Santa Catarina transformou em lei uma ideia que parece estranha à primeira vista, mas que já mostrou resultados na prática: criar parques preparados para alagar de propósito durante períodos de chuva intensa.

A proposta foi inspirada em uma experiência implantada em Jaraguá do Sul durante a gestão de Antídio Lunelli como prefeito. O modelo deu origem ao Programa Parque Linear Barriga Verde de prevenção a enchentes e alagamentos, instituído pela Lei nº 19.457, sancionada pelo governador Jorginho Mello.
Na prática, os chamados parques alagáveis funcionam como áreas de lazer, caminhada, convivência e contato com a natureza em dias normais. Quando ocorrem chuvas intensas ou cheias dos rios, passam a receber parte do excesso de água, reduzindo a pressão sobre ruas, residências, comércios e sistemas de drenagem urbana.
O conceito nasceu da necessidade de encontrar soluções mais eficientes para um problema histórico de Santa Catarina. Em vez de apenas tentar afastar a água das cidades, a proposta cria espaços planejados para recebê-la temporariamente de forma controlada.

A inspiração veio do Parque Via Verde, em Jaraguá do Sul. Implantado durante a administração de Lunelli, o espaço foi projetado para conciliar preservação ambiental, lazer e prevenção contra enchentes.
Dados apresentados durante a tramitação do projeto na Assembleia Legislativa apontam que a experiência ajudou a minimizar os impactos de eventos climáticos extremos registrados no município nos últimos anos.
Com a nova legislação, o Estado passa a ter diretrizes para incentivar a implantação desse tipo de estrutura em outras cidades catarinenses. A lei prevê a possibilidade de cooperação entre o Governo do Estado, prefeituras e iniciativa privada para o desenvolvimento dos projetos.
O objetivo é ampliar a capacidade de prevenção e mitigação dos efeitos das enchentes, além de promover benefícios ambientais e urbanísticos para as comunidades atendidas.
Especialistas em drenagem urbana defendem que os parques alagáveis não substituem outras obras de infraestrutura, mas funcionam como uma ferramenta complementar importante dentro de uma estratégia mais ampla de adaptação às mudanças climáticas e redução de riscos.
Para cidades que convivem frequentemente com alagamentos e cheias, o modelo oferece uma alternativa que une proteção, sustentabilidade e qualidade de vida. Em vez de permanecer ocioso, o espaço utilizado para conter a água também pode servir à população durante todo o ano.
Ao transformar a experiência de Jaraguá do Sul em política pública estadual, a nova lei abre caminho para que outros municípios avaliem a adoção da mesma estratégia, adaptando o conceito às suas realidades locais.
No fim, a ideia do “parque que alaga de propósito” representa uma mudança de visão sobre a relação das cidades com a água: em vez de tratá-la apenas como ameaça, o planejamento urbano passa a reservar espaços seguros para conviver com ela e reduzir seus impactos quando as chuvas se tornam mais intensas.























