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Lula reage à ofensiva dos EUA e avisa que quem tentar interferir na eleição “vai apanhar muito”

Na convenção do PT paulista que oficializou Fernando Haddad ao governo de São Paulo, o presidente disse que o destino do País será decidido por 157 milhões de eleitores. A fala veio horas depois de o governo brasileiro negar visto a dois funcionários do Departamento de Estado que viriam questionar as urnas.

Lula reage à ofensiva dos EUA e avisa que quem tentar interferir na eleição “vai apanhar muito”
Foto: Reprodução
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O palanque era da convenção estadual do PT em São Paulo, montado para oficializar Fernando Haddad como candidato ao governo paulista. Mas foi de lá, neste sábado, que o presidente Lula escolheu responder à tentativa do governo americano de colocar em dúvida a eleição brasileira. Sem citar nominalmente Donald Trump ou o secretário de Estado Marco Rubio, ele avisou que qualquer governo estrangeiro que tentar interferir no pleito de outubro “vai apanhar muito” nas urnas.

“Que não venha ninguém de fora querer meter o dedo na nossa eleição”, disse o presidente, antes de completar que quem vier de fora se meter nas eleições brasileiras já está avisado. Na sequência, cravou o número: “Quem vai decidir o destino desse País são 157 milhões de eleitores. Quem vai definir o destino de São Paulo são os eleitores de São Paulo.”

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Integrantes barradados

A fala veio poucas horas depois de vir à tona que o governo brasileiro negou os pedidos de visto de dois integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos que pretendiam desembarcar em Brasília para questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro. A delegação seria formada por Riley M. Barnes, secretário adjunto, e Samuel Samson, subsecretário adjunto da pasta.

Os pedidos de visto deram entrada no dia 20 de julho. Segundo autoridades em Brasília, os dois enviados informaram que se reuniriam com o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e com “autoridades eleitorais”. O indeferimento foi comunicado ao governo americano no fim desta semana. Na avaliação do Planalto, a missão representava tentativa de influenciar o resultado da eleição presidencial marcada para 4 de outubro.

No Palácio do Planalto, a leitura é que o envio de representantes oficiais para pôr em dúvida o sistema de votação elevou o conflito a outro patamar. Até aqui, a narrativa contra as urnas circulava em declarações de autoridades americanas e de aliados do bolsonarismo. Transformá-la em iniciativa institucional, com agenda oficial em Brasília durante o processo eleitoral, foi entendido como ingerência direta. O governo decidiu barrar a comitiva antes mesmo do embarque.

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“O Brasil é soberano. O Brasil quer manter relações com todos os países do mundo. O Brasil não quer guerra. O Brasil quer paz”

Ainda no discurso da convenção, Lula tratou o tema como questão de soberania e tentou separar o gesto de qualquer clima de rompimento, acrescentando que o País não quer ódio nem “fazer futrica”, e sim trabalhar e viver decentemente.

Do tarifaço às urnas

A escalada não começou esta semana. Desde o anúncio do novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros, integrantes do governo Trump passaram a combinar pressão comercial com ataques às instituições do País. Marco Rubio se tornou o principal porta-voz dessa ofensiva, com declarações sucessivas sobre o processo eleitoral, o Supremo Tribunal Federal e a atuação da Justiça Eleitoral, além do anúncio de restrições de visto a autoridades brasileiras.

O pano de fundo imediato é a reabertura da desconfiança sobre as urnas eletrônicas. No dia 21 de julho, em evento com embaixadores, cônsules e representantes diplomáticos de mais de 40 países em Brasília, Flávio Bolsonaro afirmou que parte das máquinas usadas nas eleições brasileiras teria a mesma origem da empresa venezuelana Smartmatic e pediu aos diplomatas que enviem o maior número possível de observadores estrangeiros.

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O Tribunal Superior Eleitoral desmentiu. Com autorização do ministro Kassio Nunes Marques, a corte voltou a divulgar a nota em que afirma que a empresa “não forneceu nem fornece urnas eletrônicas para as eleições brasileiras, tampouco trabalhou na programação desses aparelhos”. Segundo o tribunal, a atuação da companhia se limitou a treinamento de profissionais de suporte e a contratos de conexão de dados e voz. Ela chegou a disputar a licitação das urnas de 2020 e perdeu para a brasileira Positivo.

Depois da repercussão, a pré-campanha do senador divulgou nota reafirmando “integral confiança no sistema eleitoral brasileiro” e defendendo o estímulo às missões internacionais de observação. No dia 22, a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, protocolou representação no TSE pedindo multa de R$ 30 mil ao parlamentar.

O precedente de 2022

O roteiro tem precedente. Em 2023, o TSE declarou Jair Bolsonaro inelegível por abuso de poder político justamente por causa de uma reunião com embaixadores realizada em julho de 2022, na qual o então presidente atacou a segurança das urnas diante do corpo diplomático.

A observação internacional do pleito, por sua vez, segue encaminhada dentro das regras. Organização dos Estados Americanos, União Interamericana de Organismos Eleitorais e a rede eleitoral da CPLP já confirmaram presença em outubro, e o presidente do TSE decidiu convidar a União Europeia para enviar uma missão oficial, o que seria inédito em eleição brasileira.

Até o momento, o Departamento de Estado não se manifestou publicamente sobre a recusa dos vistos. A eleição presidencial está marcada para 4 de outubro.

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