João Rodrigues não amaciou a palavra quando o assunto virou a ViaMar. Em entrevista ao Jornal Razão, o pré-candidato ao governo de Santa Catarina afirmou que a rodovia anunciada pelo governador Jorginho Mello não vai sair do papel no prazo prometido em comício. “Não vai ter obra. Não terá obra”, disparou. A avaliação é do pré-candidato, que faz oposição ao atual governo, e contrasta com o que o próprio governador afirmou ao JR ao defender que a obra “não é conversa mole”.
O centro da divergência é o projeto. Jorginho Mello afirma ter em mãos um projeto de mais de 2 mil páginas para a rodovia, chegando a disponibilizar a íntegra do documento após ser desafiado publicamente. Rodrigues, no entanto, alega que o governo publicou um edital de licitação para contratar empresa que vai elaborar o projeto básico e o projeto executivo da via, e enxerga aí uma contradição. “A pergunta final é, se tem, por que ele está contratando o projeto básico e o projeto executivo? Pagar duplo?”, questionou.
A partir dessa leitura, o pré-candidato parte para o adjetivo, mas ele mesmo reconhece que a palavra é pesada. “A palavra mentir é muito agressiva”, pondera Rodrigues, antes de insistir que, na avaliação dele, o governador tem no máximo um anteprojeto. “Ele insiste em dizer que tem projeto, só ele diz isso. Nem o engenheiro dele fala isso. Nem um profissional de engenharia fala isso”, afirmou. É uma versão dele, contestada pelo governo, que sustenta ter o projeto pronto.
Foi nesse ponto que Rodrigues lançou o desafio que deu o tom da entrevista, uma aposta que ele já vinha repetindo nas últimas semanas. O pré-candidato afirma que um projeto básico e executivo leva no mínimo um ano, e que o processo completo, com licenças ambientais e desapropriações, exigiria pelo menos dois anos até a primeira máquina entrar na pista. Diante da promessa do governador de colocar obras em andamento em 60 dias, ele diz que aposta a própria candidatura: se houver execução baseada em projeto licitado nesse prazo, retira o nome da disputa. Caso contrário, sustenta, quem não deveria concorrer seria Jorginho Mello.
O pré-candidato faz questão de dizer que não é contra a rodovia em si. Classifica a ViaMar como uma obra importante, mas, na visão dele, de horizonte longo, algo a ser planejado para 25 anos, não para um mandato. “É uma obra que nós temos que prospectar para 25 anos”, afirmou, argumentando ser impossível, no seu entendimento, construir 150 quilômetros de rodovia com três pistas em cada sentido em apenas quatro anos de governo.
A outra frente do questionamento é financeira. Rodrigues aponta para a intenção de pedagiar a ViaMar e enxerga aí um problema de viabilidade, já que, no argumento dele, a nova rodovia disputaria tráfego diretamente com a BR-101, hoje pedagiada pela concessionária Arteris. “Quem é que vai colocar 10 bilhões do bolso para executar uma obra para pedagiar e concorrer com a pedagiada?”, provocou, resumindo o impasse como dividir a fome com a vontade de comer. Para ele, a prioridade deveria ser cobrar do Governo Federal a solução dos gargalos que já existem na 101.
Rodrigues encerrou o trecho amarrando a crítica a uma questão de método na política. “Palavra dada, ela precisa ser cumprida”, afirmou, comparando a promessa não cumprida à própria corrupção, por corromper a confiança do eleitor. Como testemunho, apontou a própria gestão à frente da prefeitura de Chapecó.
Do outro lado, o governador Jorginho Mello tem defendido a obra em entrevistas ao próprio JR, negando que a ViaMar seja projeto eleitoreiro e afirmando que Santa Catarina não constrói uma nova estrada estadual há décadas. O embate entre os dois em torno da rodovia se estende por semanas, com desafios públicos e a divulgação do projeto pelo governo. A reportagem segue aberta a posicionamento do Governo do Estado sobre os questionamentos apresentados pelo pré-candidato.

























