O ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou nesta sexta-feira (26), durante agenda ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina, que o governo do estado se recusou a firmar com a União projetos de infraestrutura que somariam R$ 24 bilhões em investimentos. A declaração foi feita no mesmo dia em que o presidente cumpriu uma série de compromissos no município, entre eles o batismo da fragata Cunha Moreira e a visita a estaleiros da região.
Segundo o ministro, o governo federal procurou a gestão estadual para desenvolver projetos em parceria, nos moldes de concessões e leilões, mas não houve adesão. “Ele simplesmente não quis fazer em parceria. São projetos como nós fizemos no governo do Paraná”, afirmou Santoro, citando que o estado vizinho realizou seis leilões com R$ 110 bilhões já contratados. De acordo com o ministro, os dois projetos estavam no mesmo período, mas a falta de parceria obrigou o governo federal a refazer o planejamento catarinense.
O presidente Lula interveio na fala para reforçar a crítica. “O ministro do transporte está dizendo que ele procurou o governo do Estado para fazer em parceria com o governo federal projetos da ordem de investimento de 24 bilhões de reais aqui no Estado. E qual foi o argumento do governador?”, questionou. “Não teve argumento, presidente. Ele simplesmente não quis fazer em parceria”, respondeu o ministro.
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Conforme Santoro, a ausência da parceria atrasou os projetos em cerca de dois anos, obrigando o governo federal a refazê-los e a colocá-los agora em audiência pública. “O Paraná fez e o governador aqui poderia ter feito junto. Ele não quis fazer. As obras do Paraná já estão acontecendo. E aqui nada”, afirmou. O ministro acrescentou que a carteira de leilões e concessões em estudo para Santa Catarina soma mais de R$ 24 bilhões em investimentos previstos.
O ministro também apresentou um balanço dos recursos federais aplicados no estado. Segundo ele, a atual gestão investe R$ 3,2 bilhões em Santa Catarina, contra R$ 1,2 bilhão no governo anterior, quando, conforme afirmou, houve necessidade de aporte estadual para que as obras não parassem. Ele disse ainda que a malha rodoviária federal no estado passou de 38% de avaliação “ótimo e bom” em 2022, classificado por ele como o pior nível do período, para mais de 75% atualmente.
Santoro destacou que Santa Catarina concentra 6% do volume portuário do país, mas que mais de 80% do escoamento depende do modal rodoviário, em uma área geográfica reduzida, o que exige forte investimento em infraestrutura. Por isso, segundo ele, o governo federal está em audiência pública para a concessão da malha ferroviária, com o objetivo de ampliar os acessos aos portos de Itajaí, Navegantes e São Francisco do Sul e melhorar o fluxo logístico no estado.
Entre as obras em andamento, o ministro citou a entrega de um novo lote da BR-470 prevista para setembro e a conclusão da BR-163, descrita por ele como uma das piores rodovias do país e com término previsto para agosto. Ele afirmou que, com as entregas, o volume aplicado no estado se aproxima de R$ 3,2 bilhões.
O ministro mencionou ainda a solução para o Morro dos Cavalos, na BR-101, trecho historicamente marcado por deslizamentos. Segundo ele, a concessionária atual aceitou retirar o trecho de seu contrato, e os R$ 3 bilhões em investimentos serão transferidos para a concessão leiloada no governo anterior, com previsão de tarifa mais justa. Santoro afirmou que novos aportes na BR-101 podem chegar a mais R$ 15 bilhões.
As declarações se somam a uma série de embates públicos entre o governo federal e a gestão estadual em torno das obras de infraestrutura em Santa Catarina. Nos últimos meses, governo federal e governo do estado disputaram publicamente a narrativa sobre quem lidera e financia o ciclo de obras rodoviárias no estado, em um confronto que se intensificou ao longo de 2025 e 2026.
O governo de Jorginho Mello (PL) não havia se manifestado sobre as declarações até a publicação desta reportagem. Em ocasiões anteriores, o governador defendeu que os investimentos federais no estado são viabilizados por concessionárias e destacou o programa estadual de obras em rodovias como o maior ciclo de investimentos do tipo já realizado em Santa Catarina.

























