Depois de ficarem do lado de fora da cerimônia de batismo e lançamento ao mar da fragata Cunha Moreira (F202), no Thyssenkrupp Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí, os apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentaram explicar à reportagem do Jornal Razão por que o evento desta sexta-feira (26) foi fechado ao público. Cada um deu sua leitura, mas a maioria recorreu a um argumento em comum: a segurança.
Uma apoiadora ouvida pela reportagem disse compreender a dinâmica da agenda presidencial, ainda que não concordasse totalmente com o formato fechado.
Eu entendo que a agenda do presidente é com muita demanda, então faz parte. Ele não está aqui no momento. A cerimônia ainda também está acontecendo, então talvez ele possa vir aqui.
Sobre o fato de o evento não ter sido aberto ao público, a mesma apoiadora ponderou que o número alto de autoridades presentes pode ter pesado na decisão de restringir a entrada.
Infelizmente, eu também não concordo. Acredito que poderia ter sido aberto ao público, mas entendo que talvez, por ter muitas autoridades, por ter muitas pessoas ali, talvez precisasse que fosse assim, restrito.
Dia útil, horário comercial
Questionada sobre a baixa adesão de apoiadores no entorno do estaleiro, ela atribuiu o esvaziamento ao calendário e ao horário do evento, marcado em pleno dia útil.
É dia de semana, sexta-feira, é horário comercial, muita gente trabalha, não tem como pedir folga para vir assistir o presidente, apesar de ser o presidente. Acredito que isso também tenha colaborado para que tenham menos pessoas aqui agora.
A apoiadora confirmou ainda que parte do público que ficou do lado de fora acompanhou a cerimônia por transmissão online, em estabelecimentos comerciais vizinhos.
Algumas pessoas acompanharam pela live também. Eu, inclusive, acompanhei pela live ali, vi o evento, muito bonito, inclusive. Uma cerimônia muito bonita.
Mesmo com a cerimônia já se encerrando, ela manteve a esperança de ver o presidente em outro ponto da agenda.
A esperança não morre. Sou brasileira, assim como quero ver o hexa esse ano, também quero ver o tetra. E o Lula aqui, claro.
“É um evento de guerra”
Já o empresário Diego Toça de Siqueira deu a justificativa mais explícita para o esquema fechado. Em sua leitura, o tipo de evento, com lançamento de uma embarcação militar, pesa mais que o caráter civil da agenda.
Eu admiro a trajetória política do Lula e acho esse evento aqui muito importante para a história do Brasil.
Sobre o fato de os apoiadores terem ficado de fora, o empresário disse não ter ido com a expectativa de ver o presidente pessoalmente.
Eu não sei como está organizado o evento. Eu fiquei sabendo da divulgação desse grande fato histórico, que é o lançamento dessa fragata. Eu não estava sabendo nem como ia ser organizado.
Se eu ver, seria um grande acontecimento, mas não nessa esperança. Eu vim pelo evento, que é importante nesse momento que a gente está vivendo, um cenário de conflitos globais, e aqui seria bastante importante ter esse incentivo à indústria naval brasileira.
Sobre a informação de que o presidente sairia em comboio pelos fundos, sem contato com o público, o empresário foi enfático ao justificar a decisão.
Pela segurança do Brasil e pela segurança do momento que a gente está vivendo globalmente, acho que isso faz parte da segurança nacional.
Para o Brasil é muito importante proteger a integridade física do presidente e aqui, por mais que pareça um evento público, é um evento de guerra, é uma arma de guerra que está sendo lançada, então por isso faz todo sentido para o presidente ser protegido.
O argumento de Diego se soma à explicação de outros apoiadores ouvidos pela reportagem ao longo do dia. Entre a frustração de não terem entrado e a tentativa de justificar a decisão da organização, prevaleceu a leitura de que o tipo de cerimônia, com presença de autoridades militares e lançamento de uma embarcação de defesa, exigia o esquema reforçado.
A cerimônia transcorreu na área interna do estaleiro com a presença de ministros, parlamentares, oficiais da Marinha e empresários do setor naval. Depois, o presidente seguiu para o Porto de Itajaí, onde cumpriu o restante da agenda antes de retornar a Brasília. Em nenhum dos pontos houve contato direto com o público posicionado do lado de fora.

























