Logo Jornal Razão
Publicidade

“Representamos o povo de Santa Catarina”, diz militante após adiamento da votação das cotas na UDESC

Após o Conselho Universitário adiar por duas semanas a votação sobre a ampliação das cotas na UDESC, militantes favoráveis à proposta discursaram no saguão da Reitoria e afirmaram representar o povo catarinense. O adiamento ocorreu porque a sessão não podia passar das 18 horas.

“Representamos o povo de Santa Catarina”, diz militante após adiamento da votação das cotas na UDESC
Foto: Reprodução
Publicidade

Enquanto a votação sobre a ampliação das cotas na UDESC era adiada, um grupo de militantes favoráveis à proposta se reunia no saguão da Reitoria, em Florianópolis, para um discurso de fôlego. E a tese central, dita a plenos pulmões nesta quinta-feira (9), foi ambiciosa: a de que aquele grupo, ali reunido, representava todo o estado. “A gente representa o povo de Santa Catarina. E o povo de Santa Catarina não vai descansar até ver que a população tem o seu direito garantido”, afirmou uma das lideranças do movimento, sob aplausos.

A fala partiu do princípio de que a adesão às cotas é praticamente unânime no estado. “A gente sabe que os estudantes e toda a população de Santa Catarina é a favor das cotas”, declarou o manifestante, apontando que o grupo contrário, também presente na sessão, estava em número bem menor. Para ele, essa diferença de tamanho no saguão traduzia a vontade dos catarinenses como um todo.

Publicidade

O discurso veio depois de o Conselho Universitário adiar a deliberação sobre a nova Política de Ações Afirmativas para daqui a duas semanas. O adiamento se deu por uma questão regimental: a sessão não pode se estender além das 18 horas, e, como a discussão se arrastou ao longo do dia em meio ao clima tenso na Reitoria, não houve tempo de concluir a votação dentro do horário permitido. Sem margem para deliberar, o conselho remarcou o item para a próxima reunião.

Para o movimento, no entanto, o adiamento não foi lido apenas como uma limitação de horário, mas como manobra. “Eles querem nos cansar. Eles querem que a votação aconteça em um momento que a gente não consiga estar aqui mobilizado, junto”, afirmou a liderança, defendendo que a nova votação ocorra em período letivo, com os estudantes na universidade.

ASSISTA AO VÍDEO

O manifestante também elevou o tom ao classificar a resistência às cotas como um “ataque racista”. Ele afirmou que a maior parte do funcionalismo da universidade é composta por pessoas brancas e sustentou que os conselheiros preferem manter a instituição fora da política de reserva racial. “Esses conselheiros preferem que a UDESC pague multa de milhões do que garantir que tem alunos pretos na universidade”, disse, em referência à cobrança de que a universidade se enquadre na lei de cotas.

Publicidade

Na visão do grupo, a UDESC estaria em situação irregular ao não adotar a política ampliada. “A lei de cota já existe e há 14 anos a UDESC está ilegal”, declarou o manifestante, tratando a ampliação não como uma reivindicação nova, mas como o cumprimento de uma obrigação legal atrasada. O argumento se apoia na leitura de que a reserva de vagas é um direito previsto em lei, e não uma escolha da instituição.

O discurso terminou em clima de convocação para o próximo capítulo. A promessa foi a de voltar em número ainda maior na próxima sessão, com mais estudantes e movimentos sociais. “Amanhã vai ser maior”, repetiu a liderança, encerrando a fala sob aplausos do grupo que resistia no saguão. A nova votação está prevista para daqui a duas semanas.

Receba as notícias no WhatsAppEntrar
Publicidade
Publicidade
Grupo de WhatsApp · Tempo real

Santa Catarina no seu WhatsApp

Entre no grupo oficial do Jornal Razão. As principais manchetes do dia, direto no seu aparelho. Sem spam.

Entrar no grupo
+48 mil catarinenses já acompanham