A semana começa com uma definição que mexe com a política catarinense. O diretório estadual do Novo em Santa Catarina marcou para esta terça-feira (16) uma reunião com presidentes municipais, mandatários e pré-candidatos, para tratar das eleições de 2026 e do Encontro Estadual da sigla, marcado para 4 de julho, em Joinville. Antes mesmo de a reunião acontecer, já circula uma nota do partido retirando o convite ao pré-candidato à Presidência pelo Novo, Romeu Zema.
Assinada pelo presidente estadual do partido, Kahlil Elias Assib Zattar, a nota informa que o diretório decidiu não manter o convite a Zema para o encontro de Joinville. O texto não para aí. Cobra mudança drástica e imediata na equipe de comunicação do pré-candidato, sob pena de o Novo catarinense se posicionar contra a própria indicação dele à Presidência da República nos processos internos do partido. A justificativa, segundo o documento, é a de que o momento exige a união da direita para derrotar o PT e tirar a esquerda do poder em 2026.
A declaração que reacendeu a crise
O estopim foi uma entrevista de Zema ao site Brasil Paralelo, na última semana. Nela, o ex-governador de Minas Gerais voltou a associar o senador Flávio Bolsonaro (PL) ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso e investigado por suspeita de fraudes bilionárias.
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Teria como eu aplaudir alguém que se aproxima do maior banqueiro bandido do Brasil? Eu acho que é difícil alguém querer aplaudir quem esteve, quem conviveu, com uma pessoa como ele.
Na mesma entrevista, resumiu a régua que diz aplicar: “Para mim, quem anda com bandido merece ser visto com cautela”.
O caso por trás da briga
A crise entre Novo e PL tem origem no vazamento de áudios em que Flávio Bolsonaro cobra de Daniel Vorcaro parcelas atrasadas de recursos que financiariam uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O conteúdo veio a público e expôs a proximidade entre o senador e o banqueiro. Flávio confirmou a autenticidade do áudio, mas negou qualquer irregularidade e afirmou que os valores eram privados.
Vorcaro é alvo de investigação que apura suspeita de fraudes de grande monta, e o Banco Master teve a liquidação decretada pelo Banco Central. Foi nesse pano de fundo que Zema passou a cobrar publicamente o concorrente.
A primeira investida, ainda em maio
A reação de Zema não é de agora. Assim que o caso veio a público, o pré-candidato gravou um vídeo questionando a ligação de Flávio com Vorcaro, antes mesmo de o senador apresentar sua versão. “Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa. É preciso ter credibilidade para mudar o Brasil”, disse na ocasião, classificando o episódio como “um tapa na cara dos brasileiros de bem”.
A manifestação foi considerada precipitada pelos dirigentes do Novo em Santa Catarina, que responderam em nota oficial. Na ocasião, Zema reafirmou que considerava “imperdoável” o contato de Flávio com Vorcaro, mas defendeu a manutenção da aliança com o PL em Santa Catarina.
Reação no PL
No campo bolsonarista, a resposta foi imediata. O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) defendeu o rompimento das alianças entre PL e Novo em todo o país.
Em 2024, quem sabia quem era o Vorcaro? Qual era a contrapartida que o Flávio poderia oferecer em 2024, além de sofrer perseguição? Que postura vagabunda. Critica apenas porque queria estar no lugar do Flávio. Por mim, rompia geral com o partido Novo.
Ele repetiu a tese que a deputada catarinense Júlia Zanatta (PL) já havia defendido em maio, logo após o primeiro vídeo de Zema. “Se eu mandasse no PL proibiria a coligação com o Novo em todos os estados”, resumiu Júlia Zanatta na ocasião.
O nó em Santa Catarina
É aqui que a crise nacional aperta a política catarinense. Novo e PL são aliados na disputa pelo governo do Estado: o pré-candidato a vice na chapa de reeleição do governador Jorginho Mello (PL) é o ex-prefeito de Joinville Adriano Silva (Novo), que renunciou ao comando da maior cidade catarinense para compor a aliança.
Mesmo com o desgaste, Zema cumpriu agendas de pré-campanha pelo Estado. Adriano Silva não o acompanhou em nenhum dos compromissos, num sinal público de distanciamento. Em uma reunião reservada com o comando catarinense do partido, com a presença de Adriano, dos deputados Gilson Marques e Matheus Cadorin e do presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, Zema reafirmou que não se arrependia das críticas a Flávio Bolsonaro.
Ainda assim, o presidenciável seguiu defendendo a aliança e elogiando o vice de Jorginho Mello. “Tanto Joinville quanto Minas comprovam que essa forma do Partido Novo fazer gestão pública é aquilo que o Brasil precisa. E tenho certeza que o Adriano vai contribuir muito com Santa Catarina e também vai ser presidente do Brasil no futuro”, disse Zema. Ao ser questionado sobre o aceno de apoio a Flávio num eventual segundo turno, foi direto: “Eu apoio qualquer um que disputar contra o PT”.
Veja a nota do Novo
O Diretório Estadual do NOVO Santa Catarina, após conversa e alinhamento com os principais dirigentes e mandatários da sigla no estado, decidiu não manter o convite ao pré-candidato Romeu Zema para participar do Encontro Estadual do NOVO SC, que será realizado no dia 04/07, em Joinville.
Da mesma forma, informamos que, se não houver uma mudança drástica e imediata na equipe de comunicação do pré-candidato, o Diretório Estadual de Santa Catarina deverá se posicionar contrariamente à indicação de Romeu Zema como candidato à Presidência da República pelo NOVO durante os processos internos do partido.
Essa decisão decorre da avaliação de que o atual momento político exige esforços voltados à união da direita brasileira em torno de um objetivo maior: construir uma alternativa forte e competitiva para derrotar o PT e retirar a esquerda do poder em 2026.
Reafirmamos nosso respeito à trajetória e aos resultados alcançados por Romeu Zema em sua gestão. O posicionamento do Diretório Estadual possui caráter institucional e reflete uma avaliação política sobre o caminho que entendemos ser mais adequado para contribuir com a união da direita brasileira e para a construção de uma alternativa vitoriosa em 2026.
Kahlil Elias Assib Zattar, presidente do Diretório Estadual do NOVO Santa Catarina
A reunião do diretório catarinense do Novo acontece nesta terça-feira (16). Até a última atualização, o posicionamento contrário à participação de Zema no encontro de Joinville seguia valendo.























