Enquanto a comitiva presidencial se desloca de Navegantes a Itajaí, a vida na frente do Thyssenkrupp Estaleiro Brasil Sul é outra. Moradores, curiosos, militantes e quem só passava pelo bairro pararam para esperar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na entrada do local do evento desta sexta-feira (26), formando uma pequena aglomeração contida atrás das grades.
Tem gente com bandeira do Brasil, tem quem foi com camiseta vermelha do PT e também quem garante que está ali “só pra ver de longe”. O perfil é variado, e o tom também: vai do animado, com celular em punho à espera de uma foto, ao curioso, que jura não ter opinião formada e só quis acompanhar o movimento. A pergunta mais ouvida no grupo é simples e quase sempre repetida: “será que ele para pra acenar?”.
Histórico não ajuda
A resposta, pelo histórico recente, tende a ser não. Nas duas visitas anteriores do presidente a Santa Catarina no atual mandato, o trajeto foi de carro fechado entre o aeroporto e o local da agenda, com paradas restritas ao roteiro oficial e sem espaço para contato com o público de fora do credenciamento.
O esquema de segurança em torno da entrada do estaleiro reforça essa leitura. Cones, grades, viaturas posicionadas e homens fardados em pontos estratégicos compõem o cenário, com perímetros bem definidos e circulação controlada. Militares das Forças Armadas, agentes de segurança institucional e o efetivo da segurança pública estadual atuam de forma coordenada nos arredores do estaleiro e ao longo do trajeto da comitiva.
A espera continua
Para quem está atrás da grade, a expectativa segue. Alguns aproveitam para conversar com vizinhos que não viam há tempos, outros tiram foto da movimentação policial e do próprio aparato. A chegada do presidente está prevista para o início da agenda no estaleiro, com cerimônia de batismo e lançamento ao mar da fragata Cunha Moreira (F202), terceira embarcação da Classe Tamandaré construída no município.
Depois do estaleiro, o presidente seguirá para o Porto de Itajaí, onde fará vistoria, acompanhará os serviços de dragagem do canal de acesso e dialogará com trabalhadores portuários. Em cada parada, o roteiro se repete: anel de segurança, área isolada e público de fora à distância.
A pergunta na grade continua sem resposta. O aceno, se vier, será rápido e provavelmente de dentro do carro.






















