A liberação de servidores municipais para assistir ao jogo do Brasil pela Copa do Mundo, marcado para a tarde de segunda-feira, virou motivo de atrito em Brusque. Depois que a Prefeitura definiu quais categorias poderiam parar e quais seguiriam trabalhando no horário da partida, profissionais da educação e da saúde manifestaram insatisfação nas redes sociais, e o prefeito respondeu publicamente, defendendo a decisão.
Segundo os servidores, o desconforto não tem relação com a obrigação de trabalhar. O ponto central das reclamações é o tratamento diferente entre as categorias. Para eles, o problema está no fato de o setor administrativo ter sido liberado mais cedo enquanto saúde e educação foram mantidas em funcionamento, mesmo com boa parte das empresas privadas dispensando funcionários para acompanhar o jogo. A expressão “dois pesos e duas medidas” se repetiu em diversos comentários.
Profissionais da educação afirmaram que já acompanharam outros jogos de Copa do Mundo junto com os alunos sem que isso gerasse qualquer revolta, e que a indignação atual nasceu da forma como a situação foi conduzida. Servidores relataram que a orientação teria sido comunicada e, em seguida, alterada no mesmo dia, sem tempo para a organização das famílias, das escolas e dos próprios profissionais. Monitoras e professoras também apontaram uma contradição prática na sugestão de assistir ao jogo no ambiente de trabalho, lembrando que nem toda unidade de saúde e nem todo centro de educação infantil dispõe de televisão ou acesso para transmitir a partida.
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Memória da Copa
Parte das manifestações trouxe ainda a questão da memória afetiva ligada à Copa. Em comentários, moradores lamentaram que crianças e profissionais deixem de viver o jogo em casa, ao lado da família, como recordação de infância.
“As memórias que temos de jogos da Copa assistindo em casa com a família, tenho pena dessa geração que todas as memórias que vão ter é na escola.”
Outros defenderam o ponto de vista oposto, argumentando que a responsabilidade pelos filhos é das famílias e que a escola não substitui esse papel, lembrando que, durante as férias, a rotina dos pais segue sem a estrutura escolar.
Outro argumento levantado pelos servidores foi o da pandemia. Profissionais da saúde e da educação destacaram terem estado na linha de frente durante aquele período e questionaram o que classificaram como falta de reconhecimento. Para parte deles, o episódio expõe um sentimento de injustiça relacionado à diferença de tratamento entre quem ocupa funções administrativas e quem atua nos serviços considerados essenciais.
A resposta do prefeito
O prefeito de Brusque rebateu as críticas e afirmou que a decisão foi tomada com base no interesse público. Ele explicou que entrou em contato com lideranças empresariais e que a maioria das empresas, no comércio e na indústria, manteria as atividades, permitindo que os funcionários assistissem ao jogo no próprio local de trabalho. A mesma lógica, segundo ele, foi aplicada ao funcionalismo: todos os servidores, inclusive os da saúde e da educação, estariam autorizados a parar para acompanhar a partida, salvo casos de urgência e emergência no atendimento.
Sobre a manutenção das aulas no período da tarde, o prefeito argumentou que o cancelamento prejudicaria milhares de famílias que não teriam onde deixar os filhos e precisariam faltar ao trabalho. Ele afirmou ainda que o setor administrativo passaria a cumprir expediente das 7h às 13h, com uma hora a mais de trabalho, e que se trata de uma rotina que permite remanejamento, diferente da realidade de saúde e educação. O prefeito também classificou a partida como um jogo de fase inicial, e não a final da Copa, pedindo bom senso na discussão.
Ao responder quem questionava onde ele próprio acompanharia o jogo, o prefeito disse que pretende ir a uma das escolas da rede assistir à partida ao lado de professores e alunos, já que esses profissionais estarão em expediente. Em sua manifestação, ele resumiu sua posição.

























