O ex-prefeito de Blumenau, Mário Hildebrandt (PL), divulgou um pronunciamento em vídeo nesta quinta-feira (7) afirmando que não é alvo das três operações do GAECO deflagradas nos últimos dias na cidade, defendendo a contratação emergencial de segurança armada para escolas após o ataque à Creche Cantinho Bom Pastor e dizendo ter sido ele próprio quem entregou ao Ministério Público documentos que culminaram em apurações da força-tarefa.
O posicionamento foi divulgado horas após a deflagração das Operações Arbóreo, que apura R$ 3,6 milhões em propina no contrato da merenda escolar, e Sentinela, sobre fraudes em vigilância armada para escolas. Investigações em curso já apontam que o esquema movimentou R$ 570 milhões durante sua gestão. Na coletiva oficial do GAECO realizada nesta manhã, o coordenador estadual da força-tarefa, Wilson Paulo Mendonça Neto, declarou que nenhum prefeito municipal — atual ou anterior — é investigado nas três operações.
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‘Eu não sou alvo das investigações’
No vídeo, Hildebrandt foi enfático ao negar envolvimento e reforçou a declaração feita pelo próprio coordenador estadual do GAECO durante a coletiva. Segundo o ex-prefeito, nenhuma das três operações deflagradas pelo GAECO entre quarta-feira (6) e quinta-feira (7) tem envolvimento de prefeitos municipais, atuais ou anteriores. Ele afirmou que nunca fugiu de desafios e questionamentos e que, em quase sete anos à frente da Prefeitura de Blumenau, sempre prezou pela transparência e pelo controle dos gastos públicos.
Eu não sou alvo das investigações.
A defesa do ex-prefeito é respaldada pela própria força-tarefa. Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (7), o promotor Marcionei Mendes, da 14ª Promotoria de Justiça de Blumenau, explicou os detalhes das apurações, e o coordenador estadual do GAECO, Wilson Paulo Mendonça Neto, deixou claro que nenhuma das três operações tem envolvimento de prefeitos municipais. Conforme o coordenador, ninguém da atual gestão é investigado, nem o ex-prefeito Mário Hildebrandt.
A creche e a contratação emergencial
Hildebrandt rebateu de forma direta a leitura jornalística que vinculou a contratação emergencial de vigilância armada para escolas a um esquema de corrupção. Conforme o ex-prefeito, ele foi um dos primeiros a chegar à Creche Cantinho Bom Pastor após o ataque, em 5 de abril de 2023, e acompanhou a comoção da cidade e do Brasil.
De acordo com Hildebrandt, a contratação emergencial de 150 agentes de segurança armada foi feita em 15 dias para que pais voltassem a deixar os filhos na escola e os professores retornassem às salas de aula. Conforme o ex-prefeito, foram feitas cotações com dezenas de empresas para averiguar a melhor proposta que garantisse a segurança armada.
Eu não tenho dúvidas que a decisão pela contratação emergencial foi a melhor para garantir a segurança armada nas escolas e creches. E se tivesse que tomar a mesma decisão novamente, eu a faria.
A Operação Sentinela, deflagrada pelo GAECO nesta quinta-feira, aponta que informações sigilosas de propostas concorrentes teriam sido indevidamente compartilhadas, permitindo que a empresa contratada apresentasse desconto estrategicamente calculado para vencer o certame emergencial, cujo valor global ultrapassou R$ 9 milhões.
A merenda escolar
Sobre a Operação Arbóreo, que mira o contrato da merenda escolar, o ex-prefeito afirmou que a empresa fornecedora era a mesma desde 2009 e que, ao longo de todos esses anos, as licitações foram realizadas dentro dos critérios estabelecidos.
O MPSC aponta, na investigação, que entre junho de 2022 e dezembro de 2024 a empresa repassou propina de 3% sobre cada empenho pago pela Prefeitura, totalizando uma estimativa de R$ 3,6 milhões em pagamentos ilícitos. O contrato foi celebrado em abril de 2022 e rescindido em janeiro de 2025, já na gestão Egídio.
‘Sempre combati a corrupção’
Hildebrandt apresentou, no pronunciamento, um balanço do que considera ações de combate à corrupção durante seu mandato. Conforme o ex-prefeito, logo que assumiu a Prefeitura, criou a Controladoria do Município e, depois, o Compliance, para estabelecer normas de conduta de servidores públicos. Ele afirmou ainda que exonerou diversos fiscais acusados de corrupção e que determinou a realização de auditoria externa sobre diversas irregularidades.
Eu sempre combati a corrupção. Exonerei os envolvidos e pessoalmente entreguei tudo ao Ministério Público, o que acarretou em operações do GAECO. Sempre exigi postura, responsabilidade dos servidores públicos, mas infelizmente não tenho controle sobre tudo.
Mário Hildebrandt
Defesa pessoal
O ex-prefeito encerrou o pronunciamento com uma defesa de seu estilo de vida. Conforme Hildebrandt, ele segue morando na mesma casa no bairro Água Verde, tendo o mesmo estilo de vida que sempre teve. Ele afirmou também que segue acreditando na justiça e que está à disposição das autoridades.
As três operações
A Operação Arbóreo, deflagrada pelo GAECO nesta quinta-feira, apura um esquema estimado em R$ 3,6 milhões em propina dentro do contrato da merenda escolar, com aplicação invariável de 3% sobre cada empenho pago pela Prefeitura à empresa fornecedora.
Na mesma manhã, o GAECO deflagrou a Operação Sentinela, que mira a Dispensa de Licitação para vigilância armada e desarmada em escolas, contratada em caráter emergencial após o ataque à Creche Cantinho Bom Pastor. As duas operações se somam à Operação Carga Oca, deflagrada em 2025, que apurou propina paga a servidores para liberação de obras.
Os procedimentos tramitam sob sigilo. Conforme o MPSC, novas informações poderão ser divulgadas com a publicidade dos autos.






















