a criação do Selo Turismo Legal, que passou a ser obrigatório para todos os veículos de excursão que pretendem circular por Florianópolis. A medida mira justamente o controle do fluxo rodoviário e o uso adequado da estrutura pública da Capital.
Apesar das críticas recebidas, o prefeito reafirmou seu compromisso com uma Florianópolis acolhedora, mas com responsabilidade. “A cidade é de todos, sim, mas não vai virar depósito de pessoas abandonadas por outras prefeituras. Vamos continuar ajudando quem precisa, mas com dignidade, respeito e, principalmente, justiça”, concluiu.

























