O pré-candidato ao governo de Santa Catarina João Rodrigues (PSD) voltou a afirmar que o governador Jorginho Mello (PL) não tem o projeto da Via Mar e elevou o tom do embate, agora apoiado em uma distinção técnica entre anteprojeto e projeto executivo. A nova investida responde à divulgação, pelo governo, do acervo de documentos da obra, apresentado como resposta ao desafio em que o pessedista prometeu renunciar à disputa.
O confronto se arrasta desde o lançamento do edital do primeiro lote da rodovia, projetada para correr paralela à BR-101. Em um primeiro momento, João Rodrigues ironizou o evento de lançamento e, em seguida, afirmou que abandonaria a pré-candidatura se o governador apresentasse o projeto. Jorginho rebateu no Summit Cidades, entregou uma cópia dos documentos a um jornalista e disse, diante de mais de mil pessoas, que ali estava o projeto da obra.
Em novo pronunciamento, João Rodrigues sustentou que o material entregue não é o que ele havia cobrado. Segundo o pré-candidato, o governador apresentou um anteprojeto, e não o projeto executivo, que ele classifica como etapa distinta e mais avançada. “Anteprojeto e projeto têm uma diferença gigantesca”, afirmou, ao lado dos pré-candidatos ao Senado Antidio Lunelli (MDB) e Esperidião Amin (PP).
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“Anteprojeto e projeto”
Na argumentação, os aliados de João Rodrigues detalharam a distinção técnica. De acordo com eles, o anteprojeto é o primeiro passo, uma concepção inicial da obra, enquanto o projeto executivo é a etapa que reúne o licenciamento ambiental, o detalhamento das desapropriações, o estudo de impacto ambiental e os custos, sendo essa fase, na visão do grupo, a que deveria embasar a licitação para reduzir riscos durante a execução.
O pré-candidato também questionou o histórico da gestão estadual com o empreendimento. Segundo ele, o governo recebeu o mandato com uma empresa já contratada para elaborar o anteprojeto, mas teria demorado a dar andamento ao trabalho antes de autorizá-lo. João Rodrigues afirmou ainda que o edital lançado conteria erros e que a obra não teria licenciamento ambiental, criticando a expectativa de início rápido das máquinas como, em suas palavras, uma promessa irreal às vésperas da eleição.
O tom da fala chegou ao ponto mais grave quando o pré-candidato sugeriu irregularidade no processo. Ele questionou por que o governo licitaria novamente o projeto caso ele já estivesse pronto e, nessa linha, levantou a hipótese de irregularidade no procedimento, em afirmação que é de sua responsabilidade e não foi confirmada por instâncias de controle. O governo do Estado, por sua vez, sustenta que a Via Mar é uma licitação integrada, modelo no qual a obra é licitada a partir do anteprojeto, que corresponderia a cerca de 99% do projeto, com os detalhes finais definidos pela empresa vencedora.
O tabuleiro de 2026
A nova rodada de acusações mantém a Via Mar no centro da disputa estadual de 2026, que tende a opor o grupo de João Rodrigues ao bloco que defende a reeleição de Jorginho Mello. A obra, maior empreendimento rodoviário já planejado no Estado, tem investimento total estimado acima de R$ 7 bilhões.
O pré-candidato, que havia condicionado a própria permanência na disputa à apresentação do projeto, agora reformula o desafio ao questionar a natureza dos documentos entregues. Com o edital do primeiro lote publicado, corre o prazo de 90 dias para o recebimento das propostas, período em que o debate sobre a obra deve seguir aquecido.

























