O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta sexta-feira (26), em Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina, que o Brasil precisa estar preparado para se defender e não ser “pego de surpresa” em um mundo que classificou como instável. A declaração foi dada durante a cerimônia de lançamento e batismo da fragata Cunha Moreira (F202), terceiro navio da Classe Tamandaré construído no estaleiro TKMS Estaleiro Brasil Sul.
“Ninguém respeita quem não se respeita. Se nós, do Brasil, não nos respeitarmos, quem é que vai nos respeitar?”, afirmou o presidente. Lula disse que tem repetido aos comandantes das Forças Armadas a necessidade de construir um “projeto estratégico” de defesa, sustentado por investimento contínuo.
“A gente vai ter que ter dinheiro para colocar esse projeto em andamento. Para que as pessoas saibam que nós não queremos briga com ninguém, não queremos invadir ninguém, não queremos guerra com ninguém. Mas que estaremos preparados para defender os nossos 8,5 milhões de quilômetros quadrados e 215 milhões de habitantes”, declarou.
ASSISTA AO VÍDEO
O presidente afirmou que, pela primeira vez, a questão da defesa fará parte do seu programa de governo. “Pela primeira vez eu vou colocar a questão da defesa num programa de governo, para a gente poder assumir compromisso público sobre que tipo de defesa a gente vai querer nesse país”, disse, em referência ao ministro da Defesa, José Múcio.
Lula relembrou que foi constituinte e votou pela não proliferação de armas nucleares, sob o argumento de que as potências que as possuíam iriam desativá-las. “Alguém desativou? De lá pra cá o Paquistão se armou, a Coreia do Norte se armou, a China se armou, os Estados Unidos continuam fabricando cada vez mais. E nós, até outro dia, com a nossa indústria de defesa praticamente quebrada”, criticou.
Para ilustrar a imprevisibilidade do cenário internacional, o presidente recorreu à história e ao momento atual. “Eu não quero guerra, mas também não quero ser pego de surpresa. Está cheio de nego maluco no mundo. Agora mesmo o presidente americano quer tomar o Canadá, quer que vire estado dele; quer tomar o Canal do Panamá. Onde é que nós estamos?”, questionou.
Lula lembrou ainda que, logo após tomar posse, em 2023, sua primeira reunião foi com os três comandantes das Forças Armadas, o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro José Múcio, o presidente do BNDES e a área de ciência e tecnologia, justamente para discutir o fortalecimento da indústria de defesa nacional.
Ao encerrar, o presidente disse que o lançamento da fragata representa mais do que um avanço tecnológico. “Eu quero que vocês saibam que isso aqui, pra mim, não é um navio, não é um monte de ferro com produto tecnológico de primeira linha. Isso é o começo de um país que vai assumir, de fato e de direito, o direito de ser soberano e tomar conta do seu próprio nariz”, afirmou.























