O governo de Santa Catarina disponibilizou a íntegra do projeto de engenharia da Via Mar, um acervo técnico com mais de 2 mil páginas, depois de o pré-candidato ao governo João Rodrigues (PSD) ter desafiado o governador Jorginho Mello (PL) a comprovar a existência dos documentos da obra. O material detalha o Lote 04, primeiro trecho a ser licitado, entre Navegantes e Itajaí.
O embate começou na esteira do lançamento do edital da rodovia. Em discurso num encontro do MDB, João Rodrigues afirmou que renunciaria à pré-candidatura se o governador apresentasse o projeto da obra. Jorginho rebateu no Summit Cidades, em Florianópolis, e entregou uma cópia ao jornalista Upiara, com a publicação agora ampliada ao público geral.
O conjunto de arquivos reúne relatórios, memórias de cálculo, planilhas de orçamento e laudos de sondagem, e pode ser acessado por qualquer pessoa. 👉 Clique aqui para acessar a íntegra do projeto da Via Mar.
Segundo a SECOM do Governo de SC, é importante esclarecer um ponto técnico que costuma gerar confusão no debate político. A SECOM esclarece que a Via Mar é uma licitação integrada, modelo no qual o Estado licita a obra a partir do anteprojeto, que corresponde a cerca de 99% do projeto. Os detalhes finais de execução são definidos pela empresa que vencer a disputa. “Ou seja, ter o anteprojeto pronto é justamente o que permite abrir a licitação”.
O que revela o projeto
Os documentos mostram a dimensão da engenharia envolvida. O Lote 04 tem cerca de 24,6 quilômetros e exigirá pontes duplas sobre rios importantes da região, como o Rio Itajaí-Açu e o Rio Itajaí-Mirim, além de quatro grandes interseções em desnível para conexão com a SC-414, a BR-470, a SC-412 e a SC-486. O cronograma físico prevê 48 meses de execução.
A nova rodovia foi concebida como via expressa, com três faixas de rolamento em cada sentido e sem acessos diretos para propriedades locais, o que prioriza o tráfego rápido. A faixa de domínio será de 100 metros, e a implantação afetará 89 proprietários, somando uma área superior a 3 milhões de metros quadrados em desapropriações.
O maior desafio técnico está no solo. Sondagens revelaram camadas de argila muito mole em profundidades que chegam a quase 27 metros, com resistência quase nula em alguns pontos. Para evitar viadutos excessivamente longos e prazos de espera superiores a dois anos, o projeto adota uma técnica avançada de reforço do terreno, a Consolidação Profunda Radial. A solução permitiu encurtar drasticamente as estruturas: o viaduto da BR-470 caiu de 544 para 128 metros, e o da SC-486, de 416 para 96 metros.
O projeto detalha ainda os cuidados ambientais, com passagens de fauna subterrâneas e aéreas para reconectar a vida silvestre dividida pela rodovia, sistemas reforçados de drenagem para evitar inundações nas propriedades vizinhas e técnicas de paisagismo para conter a erosão dos taludes.
O tabuleiro de 2026
A divulgação dos documentos joga a bola de volta ao campo de João Rodrigues, que condicionou a própria permanência na disputa à apresentação do projeto. A Via Mar, maior obra rodoviária da história do Estado, com investimento total estimado acima de R$ 7 bilhões, tende a seguir como um dos principais temas do confronto eleitoral entre o grupo do pessedista e o bloco que defende a reeleição de Jorginho Mello.
Com o edital do primeiro lote publicado, corre o prazo de 90 dias para o recebimento das propostas e a posterior definição da empresa ou consórcio responsável pela construção. Os lotes seguintes da rodovia devem ser viabilizados por meio de parceria público-privada.























