O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a chamar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “ladrão” e declarou torcida pela vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial brasileira. As declarações estão em entrevista à revista francesa Le Point, publicada na quarta-feira (30), a quatro dias do primeiro turno, marcado para domingo (4).
A entrevista foi feita pelo jornalista Olivier Ubertalli, da Le Point, na Casa Rosada, em Buenos Aires, antes da viagem de Milei a Paris. O texto saiu em duas partes no site da revista, na terça (29) e na quarta-feira (30). Questionado sobre a troca de ataques com o presidente brasileiro, o argentino respondeu: “Lula é um ladrão! Ele só saiu da prisão graças a um vício de forma administrativo orquestrado por um juiz cúmplice”.
Na sequência, Milei acusou Lula de interferir na eleição argentina de 2023, em que ele derrotou o peronista Sergio Massa. Segundo o argentino, o brasileiro “enviou vários comunicadores e psicólogos a Buenos Aires para armar golpes sujos” contra a campanha dele. Milei disse ainda que o líder dos “provocadores” em solo argentino era um estudante brasileiro pago pelo governo Lula. Ele não apresentou provas das acusações na entrevista.
Apoio a Flávio Bolsonaro
Ainda segundo a entrevista a Olivier Ubertalli na Le Point, o presidente argentino afirmou que o governo brasileiro “se aliou ao Irã, à Rússia e às ditaduras castro-chavistas” e que a Argentina expulsou neste ano “agitadores estrangeiros” que estariam disfarçados de jornalistas, fotógrafos, professores universitários e estudantes. Ele não citou nomes nem casos.
Sobre a disputa no Brasil, Milei disse que o país tem déficit de 10 pontos do PIB e completou: “Tenho a grande esperança de que meu amigo Flávio Bolsonaro vença a eleição presidencial de outubro para conduzir o saneamento liberal indispensável”.
O que já tinha sido dito
Não é a primeira vez que Milei usa esses termos. Em 25 de julho, ele participou em São Paulo da convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro e chamou Lula de “ladrão” e “presidiário”. Em 2 de agosto, em entrevista ao jornalista Luis Majul, no canal argentino LN+, repetiu as acusações diante das câmeras: “É um ladrão. É um corrupto. Foi condenado por ladrão e corrupto”. É dessa entrevista de agosto o vídeo que acompanha esta matéria. A conversa com a Le Point foi publicada em texto.
Depois da convenção de julho, o governo brasileiro chamou para consultas o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou as críticas como inaceitáveis e sem precedentes. Questionado por jornalistas na época, Lula respondeu: “Quem é esse cara?”.
A prisão e a anulação das condenações
Lula ficou preso por 580 dias, entre abril de 2018 e novembro de 2019, por condenação na Operação Lava Jato. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações ao decidir que a 13ª Vara Federal de Curitiba não era competente para julgar os casos e, depois, declarou a parcialidade do então juiz Sergio Moro. Com as anulações, Lula recuperou os direitos políticos e foi eleito presidente em 2022. Não houve nova condenação.
Milei cumpre visita oficial de três dias à França. Segundo a Le Point, a agenda inclui encontro com o presidente Emmanuel Macron e a “Argentina Week”, evento para atrair investimentos europeus.
Até a publicação desta matéria, não havia manifestação pública do Palácio do Planalto nem do Itamaraty sobre a entrevista. Lula disputa a reeleição e tem entre os adversários o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Se nenhum candidato alcançar mais da metade dos votos válidos no domingo (4), o segundo turno está marcado para 25 de outubro.
Imagens: LN+/La Nación (reprodução), Ricardo Stuckert/PR e Carlos Moura/Agência Senado.
Fonte: entrevista de Javier Milei a Olivier Ubertalli, na revista Le Point.
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