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Pai de Vorcaro, que doou R$ 1 milhão para o Partido Novo, é preso horas após vídeo de Zema atacando Flávio

Henrique Vorcaro foi detido pela Polícia Federal em Belo Horizonte na sexta fase da operação Compliance Zero. Ele havia doado R$ 1 milhão ao Novo de Minas em 2022, antes de o partido se tornar adversário público da família Bolsonaro.

Pai de Vorcaro, que doou R$ 1 milhão para o Partido Novo, é preso horas após vídeo de Zema atacando Flávio
Foto: Reprodução
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A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (14) Henrique Moura Vorcaro, pai do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em Belo Horizonte. A operação ocorreu poucas horas depois de o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), pré-candidato à Presidência da República, atacar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo áudio em que ele cobra Daniel Vorcaro por dinheiro para o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Henrique Vorcaro doou R$ 1 milhão ao Novo de Minas Gerais nas eleições de 2022, segundo registro do Tribunal Superior Eleitoral.

A prisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso. A ação integra a sexta fase da operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras e ocultação patrimonial ligadas ao Banco Master. Segundo a investigação, Henrique Vorcaro integraria o suposto esquema e teria atuado em movimentações relacionadas ao patrimônio do filho.

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A doação ao Novo e o ataque a Zema

O dado entrou no centro da disputa política nesta quinta-feira, depois que o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) usou a informação para rebater as críticas de Zema ao irmão Flávio Bolsonaro. O parlamentar acusou o ex-governador mineiro de ignorar que o diretório do Novo recebeu, em 2022, doação milionária do pai do banqueiro.

“Não houve desvio de dinheiro, Lei Rouanet ou recursos públicos. Não seja tão baixo, tão vil, Romeu Zema”, escreveu Eduardo Bolsonaro em publicação no X.

A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) também entrou na ofensiva. Ela publicou o registro da doação de Henrique Moura Vorcaro ao Novo de Minas e acusou Zema de “pisotear” Flávio Bolsonaro antes do desdobramento dos fatos.

“Zema não esperou o desdobramento dos fatos para aproveitar e pisotear na cabeça do Flávio. Até ontem queria ser vice. Agora usou como trampolim e já diz que é ‘imperdoável’. Se eu fosse presidente do PL iria desfazer imediatamente qualquer acordo em qualquer estado com o Novo como resposta. Isso não é aliado”, escreveu a deputada.

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Quem é Henrique Vorcaro

Henrique Vorcaro é empresário mineiro com atuação de décadas nos setores de infraestrutura, engenharia e construção pesada. É fundador e líder do Grupo Multipar, conglomerado com atuação em engenharia, energia, agronegócio e mercado imobiliário. O grupo ganhou espaço, principalmente, em contratos ligados à infraestrutura e a obras de grande porte em Minas Gerais.

Conforme o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a Multipar movimentou mais de R$ 1 bilhão entre 2020 e 2025, exclusivamente entre contas ligadas ao dono do Banco Master. Para o órgão, a movimentação sugere tentativa de ocultação patrimonial.

“A Turma” e a milícia privada

A nova fase da Compliance Zero tem o objetivo de aprofundar as investigações sobre organização criminosa suspeita de praticar intimidação, coerção, obtenção de informações sigilosas e invasão de dispositivos informáticos. A PF cumpre medidas determinadas pelo STF em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Ao todo, foram expedidos sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão. A decisão também determinou o afastamento de investigados de cargos públicos, além do sequestro e bloqueio de bens.

Conforme a PF, “A Turma” era o nome dado a uma milícia privada e a uma estrutura de coerção que teria sido montada sob o comando do ex-banqueiro para vigiar, intimidar e ameaçar críticos, autoridades e jornalistas. O cunhado de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, presos em março em outra fase da operação, fariam parte do grupo. São investigados os crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional.

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Relembre o caso

Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde março deste ano, também por determinação do ministro André Mendonça. Ele havia sido capturado pela primeira vez em novembro de 2025, quando tentava embarcar para Dubai no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Dois dias depois, o Banco Central liquidou o Banco Master, após uma fraude estimada em R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito.

O caso ganhou nova dimensão política nesta quarta-feira (13), quando reportagem do Intercept Brasil revelou mensagens e áudios em que Flávio Bolsonaro cobra Daniel Vorcaro pelo financiamento do filme “Dark Horse”. A operação Compliance Zero é conduzida pela Diretoria de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, em Brasília. O caso segue em desdobramento.

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