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Moraes vê “uso político”, proíbe Flávio de visitar Bolsonaro por 90 dias e dá 48h para explicar carta

Ministro do STF entendeu que o senador desviou a finalidade da visita para obter uma carta política do pai e divulgá-la nas redes. A defesa de Jair Bolsonaro tem 48 horas para explicar se o ex-presidente sabia que o texto iria ao público.

Moraes vê “uso político”, proíbe Flávio de visitar Bolsonaro por 90 dias e dá 48h para explicar carta
Foto: Reprodução
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Uma carta manuscrita, lida em uma transmissão ao vivo no sábado, transformou uma visita de rotina em um problema jurídico direto para os Bolsonaro. Nesta segunda-feira, 13 de julho, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu por 90 dias as visitas do senador Flávio Bolsonaro ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e deu 48 horas para que a defesa explique como o documento foi produzido e divulgado.

Para Moraes, não se tratou de uma visita comum. Na decisão, o ministro afirmou que Flávio se valeu do direito de visitar o pai para obter uma carta escrita por ele com a finalidade exclusiva de publicá-la nas redes sociais. O texto do magistrado é taxativo ao classificar a conduta do senador como irregular.

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Não há dúvidas, portanto, que a conduta irregular de Flávio Nantes Bolsonaro desrespeitou expressa vedação judicial e configurou ostensivo desvio de finalidade no exercício de seu direito de visita.

A suspensão se apoia no parágrafo 1º do artigo 41 da Lei de Execuções Penais, que permite a interrupção imediata do direito de visita. Moraes ainda apontou que Flávio seria reincidente, ao lembrar que, em 3 de agosto de 2025, o senador e o pai já teriam descumprido a mesma restrição, produzindo, segundo o ministro, material pré-fabricado para os partidários.

A carta em questão

No sábado, 11 de julho, Flávio Bolsonaro visitou o pai e, em seguida, publicou uma transmissão em que leu uma carta manuscrita atribuída ao ex-presidente. Intitulada “Carta aos brasileiros”, a mensagem reafirma o senador como pré-candidato à Presidência, o apresenta como “porta-voz” de Jair Bolsonaro, pede aos aliados que deixem de lado as divergências e convoca o grupo político a trabalhar pela candidatura de Flávio.

O documento surgiu em meio à crise pública entre Flávio e Michelle Bolsonaro. A ex-primeira-dama havia afirmado que foi humilhada e desrespeitada pelo senador, deixou o comando do PL Mulher e passou a integrar a criação do movimento Imparáveis.

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Por que virou problema jurídico

As regras da prisão domiciliar proíbem Bolsonaro de usar celular, redes sociais ou qualquer meio de comunicação externa, inclusive por intermédio de terceiros. Embora o ex-presidente não tenha aparecido na transmissão, a carta teria sido escrita por ele, entregue ao filho e levada às redes como manifestação política dirigida ao público, caminho que pode ser interpretado como comunicação externa por meio de terceiro.

O ponto mais delicado é a própria definição de Flávio como “porta-voz”. A expressão reforça a leitura de que o senador estaria transmitindo publicamente uma posição do pai, e não apenas dando uma opinião própria. É por isso que Moraes pediu que a defesa esclareça, em 48 horas, se Jair Bolsonaro tinha ciência de que a carta seria divulgada nas redes sociais.

A distinção é central. O ministro já identificou a irregularidade na atuação de Flávio, mas ainda busca definir se o ex-presidente participou conscientemente da divulgação. A resposta poderá pesar na decisão sobre um eventual descumprimento das condições da prisão domiciliar.

O acesso que Flávio tinha

Em março, Moraes autorizou Flávio a visitar Bolsonaro também na condição de advogado. Com inscrição na OAB, o senador podia entrar na residência em dias úteis, mediante agendamento, por até 30 minutos. Como filho, tinha ainda horários específicos às quartas-feiras e aos sábados. A suspensão anunciada agora interrompe todo esse acesso pelos próximos 90 dias.

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Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses. A prisão domiciliar humanitária foi concedida inicialmente em março, por causa do estado de saúde, e prorrogada por Moraes em 3 de julho. Na ocasião, o ministro advertiu que o descumprimento das condições poderia levar ao retorno ao regime fechado.

Após a divulgação da carta, o deputado Lindbergh Farias, líder do PT na Câmara, pediu ao STF a revogação do benefício e uma multa de R$ 100 mil ao senador, sob o argumento de que a manifestação teria burlado deliberadamente o regime de visitas. Pessoas próximas a Michelle Bolsonaro relataram que a ex-primeira-dama temeria o retorno do ex-presidente ao regime fechado.

O cenário, neste momento, é de punição imediata a Flávio, com a suspensão das visitas, enquanto Moraes ainda ouvirá a defesa antes de decidir se a carta terá consequências sobre a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro. Até o fechamento desta reportagem, não havia manifestação da defesa ou do senador sobre a nova decisão.

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