Logo Jornal Razão
Publicidade

Jogo do Brasil vira polêmica em Brusque após prefeito não dispensar servidores da saúde e educação

Prefeitura liberou o setor administrativo mais cedo na tarde do jogo do Brasil e manteve saúde e educação em expediente. Servidores falam em "dois pesos e duas medidas" e o prefeito rebate, dizendo que todos podem assistir à partida no trabalho.

Jogo do Brasil vira polêmica em Brusque após prefeito não dispensar servidores da saúde e educação
Foto: Reprodução
Publicidade

A liberação de servidores municipais para assistir ao jogo do Brasil pela Copa do Mundo, marcado para a tarde de segunda-feira, virou motivo de atrito em Brusque. Depois que a Prefeitura definiu quais categorias poderiam parar e quais seguiriam trabalhando no horário da partida, profissionais da educação e da saúde manifestaram insatisfação nas redes sociais, e o prefeito respondeu publicamente, defendendo a decisão.

Segundo os servidores, o desconforto não tem relação com a obrigação de trabalhar. O ponto central das reclamações é o tratamento diferente entre as categorias. Para eles, o problema está no fato de o setor administrativo ter sido liberado mais cedo enquanto saúde e educação foram mantidas em funcionamento, mesmo com boa parte das empresas privadas dispensando funcionários para acompanhar o jogo. A expressão “dois pesos e duas medidas” se repetiu em diversos comentários.

Publicidade

Profissionais da educação afirmaram que já acompanharam outros jogos de Copa do Mundo junto com os alunos sem que isso gerasse qualquer revolta, e que a indignação atual nasceu da forma como a situação foi conduzida. Servidores relataram que a orientação teria sido comunicada e, em seguida, alterada no mesmo dia, sem tempo para a organização das famílias, das escolas e dos próprios profissionais. Monitoras e professoras também apontaram uma contradição prática na sugestão de assistir ao jogo no ambiente de trabalho, lembrando que nem toda unidade de saúde e nem todo centro de educação infantil dispõe de televisão ou acesso para transmitir a partida.

ASSISTA AO VÍDEO

Capa do vídeo do YouTube

Memória da Copa

Parte das manifestações trouxe ainda a questão da memória afetiva ligada à Copa. Em comentários, moradores lamentaram que crianças e profissionais deixem de viver o jogo em casa, ao lado da família, como recordação de infância.

“As memórias que temos de jogos da Copa assistindo em casa com a família, tenho pena dessa geração que todas as memórias que vão ter é na escola.”

Outros defenderam o ponto de vista oposto, argumentando que a responsabilidade pelos filhos é das famílias e que a escola não substitui esse papel, lembrando que, durante as férias, a rotina dos pais segue sem a estrutura escolar.

Publicidade

Outro argumento levantado pelos servidores foi o da pandemia. Profissionais da saúde e da educação destacaram terem estado na linha de frente durante aquele período e questionaram o que classificaram como falta de reconhecimento. Para parte deles, o episódio expõe um sentimento de injustiça relacionado à diferença de tratamento entre quem ocupa funções administrativas e quem atua nos serviços considerados essenciais.

A resposta do prefeito

O prefeito de Brusque rebateu as críticas e afirmou que a decisão foi tomada com base no interesse público. Ele explicou que entrou em contato com lideranças empresariais e que a maioria das empresas, no comércio e na indústria, manteria as atividades, permitindo que os funcionários assistissem ao jogo no próprio local de trabalho. A mesma lógica, segundo ele, foi aplicada ao funcionalismo: todos os servidores, inclusive os da saúde e da educação, estariam autorizados a parar para acompanhar a partida, salvo casos de urgência e emergência no atendimento.

Sobre a manutenção das aulas no período da tarde, o prefeito argumentou que o cancelamento prejudicaria milhares de famílias que não teriam onde deixar os filhos e precisariam faltar ao trabalho. Ele afirmou ainda que o setor administrativo passaria a cumprir expediente das 7h às 13h, com uma hora a mais de trabalho, e que se trata de uma rotina que permite remanejamento, diferente da realidade de saúde e educação. O prefeito também classificou a partida como um jogo de fase inicial, e não a final da Copa, pedindo bom senso na discussão.

Ao responder quem questionava onde ele próprio acompanharia o jogo, o prefeito disse que pretende ir a uma das escolas da rede assistir à partida ao lado de professores e alunos, já que esses profissionais estarão em expediente. Em sua manifestação, ele resumiu sua posição.

Receba as notícias no WhatsAppEntrar
Publicidade
Publicidade
Grupo de WhatsApp · Tempo real

Santa Catarina no seu WhatsApp

Entre no grupo oficial do Jornal Razão. As principais manchetes do dia, direto no seu aparelho. Sem spam.

Entrar no grupo
+48 mil catarinenses já acompanham