O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu nesta sexta-feira, 29 de maio, pela primeira vez à decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em discurso durante um evento da Petrobras em Sergipe, o petista disse estar “muito triste” com o anúncio e usou boa parte da fala para atacar o governo de Donald Trump e a família Bolsonaro.
A declaração foi dada durante a cerimônia de anúncio de mais de R$ 72,5 bilhões em investimentos da estatal no estado. “Estou muito triste hoje, com a notícia de que o secretário dos Estados Unidos da América do Norte, um tal de Marco Rubio, disse que os nossos criminosos aqui são terroristas e que os americanos podem fazer intervenção”, afirmou o presidente.
Lula reconheceu que as facções são terroristas para as comunidades brasileiras, mas rejeitou o enquadramento feito pelos norte-americanos. Segundo ele, o CV e o PCC “incomodam as famílias, o bairro, as cidades” e “roubam tudo do povo”, e por isso serão combatidos dentro do próprio país. O presidente afirmou ainda que o Brasil não aceita ser tratado “como moleques” nem como uma “republiqueta”.
ASSISTA AO VÍDEO
“O Trump quer um Osama Bin Laden”
Ao diferenciar o que entende por terrorismo, Lula afirmou que a classificação americana não se aplica ao caso brasileiro. “Eles não são os terroristas que o Trump quer. O Trump quer um Osama Bin Laden. E nós queremos os terroristas brasileiros que estão lá”, declarou. O presidente também afirmou que parte das armas clandestinas apreendidas no Brasil tem origem nos Estados Unidos.
Na sequência, Lula cobrou que o governo norte-americano devolva criminosos brasileiros foragidos. Ele citou o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem, condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão por participação em tentativa de golpe, e o empresário Ricardo Magro, que comanda a Refit e é alvo de operações da Polícia Federal. “Quer combater o crime organizado? Entregue os nossos que estão lá nos Estados Unidos”, disse.
Ataque a Flávio Bolsonaro
O alvo principal do discurso foi o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, que se reuniu com Trump na Casa Branca na terça-feira, 26, e comemorou a decisão dos Estados Unidos. Lula acusou o parlamentar de pedir intervenção estrangeira contra o próprio país.
Não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria e pedir aos Estados Unidos intervenção americana no Brasil. Joaquim Silvério dos Reis ficaria envergonhado.
O presidente afirmou ainda que, se Flávio tivesse ido aos Estados Unidos pedir a prisão de milicianos, “ficaria preso lá”. Minutos antes da fala de Lula, o Palácio do Planalto havia divulgado uma nota oficial em que classifica como “deplorável” o fato de integrantes da família Bolsonaro viajarem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira, e chama esses integrantes de “falsos patriotas”.
Na mesma nota, o governo alertou que a medida americana pode abrir precedente para interferência externa, enfraquecer o compartilhamento de informações entre as polícias e até afetar inovações nacionais como o PIX. A classificação do PCC e do CV como organizações terroristas, anunciada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, está prevista para entrar em vigor em 5 de junho. Até o momento, não havia manifestação oficial do senador Flávio Bolsonaro sobre as críticas feitas pelo presidente.

























