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Molhes, maternidade, ponte e ginásio: as promessas do prefeito para Tijucas até 2028

Em entrevista ao Jornal Razão, o prefeito de Tijucas, Maickon Sgrott, cravou prazos para os molhes, para a UTI e para a maternidade fechada há oito anos, cobrou o IGAPS na administração do Hospital São José e enumerou o que promete entregar até 31 de dezembro de 2028.

Molhes, maternidade, ponte e ginásio: as promessas do prefeito para Tijucas até 2028
Foto: Reprodução
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O prefeito de Tijucas bateu na tribuna da Câmara de Vereadores e prometeu abrir a Casa do Autista em seis meses ou trocar de nome no cartório. Cumpriu no fim do prazo de 180 dias. Agora, em entrevista ao Jornal Razão, Maickon Sgrott repetiu a lógica da aposta e cravou datas para os molhes, para a UTI do Hospital São José, para a maternidade fechada há oito anos e para a ponte que pode mudar o eixo da cidade.

O balanço de 18 meses de gestão começou pela diferença entre o cargo que Sgrott ocupou por quatro anos e o que ocupa hoje. Segundo ele, o Legislativo tem o dever de fiscalizar e legislar, enquanto o vereador “vive com o dedo esticado, apontando o problema”. No Executivo, afirmou, o poder é outro: gerir com os secretários cerca de 2.300 servidores e atender ao maior número possível de demandas dentro de uma ordem de prioridades.

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Para explicar o limite do orçamento público, o prefeito recorreu à comparação doméstica e lembrou a Lei de Responsabilidade Fiscal, que impede gastar mais do que se arrecada.

Se tá chovendo dentro de casa, cê não vai trocar o piso.

Capa do vídeo do YouTube

Ele afirmou que o primeiro decreto da gestão, de 3 de janeiro de 2025, colocou a Prefeitura em período integral, das 8h às 17h sem fechar para o almoço. Antes, segundo Sgrott, o expediente ia apenas das 7h às 13h havia muitos anos.

A cheia que parou a cidade

Treze dias depois desse decreto, no dia 16 de janeiro, veio o teste. Tijucas registrou o que o prefeito descreveu como o maior índice de chuva já medido no município: quase 300 milímetros em um único dia. A cidade ficou, nas palavras dele, “praticamente embaixo da água”, com muitas regiões alagadas, água dentro das casas e pontos onde o escoamento levou cinco dias. Sgrott disse ter passado cerca de cinco dias na rua, vistoriando e organizando o socorro, e ressaltou que não houve fatalidades.

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Com meteorologistas alertando para um El Niño que pode ser severo, o prefeito atribuiu à Defesa Civil do Estado e ao governador Jorginho Mello avisos “persistentes e insistentes” e afirmou que a Defesa Civil municipal já realizou dois simulados. Segundo ele, o alagamento não é exclusividade de Tijucas: quase 200 dos cerca de 300 municípios catarinenses enfrentariam o mesmo problema quando a precipitação é muito grande, e na cidade os pontos críticos são específicos, onde a drenagem é mais antiga ou o terreno é mais baixo.

Na prevenção, Sgrott citou a limpeza de valas e bocas de lobo e disse que o município começou o ano com um plano de 12 ruas a serem contempladas no sistema de drenagem, das quais estaria no sétimo ponto.

ASSISTA AO VÍDEO

Molhes com data para começar

Chamados pelo entrevistador de “lenda urbana de Tijucas há anos”, os molhes ganharam cronograma. O prefeito confirmou que o governador Jorginho Mello destinou recurso e licenciou a obra em cerimônia recente, e que o município está agora montando o termo de referência para a licitação, etapa que deve levar de três a quatro meses. Depois vem a ordem de serviço, e a empresa vencedora terá 30 dias para começar. A meta cravada por Sgrott é iniciar a obra na virada de 2026 para 2027, respeitando o que classificou como prazos legais obrigatórios a qualquer prefeitura.

“Ou eu troco de nome no cartório”

Lembrado das lágrimas na inauguração da Casa do Autista, o prefeito confirmou a emoção e contou ter um sobrinho atípico, filho de uma prima de primeiro grau que mora distante. Segundo ele, o tema foi debatido em quatro reuniões “emblemáticas” no gabinete sem que a solução aparecesse. A virada, na versão de Sgrott, foi um convite do prefeito de Itapema, a quem chamou de “Xepa”, para a inauguração da Casa do Autista daquela cidade. O segredo, afirmou, não estava na estrutura, mas no gerenciamento por meio de convênio com a Univali, envolvendo professores, doutores e alunos.

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O prefeito relatou que apertou a mão do reitor da Univali, Valdir Cinel, e o convidou ao gabinete. Depois da reunião, reuniu as mães atípicas e fez uma audiência pública na Câmara, onde bateu na tribuna e assumiu o compromisso que virou marca da gestão.

Em seis meses nós abrimos a Casa do Autista ou eu troco de nome no cartório.

Segundo Sgrott, a promessa foi cumprida no fim do prazo de 180 dias, porque “o homem tem que ter palavra e tem que honrar”.

R$ 26 milhões e a cobrança ao IGAPS

A pedido do diretor do jornal, Lorran Barentin, o entrevistador cobrou o que está sendo feito para o tijuquense voltar a confiar no Hospital São José. Sgrott explicou que a administração é do IGAPS, organização de saúde sem fins lucrativos mais forte em São Paulo, e não da Prefeitura nem do Estado: a responsabilidade “da porta para dentro” é do hospital. Ainda assim, afirmou que a instituição está há três anos e meio no comando e levou de dois anos e meio a quase três apenas “para dar uma maquiada na estrutura”.

Foi aí que o prefeito confirmou a frase que atravessou a entrevista. Segundo ele, a Prefeitura repassa R$ 550 mil por mês, cerca de R$ 6,5 milhões por ano, num total que se aproxima de R$ 26 milhões em quase quatro anos, o que justificaria cobrar resultados na UTI, na maternidade e numa recepção que classificou como pequena demais. Nascido em 1981, ironizou: “A recepção é mais antiga do que eu.”

Eu não estou aqui pra ser amigo do hospital.

Pressionado a se comprometer com um horizonte, Sgrott afirmou que o hospital tem o compromisso de entregar a UTI de dez leitos na virada de 2026 para 2027, obra que segundo ele já está em andamento, e que em reunião com o diretor Marcelo ficou estabelecida a meta de reabrir a maternidade em março de 2027. Caso não ocorra, disse que será preciso rever a questão orçamentária junto ao hospital. O prefeito citou ainda que a maternidade de Biguaçu é hoje referência estadual e recebe os partos de Tijucas, mas defendeu que o município busque uma saída própria.

Contorno, Perimetral e a ponte

Sobre o contorno viário, o prefeito apontou duas frentes. A primeira é um traçado que sairia em frente ao outlet de Tijucas, do outro lado do rio, previsto no plano diretor como prolongamento da SC-410, que vem de Canelinha, São João Batista, Nova Trento e Major Gercino. Por ser rodovia estadual, caberia ao Estado custear. Como alternativa, caso haja dificuldades orçamentárias ou de projeto, o município vai “atacar” a Perimetral, a P11, na divisa com Porto Belo, ao lado do rio Santa Luzia, ligando os bairros Mata Atlântica, Galápagos e Bosque da Mata até a Marginal, deixando as alças da BR para uma etapa federal.

Questionado sobre a ponte que levaria o nome de Leopoldo Barentin, fundador do Jornal Razão, Sgrott disse que o projeto está em andamento e que pretende ter o orçamento fidedigno em mãos até o fim do ano, para, passadas as eleições, buscar recursos estaduais e federais e licitar a obra em 2027. Fez uma ressalva: “O nome não é o prefeito que coloca”, já que a definição cabe à Câmara de Vereadores. Ainda assim, previu que a ponte será “um grande sonho realizado”, capaz de mudar o eixo da cidade.

Prédios de 40 andares

Com o plano diretor liberando prédios de até 40 andares, o entrevistador perguntou como Tijucas evitará os gargalos de mobilidade vistos em Balneário Camboriú, Itapema e Porto Belo. Segundo Sgrott, essas cidades são pequenas em extensão, e ele lembrou que Balneário Camboriú é o segundo menor município do Estado em território, atrás apenas de Bombinhas, sofrendo pela verticalização somada ao turismo. Tijucas, argumentou, é plana e tem área maior, o que dá margem para planejar antes de ter “dores de cabeça”.

O prefeito reconheceu que a mobilidade já começou a enfrentar gargalos e afirmou que a cidade precisará construir novas pontes e ampliar sua capilaridade nos próximos anos, corrigindo a drenagem com galerias e envolvendo empresários e construtores nas obras de infraestrutura. Comparou Tijucas ao crescimento de Palhoça, que segundo ele saltou de 60 mil para 250 mil habitantes, e de Biguaçu, e citou o bairro Pedra Branca como um “Vale do Silício” regional. Mencionou ainda loteamentos como Altos de Santa Helena, Flores do Sal e o recém-lançado Rio Parque como exemplos de padrão elevado.

150 crianças fora da sala de aula

Na educação, Sgrott afirmou que encontrou 150 crianças fora de sala de aula por falta de espaço ao assumir. A saída imediata, segundo ele, foi pedir salas emprestadas à Univali para atravessar 2025, seguida da retirada de mais de 30 salas de aula entre 2025 e 2026, número que chegaria a quase 40 até o fim de 2026. Para isso, disse ter comprado e reativado um prédio que era da Univali, na Santa Luzia, na rua José Higino, cuja entrega ocorria no dia da entrevista.

O prefeito relatou ainda ter reformado unidades escolares sem obras havia mais de 20 anos e afirmou que os uniformes foram entregues em dia, no início do ano letivo. Sobre o IFSC, previsto para 2027, explicou que se trata de obra federal e que o papel da Prefeitura foi devolver o terreno ocupado parcialmente, etapa que estaria sendo concluída para permitir o avanço da construção.

A educação precisava levar um choque, igual um paciente que precisa o coração voltar a bater.

O que ele promete até 2028

Sgrott destacou como marca da gestão um pacote de reformas, tributária, previdenciária e a reestruturação das secretarias, além da aprovação na Câmara do que chamou de maior empréstimo da história do município, três vezes e meia maior que o anterior. Segundo ele, a maioria na Câmara só foi construída a partir de agosto, motivo pelo qual votações importantes não foram pautadas antes disso, período que o entrevistador resumiu como de “tiro, porrada e bomba”.

Ao fechar, olhando para a câmera, o prefeito enumerou os compromissos até 31 de dezembro de 2028: tirar os molhes do papel, reabrir a maternidade, viabilizar a ponte, construir um novo ginásio e buscar apoio dos governos estadual e federal. Citou a entrega e o início de 12 novas praças neste ano, com meta de dobrar para 24 áreas de lazer no próximo, e a arborização da avenida Hercílio Luz, em frente ao jornal, a partir de indicação do vereador Júlio.

Jamais eu poderei aceitar nada menos do que entregar cada vez mais pra população.

A entrevista, a primeira concedida por Maickon Sgrott ao Jornal Razão, está disponível na íntegra em vídeo. Os prazos citados pelo prefeito seguem como compromissos públicos, e o cumprimento de cada um deles será acompanhado pela reportagem.

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