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Lula associa Flávio Bolsonaro a tarifaço dos EUA e dispara: “por menos, gente já foi pra forca”

Durante discurso em Catalão (GO), presidente comparou atuação do clã Bolsonaro junto ao governo Trump à traição de Joaquim Silvério dos Reis na Inconfidência Mineira e chamou filhos do ex-presidente de "vendilhões da pátria"

Lula associa Flávio Bolsonaro a tarifaço dos EUA e dispara: “por menos, gente já foi pra forca”
Foto: Reprodução
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez nesta terça-feira (2) um dos discursos mais duros contra a família Bolsonaro desde o início do terceiro mandato. Durante agenda em Catalão, no sudeste de Goiás, o petista associou diretamente a nova ameaça de tarifaço de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros à articulação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) junto ao governo Donald Trump e comparou a atuação do pré-candidato à Presidência à traição histórica de Joaquim Silvério dos Reis, responsável por entregar os inconfidentes à Coroa portuguesa.

“Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele e são, na verdade, vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. São traidores”, declarou Lula.

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A fala que mais repercutiu veio na sequência: “Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado. O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso país? Pensem, meditem”, disparou o presidente.

Os ataques de Lula e o tarifaço

As declarações de Lula ocorreram horas após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) recomendar a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre bens brasileiros, com base na investigação da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A proposta ainda depende de decisão de Trump.

Conforme o presidente, a recomendação do USTR veio na esteira de uma visita de membros da família Bolsonaro ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, em Washington. Segundo Lula, a articulação teve o objetivo de prejudicar seu governo às vésperas das eleições de outubro.

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“Ele foi dizer: ‘Arregaça o Lula, Trump. Dá porrada no Lula’. Imbecil. Ele não sabe que não vai prejudicar o Lula, vai prejudicar o povo brasileiro, vai prejudicar os empresários brasileiros, vai prejudicar o agronegócio nosso”, afirmou.

“Obrigado, Trump”

Durante o discurso, Lula relembrou que, em julho de 2025, quando Trump anunciou a sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, Flávio Bolsonaro publicou nas redes sociais a mensagem “Obrigado, Trump! Faça o Brasil livre de novo”. O presidente disse que o senador, nesta terça-feira, tentou negar as declarações em entrevista à televisão.

“Todo covarde é assim, fala a merda que fala, depois não tem coragem de assumir o que fala, fica tentando mentir”, declarou Lula, que classificou a família Bolsonaro como “a pior espécie de ser humano que esse país já produziu” e se referiu ao clã como “família metralha”.

Mais cedo, Flávio Bolsonaro afirmou ter pedido diretamente a Trump, ao vice-presidente J.D. Vance e a Marco Rubio que não impusessem tarifas sobre empresas brasileiras. O senador disse que a medida seria uma retaliação contra o governo Lula.

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A reunião com Trump

Lula também detalhou a reunião de três horas que teve com Trump em maio. Segundo o presidente, ele entregou quatro documentos ao republicano, incluindo dados que comprovariam que os Estados Unidos mantêm superávit comercial com o Brasil. Conforme Lula, o superávit americano nos últimos 15 anos ultrapassa US$ 415 bilhões entre produtos e serviços.

O presidente relatou que houve divergência entre os ministros do comércio dos dois países e que ficou acordado um prazo de 30 dias para que as equipes técnicas avaliassem os dados. Segundo Lula, até o momento já houve três rodadas de conversas sem acordo.

Sobre Rubio, o presidente foi direto: “Eu já disse ao Trump que ele não gosta do Brasil”, afirmou, chamando o secretário de Estado de “anti-América Latina” e “inimigo mortal de Cuba e de vários países latino-americanos”.

O que está em jogo

A recomendação do USTR foi anunciada na noite de segunda-feira (1º), após a conclusão de uma investigação aberta em julho de 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O órgão americano concluiu que práticas brasileiras em áreas como comércio digital, Pix, propriedade intelectual, combate à corrupção, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal são “irrazoáveis” e prejudicam empresas dos EUA.

A tarifa proposta é de 25% sobre bens brasileiros, mas prevê uma lista de exceções que inclui categorias de carnes, café, frutas, fertilizantes, produtos farmacêuticos, terras raras e aeronaves. Interessados podem solicitar participação na audiência pública até 22 de junho. Comentários por escrito devem ser enviados até 1º de julho. A audiência pública está marcada para 6 de julho. O prazo legal para que Trump decida pela adoção ou não da medida expira em 15 de julho de 2026.

No mesmo discurso, como contraponto ao cenário de tensão com os EUA, Lula destacou que a China reconheceu nesta terça-feira o Brasil como país livre da febre aftosa, o que abre caminho para a ampliação das exportações de carne ao mercado chinês.

A agenda de Lula em Catalão incluiu a inauguração do novo campus do Instituto Federal Goiano (IF Goiano), com investimento de R$ 6,5 milhões do Novo PAC, e do Hospital Universitário da Universidade Federal de Catalão (UFCAT), com R$ 27 milhões em recursos do Ministério da Saúde e capacidade de atender cerca de 1,5 milhão de pessoas na região.

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