Integrantes do movimento estudantil da UDESC acusaram grupos de direita de terem depredado o patrimônio público da universidade durante o tumulto que marcou a sessão sobre a ampliação das cotas nesta quinta-feira (9), em Florianópolis. Em vídeo de denúncia, militantes do diretório Antonieta de Barros afirmaram que os manifestantes contrários à proposta danificaram parte do prédio da Reitoria e que o prejuízo recairá sobre a comunidade acadêmica.
Segundo o relato do grupo, uma das portas do prédio e outros bens teriam sido danificados durante o confronto. “Eles vieram aqui, destruíram a porta, estão gastando dinheiro público porque eles não vão bancar esse prejuízo. Quem vai bancar somos nós, estudantes e o povo catarinense, que também paga imposto”, afirmou uma das integrantes do movimento. A versão sobre a depredação é do movimento estudantil e não foi confirmada de forma independente. A Polícia Militar, acionada durante a confusão, registrou a ocorrência como vias de fato e calúnia, sem menção a danos ao patrimônio.
Para o grupo, a confusão teve um objetivo claro: impedir o avanço das cotas. “Vieram na universidade para agredir aluno e impedir que a gente amplie as ações afirmativas, porque o que eles não querem é que tenha preto dentro da universidade”, declarou a integrante do diretório, associando a resistência à proposta ao que chamou de “pacto da branquitude”.
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O movimento sustenta que a ampliação em discussão vai além do vestibular e atinge o corpo funcional da universidade. “O que eles estavam tentando votar é para que tirassem as cotas que estão sendo votadas para professor, para técnico. Eles não querem que a gente tenha aula com pessoas negras, com pessoas indígenas”, afirmou a militante, defendendo a reserva de vagas também nas contratações da instituição.
Na denúncia, os estudantes deram nome aos que consideram adversários. “Os nossos inimigos têm nome e têm partido. É o pessoal do Missão, do PL e do Partido Novo, que estão votando contra toda a população catarinense, que vêm aqui pregar discurso de ódio, que depreda o nosso patrimônio, que agride nossos colegas”, disparou a integrante do movimento, citando nominalmente as três legendas que, segundo ela, estariam por trás da mobilização contrária às cotas.
O grupo comparou o episódio a um ataque histórico ao movimento estudantil e prometeu não recuar. “Não vamos ficar quietos, não vamos ficar com medo”, afirmou a militante, encerrando a fala com uma frase de tom combativo: “ataque de fascista a gente resolve com foice e martelo”.
A próxima sessão sob tensão
A votação sobre a ampliação das cotas foi adiada para daqui a duas semanas, e os dois lados já anunciaram que estarão de volta à Reitoria no dia, em número ainda maior. De um lado, o movimento estudantil, que promete mobilizar mais alunos e movimentos sociais. De outro, os grupos de direita contrários à proposta, que também sinalizaram presença na nova sessão.
O reencontro dos dois campos no mesmo espaço, depois de uma primeira rodada marcada por empurra-empurra, acusações de agressão e Polícia Militar acionada, coloca a próxima votação sob atenção. As falas que encerraram esta quinta-feira, de parte a parte, não foram de recuo, mas de reforço, o que aumenta a expectativa em torno do clima na próxima reunião.
Até a publicação desta reportagem, a UDESC não havia divulgado um balanço oficial sobre eventuais danos ao prédio nem se manifestado sobre as acusações trocadas entre os grupos durante a sessão.
























