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“Jorginho não é Deus”: Goetten rebate João Rodrigues sobre El Niño e a barragem do Alto Vale

Deputado federal Jorge Goetten (Republicanos-SC) defendeu o governador Jorginho Mello no episódio da barragem José Boiteux, rebateu o prefeito João Rodrigues sobre o El Niño e projetou o governador como presidenciável em 2030.

“Jorginho não é Deus”: Goetten rebate João Rodrigues sobre El Niño e a barragem do Alto Vale
Foto: Reprodução
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Cercado por manifestantes que cantavam e o empurravam durante uma visita à barragem José Boiteux, o governador Jorginho Mello se recusou a encerrar a entrevista e, em determinado momento, teria perguntado a uma liderança indígena se ela “queria ir à merda”. O episódio na maior barragem de Santa Catarina virou munição eleitoral, e coube ao deputado federal Jorge Goetten (Republicanos-SC) sair em defesa do aliado.

Em entrevista ao Jornal Razão, Goetten, licenciado da presidência estadual do partido e de olho na reeleição, tratou a fala do governador como o desabafo de quem “defende mais de um milhão de pessoas” contra enchentes. Na mesma conversa, ele rebateu o prefeito João Rodrigues, para quem a culpa de um eventual desastre do El Niño seria de Jorginho, classificou os atos de 8 de janeiro como coisa de “pessoas ingênuas”, projetou o governador como presidenciável em 2030 e apontou “oito delações em andamento” como o fator capaz de virar a eleição.

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A barragem e o “vá à merda”

O ponto mais sensível da conversa foi o embate na barragem José Boiteux. O governador dava entrevista quando foi cercado por manifestantes, e se recusou a interromper a fala. As reivindicações apresentadas, segundo o apurado, não seriam as do acordo firmado por volta de 2014 e 2015, ignorado por mais de dez anos.

Goetten defendeu Jorginho enfaticamente. Para ele, o governador não perdeu a paciência com a liderança indígena, mas com a possibilidade de a barragem ser impedida de operar, o que colocaria em risco moradores de Ibirama até a foz do Itajaí.

Ele não perdeu a paciência com ela. Ele perdeu a paciência porque tá defendendo mais de um milhão de pessoas.

O deputado afirmou que Jorginho é “super educado e gentil”, mas que “o cara perde a estribeira” quando é impedido de trabalhar. Na versão dele, o governador teria entregado à comunidade muito mais do que o acordado, dobrando o número de casas, de 20 para 40, além de estrada, ponte, igrejas e campo de futebol, obras que atribuiu mais à União do que ao estado.

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“Jorginho não é Deus”

Morador do Alto Vale, Goetten se apresentou como, “com certeza, o político brasileiro mais atingido por enchentes”, tendo enfrentado mais de 18 cheias acima de nove metros desde 1983, quando tinha 21 anos. Ele mantém uma lanchonete no Calçadão e imóveis em Rio do Sul. Nesse cenário, sustentou que “ninguém entregou tanto quanto Jorginho” em prevenção, citando a dragagem, a barragem de Ituporanga a 100%, a reforma da José Boiteux e obras em Rio do Sul, Rio do Oeste e Taió, ainda que reconhecendo que “não deu tempo” de concluir todos os trechos.

Confrontado com a afirmação do prefeito João Rodrigues de que, em caso de enchente no El Niño, “a culpa é do Jorginho Mello”, o deputado classificou a fala como “bobagem” dita “pelo calor eleitoral”. Lembrou que Rodrigues já participou do governo Colombo e teria feito “menos de 10%” do que Jorginho. E disparou, com ironia:

Jorginho não é Deus. Só Deus que sabe quando vai chover.

Goetten disse não saber que o prefeito imaginava o governador como “um ser celeste”, capaz de barrar o El Niño na fronteira do estado. Ele ressalvou que os eventos climáticos serão “cada vez mais frequentes e intensos” e que há responsabilidade humana nas enchentes, projetando para uma eventual gestão de oito anos as barragens de Mirim Doce, Taió, José Boiteux e Botuverá, além das dragagens do rio Itajaí-Mirim até Brusque, Botuverá e Guabiruba.

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Da presidência do partido ao foco na campanha

Goetten abriu a conversa explicando por que se afastou do comando estadual do Republicanos. Segundo ele, a legenda ficou “em boas mãos” com a prefeita Carmem, que assumiu a presidência, e o afastamento traria mais imparcialidade ao partido. A licença, disse, permite concentrar-se tanto na pré-campanha da reeleição quanto no mandato, no qual atua como relator de um projeto que considera estratégico: a atualização do limite do MEI e da micro e pequena empresa, ligada ao Simples. Para defendê-lo, contou ter rodado o país em seminários, passando, só nos dias anteriores à entrevista, por São Paulo, Salvador e Feira de Santana.

Provocado a definir o que é “ser republicano”, o deputado admitiu não ter lido os estatutos dos partidos pelos quais passou, citando o PL, onde ficou muito tempo, e o PP, por período curto. Na leitura dele, ser republicano é ser “uma pessoa correta”, que paga impostos, honra compromissos e participa da comunidade. Ele afirmou ter sugerido ao presidente da Câmara, Hugo Motta, e a Arthur Lira a criação de uma “tribuna do centro”, porque hoje o discurso seria feito “só pra bolha”.

8 de janeiro: “pessoas ingênuas”

Goetten afirmou ter se posicionado, desde o início do mandato, contra bloqueios, contra a CPI do 8 de janeiro e contra o que chamou de “quebradeira” na diplomação do presidente eleito. Questionado diretamente se aquilo teria sido “tentativa de golpe ou quebradeira”, ele evitou a primeira classificação.

Na versão do deputado, os envolvidos foram “pessoas ingênuas” que imaginaram poder mudar o resultado por acreditarem que a urna não era “eficiente” nem “justa”. Ele defendeu o perdão e a dosimetria aprovada.

Eu não vejo culpa nenhuma; eu vejo a ingenuidade, que foram induzidas.

“Má vontade” do governo Lula com Santa Catarina

Sobre os quase quatro anos de governo Lula, Goetten sustentou haver “má vontade” do governo federal com o estado, que produziria muito e receberia pouco de volta. “Todos os estados querem ser Santa Catarina”, afirmou. Confrontado com a narrativa petista de que Bolsonaro “vinha fazer motociata e jet ski” enquanto Lula “vem entregar obra”, disse não ter acompanhado a relação entre a gestão estadual anterior e Brasília, mas emendou que, se não houve entrega, talvez o governo da época “não tenha pedido”. Já a gestão de Jorginho, segundo ele, “vai buscar recursos” e mantém secretários em Brasília.

As delações e o “barco” da direita

Goetten admitiu que a direita vem criando dificuldades para o próprio campo. Usando um ditado que atribuiu ao Mato Grosso, disse que “a família tá fazendo força pra afundar o barco” e defendeu a união em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro ao governo, que apresentou como “o candidato do governador Jorginho”.

O barco só afunda com a água de dentro, nunca com a água de fora.

Ele apontou como fator decisivo o volume de delações em curso: o que eram “seis” já teria chegado a “oito”, incluindo as do INSS, da “carbono oculto” e do caso Vorcaro. Para Goetten, o ministro André Mendonça, relator dos casos do INSS e do “master”, terá “peso muito grande” e vai “influenciar” o pleito conforme avançarem as investigações. Sobre a delação de Vorcaro e a camisa “o Pix é do Bolsonaro e o master é do Lula” usada por Flávio em Santa Catarina, argumentou que acusações de corrupção “não pegam mais” em Lula, mas afetariam mais um novo candidato ligado a “gente de esquema”, porque uma “fumacinha”, com bom marketing, “pode virar um incêndio”.

Jorginho presidenciável: “Santa Catarina tá ficando pequena”

Goetten disse querer trabalhar “muito” pela reeleição de Jorginho ou, mais do que pela pessoa, pela continuidade do “modelo de gestão”, citando a ViaMar, a universidade gratuita e as estradas rurais. A partir de 2027, avaliou, esse modelo “tem que ser mostrado pro Brasil todo”, e o governador “vai se tornar um nome nacional”.

O deputado chegou a projetar Jorginho como pré-candidato à Presidência em 2030, lembrando que Esperidião Amin já foi candidato pelo estado, mas que o atual governador estaria “muito mais preparado”.

Santa Catarina tá ficando pequena pro Jorginho.

Ele não escondeu que Tarcísio de Freitas era seu preferido para a Presidência e contou ter defendido, numa reunião do Republicanos em São Paulo, que o governador paulista se licenciasse para “ficar apto” a disputar o Planalto caso “desse uma zebra”. Diante da constatação de que Tarcísio já não pode ser candidato a presidente neste ciclo, tratou o tema como capítulo encerrado e projetou o paulista para uma reeleição “tranquila” em São Paulo, mantendo a esperança em 2030.

Nas considerações finais, Goetten resumiu seu método na política com uma frase que atribuiu ao Papa Francisco: “Ou você aposta no diálogo e no encontro, ou todos perdem.” O Jornal Razão encerrou dizendo pretender ser a “mesa do centro” do jornalismo catarinense e propôs futuros debates reunindo mais parlamentares.

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