Logo Jornal Razão
Publicidade

João Rodrigues chama ViaMar de ilusão e desafia Jorginho Mello a mostrar a obra

Em entrevista ao Jornal Razão, o pré-candidato ao governo propôs inspeção conjunta na obra em setembro, disse que os R$ 10 milhões do Molhe de Tijucas estão “na palavra, não no caixa” e acusou Jorginho Mello de ruptura institucional com Brasília. Amin classificou a BR-101 na letra F.

João Rodrigues chama ViaMar de ilusão e desafia Jorginho Mello a mostrar a obra
Foto: Reprodução
Publicidade

A caravana que o grupo batizou de “Caravana da Vitória” passou por Tijucas e o estúdio do Jornal Razão virou palco de uma entrevista tensa, em que o pré-candidato ao governo de Santa Catarina João Rodrigues transformou a promessa da ViaMar em desafio público, tratou os R$ 10 milhões prometidos ao Molhe de Tijucas como “palavra” e acusou o governador Jorginho Mello de ter promovido uma ruptura institucional com Brasília. Ao lado dele, os pré-candidatos ao Senado Esperidião Amin e Antídio Lunelli completaram o time de uma chapa que se apresenta como projeto de “governo humanizado”.

O grupo chegou em peso, e o roteiro que percorre o Estado foi batizado pelo próprio grupo de “Caravana da Vitória”. A expressão usada pelo entrevistador, de que a caravana viria para “tomar lá em Floripa a casa do Jorginho”, foi rejeitada de imediato por João Rodrigues, que deixou a prefeitura de Chapecó para disputar o Executivo estadual.

Publicidade

Não seria bem tomar a casa do Jorginho. Nós somos um projeto de Estado, e esse projeto prioriza as pessoas.

A chapa majoritária apresentada reúne João Rodrigues no governo, Esperidião Amin e Antídio Lunelli no Senado e Carlinhos Chiodini como vice. Na definição do pré-candidato, o que propõem é um governo humanizado, expressão que ele detalhou citando habitação popular para o trabalhador, as cento e vinte e seis mil pessoas que, segundo ele, aguardam na fila de cirurgias de alta complexidade, e uma política pública para o idoso asilado, tema que disse ter observado num asilo de Tijucas. Ainda assim, fez questão de ressalvar que não considera a atual gestão “ruim, péssima”: “A política já passou o tempo de você desqualificar o seu adversário”.

O vice prometido ao MDB

Provocado sobre se a mesa existiria caso o MDB tivesse conquistado a vaga de vice na chapa de Jorginho Mello, Antídio Lunelli confirmou a expectativa frustrada. Segundo ele, o partido foi fiel e votou com o governo “no mínimo noventa por cento”, e “sempre foi falado que o MDB seria seu vice”. Lunelli ponderou, porém, que a promessa pode ter sido feita “pra diversos”, e comparou a política a uma nuvem que muda de posição a cada meia hora. Para ele, com João Rodrigues deixando Chapecó para compor a majoritária, “o povo catarinense ganhou, indiscutivelmente”.

Amin sustentou que o alinhamento com o Governo Federal já rende resultado financeiro. Na versão do senador, obras públicas federais que o ex-governador Carlos Moisés pagou com recursos estaduais estão sendo devolvidas em parcelas mensais desde 30 de abril, montante que ele estimou em cerca de meio bilhão de reais. “Foi um governador que entregou o dinheiro, e o outro governador que tá recebendo”, resumiu. Amin afirmou ainda que a aliança só foi possível porque “o PL resolveu fazer uma chapa só do PL”, e cravou que trazer para o Senado um nome que não morava em Santa Catarina foi decisão do próprio governador: “Ele é o comandante. Para as decisões que você aplaude e para as decisões que você questiona”.

Publicidade

“Parece que você é leproso”

Lunelli disse manter amizade pessoal e ter como padrinho político o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas reclamou do sectarismo dentro do próprio campo. “Chegou num momento que parece que se você não for do vinte e dois, você não é mais ninguém, parece que você é leproso”, afirmou, defendendo-se como “homem de direita” e classificando João Rodrigues como “o mais de direita de todos”. Ele condenou tanto a extrema esquerda quanto a extrema direita: “Isso não constrói nada, só destrói”.

Sobre a acusação, comum nas redes, de que PSD, MDB e PP seriam “centrão”, João rebateu que centrão “é aquele que tá isento de tudo”, o que não seria o caso dele. Contou que a mesma militância que o chamava de melhor prefeito do Brasil passou a criticá-lo quando decidiu ser pré-candidato fora do PL: “Não é que eles mudaram a opinião sobre a minha atitude. Passaram a me criticar por eu não estar no partido que eles querem”. Citou o pré-candidato a presidente Ronaldo Caiado como “o candidato de mais direita da história do Brasil” e revelou um episódio que classificou como público: “O Carlos Bolsonaro me ligou perguntando se eu aceitaria ele vir para o meu partido pra ser candidato ao Senado na minha coligação”. Disse ter recusado por já ter aliança fechada com Amin, porque “escolher estar com o Esperidião Amin é opção de escolher andar com a história de Santa Catarina”.

BR-101 na letra F

Amin puxou a conversa para a infraestrutura e disse que a BR-101 tem “a pior qualidade de serviço de transporte rodoviário do país”, justamente numa região preciosa onde, segundo ele, está “o metro quadrado mais caro do Brasil”, já chegando a Tijucas. Numa escala de A a F, foi direto: “A pior qualidade é a nossa. Nós estamos na letra F”. A proposta emergencial que apresentou para o nó entre Porto Belo e Balneário Piçarras é acrescentar duas faixas embaixo e passar todas as conexões por cima, além de um viaduto ao norte de Porto Belo, no rio Santa Luzia, e um contorno viário para Tijucas, item que, afirmou, já constava do acordo que não vingou em 9 de março. O custo, incluindo pontes do rio Itajaí, chegaria a seis bilhões de reais, com o Estado entrando com parte, como diz ter feito na BR-282.

João Rodrigues foi mais duro e transformou a ViaMar em desafio aberto. Segundo ele, o governador anunciou em comício que as máquinas estariam trabalhando em 90 dias, e a resposta veio como convite para inspeção conjunta.

Publicidade

Lá pro dia 20, 25 de setembro, vou com a equipe in loco, onde é a obra da ViaMar, pra que você veja se vai ter obra. Eu duvido que vai ter uma máquina trabalhando pela obra licitada.

Para o pré-candidato, é preciso projeto básico, executivo, desapropriação, estudo geológico e licenças ambientais antes de qualquer pavimento, e prometer entrega imediata seria iludir o cidadão. “Você não pode mexer com o sentimento de um cidadão que tá num sistema colapsado em rodovia”, afirmou, citando caminhoneiros no prejuízo e mortes no trecho. Amin resumiu a meta possível: sair do F, “descer pro E, pro D, quem sabe chegar perto do C”, o que, na expressão do “nosso Mané”, não soluciona, mas “aliveia”.

Como primeiro passo, João disse que, se fosse governador, já teria removido o posto da Polícia Rodoviária Federal na divisa de Itapema, apontado por ele como gargalo. “O motorista, quando vê o posto, ele para. E quando ele para, engarrafa tudo pra trás”, explicou. Para ele, a obrigação da obra é federal, mas o Estado deveria atuar como emissário em Brasília, e criticou o que chama de recusa do governo em dialogar com o Governo Federal: “O dinheiro do povo brasileiro que está em Brasília não é do PT, é do brasileiro”.

El Niño e as barragens paradas

Sobre as cheias e o El Niño, João reformulou uma fala anterior dada ao próprio jornal. Afirmou que a tragédia não é culpa do fenômeno climático, mas da ausência de obras: “A culpa do El Niño não é de governo. O El Niño é uma situação climática. Agora, a falta da obra é o governo que tem a decisão”. Na versão dele, havia obras licitadas e paralisadas, entre elas as de José Boiteux, a barragem de Botuverá com ordem de serviço na casa de cem a cento e dez milhões de reais suspensa, e o canal Extravasor, que sequer teria sido licitado.

Segundo ele, a dragagem apresentada pelo governo em Rio do Sul “não é obra”, e sim limpeza de rio que “pode ajudar como também não”. Acusou o governador de agir na véspera e de ter suspendido convênios do antecessor logo ao assumir. Amin e João lembraram que o Rio Grande do Sul “já tá embaixo d’água”, e o pré-candidato defendeu o meteorologista Peter Schauer, criticado por, segundo ele, ter criado um clima de terror: “Não, ele tá sendo sincero”. Ambos ressalvaram torcer para que a tragédia prevista não se concretize.

Os R$ 10 milhões do Molhe de Tijucas

O caso mais local rendeu o embate mais direto da entrevista. Diante do relato de que o governo entregou a Tijucas a licença ambiental e a promessa de R$ 10 milhões para o Molhe de Tijucas, João rebateu seco: “Não tá no caixa. Tá na palavra. Então não é dinheiro”. Comparou com Chapecó, que teria quarenta milhões conveniados e não pagos há quatro anos, e generalizou que “mais de setenta por cento dos convênios não aconteceram” no atual governo.

Do outro lado da mesa, o entrevistador do Jornal Razão defendeu que, no caso específico do Molhe de Tijucas, a obra andou: a licença saiu pelo IMA e foram empresários da ACIT que contrataram o projeto, um deu dez, outro deu cinco, numa mobilização que, segundo ele, destravou quarenta anos de promessa, já na gestão do atual prefeito. João reconheceu o empenho do prefeito, mas questionou o timing das licenças “bem na véspera do período eleitoral” e ponderou que a conta deveria ser paga pelo Estado, não pelos empresários: “Quem tem quatorze bi no caixa, por que vai pedir pro empresário que já tá massacrado pagar?”. Ainda assim, garantiu: “Nós vamos repassar os dez milhões”.

A aposta no eleitor sem partido

O ponto central da estratégia é acusar o governador de ter promovido uma ruptura institucional com o Governo Federal por rejeição ao PT. João questionou o aplauso a essa postura: “Será que o catarinense de verdade, que paga imposto, que sofre, ele tá aplaudindo uma ruptura institucional?”. E citou governadores de direita que, segundo ele, cobram Brasília normalmente: “Tarcísio de São Paulo, o Ratinho do Paraná, o Caiado, o Mauro Mendes, todos os governadores vão à Brasília cobrar conta”. Diante do argumento de que parte do público aplaude o afastamento, atribuiu isso à bolha das redes sociais e propôs que o jornal fizesse uma enquete sobre o tema com os leitores.

Para sustentar a aposta, apresentou números eleitorais. Afirmou que “setenta por cento do eleitor de Santa Catarina não é partidário”, ainda que majoritariamente de direita, e que ele mesmo teria feito 83% dos votos em Chapecó sem ser do PL. Citou ainda o petista Pedro Cruz que, segundo ele, fez 19 mil votos para deputado federal em 2022 e caiu para 14 mil ao disputar a prefeitura de Chapecó contra ele: “O eleitor não é esquerda e direita, ele vota na empatia. As pessoas confundem esquerda com empatia”. Lunelli endossou, relatando fenômeno semelhante em Jaraguá do Sul: “O nosso nome é acima do partido”.

“Vaca não anda com porco”

Questionado sobre o escândalo do INSS e o financista Daniel Vorcaro, João disse acreditar que o episódio alcançou também Flávio Bolsonaro, sem afirmar crime. “Não tô dizendo que o Flávio cometeu ato ilícito”, ponderou, mas citou um patrocínio a filme sobre a biografia do ex-presidente e notas na ordem de um milhão e meio de reais, das quais quinhentos mil para uma empresa ligada a Vorcaro. A conclusão veio em forma de pergunta: “O Vorcaro se grudou em todos, então quem é que tá mais limpo nisso?”. Sobre uma eventual candidatura de Flávio à Presidência, disse que “não tem mais condições”.

Provocado sobre a frase que viralizou, explicou que “vaca não anda com porco” é ditado popular de interior e que foi, na verdade, uma defesa: “Homens honestos não andam com bandidos. Eu saí em defesa dele, dizendo que o Flávio não anda com o Vorcaro”. Afirmou ter acreditado na família Bolsonaro, ajudado a construir o projeto presidencial como deputado federal, e se disse decepcionado: “Eu convivi lá dentro do Congresso. Não admito que quem trabalhou numa linha de atitude faça diferente daquilo que a gente pregou”.

A retroescavadeira e a prisão

Confrontado sobre a condenação no caso da retroescavadeira, João sustentou tratar-se de absolvição, e não apenas de prescrição. Segundo ele, o voto do relator pedia absolvição por não ter havido dano, dolo nem desvio, mas a sessão teria sido encerrada “pra exigir minha condenação, porque foi uma encomenda”. “E quem é que fez isso? O Alexandre de Moraes, juntamente com o Barroso”, afirmou, acrescentando que o STJ depois reconheceu a ausência de dano. Na descrição dele, o caso se resume à assinatura de um edital em 1999, quando era vice-prefeito de Pinhalzinho, para compra de uma retroescavadeira com dação em pagamento de uma usada, prática hoje comum, mas que à época exigia lei específica: “foi um erro formal no edital”.

O pré-candidato atribuiu a denúncia a perseguição política e narrou um episódio que classificou como macabro, envolvendo o procurador que o incluiu no processo, morto na mesma carceragem da Polícia Federal em Porto Alegre onde ele viria a ser preso. Disse ter sido “o primeiro preso desse negócio”, ter ajudado a liderar o impeachment de Dilma Rousseff e integrado a CPMI da JBS, admitindo excesso: “Confesso que cometi o erro de ser muito duro naquela época”.

Um projeto em família

No fim, João apresentou o que o grupo chama de “Caravana da Vitória” como um projeto em família, liderado pela esposa, Fabiana Mata Rodrigues, ao lado das esposas de Amin e Chiodini. Defendeu que Santa Catarina terá “uma primeira-dama e uma segunda-dama” com atuação social, voltada especialmente a asilos e ao idoso descapitalizado. Questionado se cinco minutos de fala serviam apenas para anunciar uma primeira-dama, corrigiu: “Não, vai ter atitude. Qual é o projeto social do Estado hoje?”.

Esperidião Amin deixou a entrevista antes do fim para cumprir compromisso de agenda, e Carlinhos Chiodini, que seguiria à mesa, acabou não participando por outros compromissos. As eleições estaduais estão marcadas para outubro de 2026, e a promessa de inspeção conjunta na ViaMar ficou de pé para o fim de setembro.

Receba as notícias no WhatsAppEntrar

ASSISTA À ENTREVISTA COMPLETA

Capa do vídeo do YouTube
Publicidade
Publicidade
Grupo de WhatsApp · Tempo real

Santa Catarina no seu WhatsApp

Entre no grupo oficial do Jornal Razão. As principais manchetes do dia, direto no seu aparelho. Sem spam.

Entrar no grupo
+48 mil catarinenses já acompanham