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“Não recuaremos”: dizem militantes que acusam grupo de direita de tentar sabotar votação das cotas na UDESC

Militantes favoráveis à ampliação das cotas na UDESC acusam o grupo de direita de provocar confusão para adiar ou anular a votação desta quinta-feira e afirmam que vão manter a mobilização. A universidade não se manifestou sobre o tumulto até a publicação.

“Não recuaremos”: dizem militantes que acusam grupo de direita de tentar sabotar votação das cotas na UDESC
Foto: Reprodução
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Do lado de dentro das portas de vidro da Reitoria da UDESC, em Florianópolis, a militância favorável às cotas não tratou a confusão desta quinta-feira (9) como acidente, mas como estratégia. Para esse lado, o tumulto na entrada da sessão do Conselho Universitário não foi um grupo querendo acompanhar a votação, e sim uma tentativa deliberada de atrapalhar a decisão sobre a ampliação da reserva de vagas. “Extrema-direita promove confusão na UDESC e tenta adiar ou anular a discussão sobre a política de cotas na universidade”, resumiu um perfil de esquerda que acompanhava o caso, prometendo seguir mobilizado.

A leitura é a de que a confusão teve um objetivo prático: travar a votação. Enquanto o grupo contrário gravava vídeos e cobrava explicações na porta, os defensores das cotas responderam com palavras de ordem e recado de que não sairiam do lugar. “Seguimos atentos e lutando pela democratização e ampliação das ações afirmativas”, diz o mesmo perfil, num tom que os militantes repetiram nos corredores: o de que qualquer tentativa de adiar a decisão seria enfrentada.

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A defesa das cotas apareceu de forma mais direta na fala de uma professora, que enfrentou os manifestantes durante o bate-boca. “Aqui nós estamos defendendo as cotas, e vocês são contra. E é racismo, sim”, afirmou, cravando a acusação que se tornaria o centro da discussão. Questionada a se identificar, no entanto, ela se recusou a dizer o próprio nome, ponto que os manifestantes contrários usaram para rebater a acusação.

ASSISTA AO VÍDEO

Os defensores da proposta apostam no histórico da política para justificar a ampliação. O argumento central é o de que as cotas, em vigor na universidade desde 2011, corrigiram uma distorção real de acesso ao ensino superior, historicamente restrito a uma parcela da população. Os números costumam ser citados como prova: o percentual de estudantes negros na UDESC saltou de 6,4% para 17,6% desde a adoção da reserva, segundo dados do Censo da Educação Superior. Para esse campo, recuar agora significaria desmontar um avanço que levou mais de uma década para se consolidar.

O que muda com a proposta

A ampliação em discussão vai além do que existe hoje. A nova Política de Ações Afirmativas e Diversidades amplia os grupos contemplados, alcançando pessoas negras, indígenas, com deficiência, quilombolas e trans, e estende a reserva de vagas para além da graduação, chegando à pós-graduação. Para os defensores, trata-se da evolução natural de uma política que já existe e apenas se atualiza. Para os críticos, é justamente esse alargamento, incluindo o alcance sobre a pós-graduação e, segundo apontam, sobre contratações, que ultrapassa o limite do razoável.

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No fundo, os dois lados disputam o significado da palavra mérito. Para quem defende as cotas, o acesso nunca foi de fato meritocrático, porque parte dos estudantes chega à disputa em desvantagem histórica, e a reserva serve para equilibrar esse ponto de partida. Para quem é contra, a ampliação faz o critério social avançar sobre espaços onde deveria valer apenas o desempenho. É um impasse legítimo, e a sessão desta quinta foi o palco onde ele explodiu.

O respaldo institucional

Um ponto ajuda a entender a correlação de forças dentro da universidade. Segundo o relato dos manifestantes contrários, os militantes favoráveis às cotas teriam se refugiado em uma sala durante o auge da confusão, com a proteção da própria instituição. A UDESC, de fato, historicamente se posiciona ao lado da política de cotas: foi contra a lei estadual que proibia a reserva racial, pediu o veto ao governador e lamentou publicamente a sanção, antes de a norma ser derrubada pelo Supremo Tribunal Federal em abril.

Isso significa que o campo favorável à ampliação chegou à sessão com o alinhamento da administração da universidade e com a decisão do Supremo abrindo o caminho jurídico. É um respaldo institucional que o outro lado não tinha, e que ajuda a explicar por que a votação caminhava no sentido da aprovação. Do ponto de vista de quem defende as cotas, esse alinhamento não é privilégio, mas coerência de uma instituição que sempre sustentou a política, e a acusação de sabotagem contra a direita se apoia justamente nessa convicção de que a decisão já estava madura para ser tomada.

Até a publicação desta reportagem, a UDESC não havia se manifestado publicamente sobre a confusão na Reitoria nem sobre as acusações trocadas entre os grupos. A sessão sobre as cotas seguia em andamento.

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