Os apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que se deslocaram até o entorno do Thyssenkrupp Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí, lamentaram em conversa com a reportagem do Jornal Razão terem ficado do lado de fora da cerimônia de batismo e lançamento ao mar da fragata Cunha Moreira (F202), realizada nesta sexta-feira (26). O evento aconteceu com acesso restrito a convidados, autoridades e credenciados.
“Faz parte da segurança nacional”
Empresário, Diego Toça de Siqueira disse ter ido ao local pelo peso histórico do momento, e não na expectativa de ver o presidente de perto. Para ele, o esquema de segurança montado se justifica pelo tipo de evento, ainda que prive o público de qualquer aproximação com o chefe de Estado.
Pela segurança do Brasil e pela segurança do momento que a gente está vivendo globalmente, acho que isso faz parte da segurança nacional.
Para o Brasil é muito importante proteger a integridade física do presidente e aqui, por mais que pareça um evento público, é um evento de guerra, é uma arma de guerra que está sendo lançada, então por isso faz todo sentido para o presidente ser protegido.
“Chateada, triste”
Já a microempreendedora Claudinéia teve outra leitura. Disse ter saído de casa esperando acompanhar o lançamento da fragata de perto e expressou frustração ao perceber que o público comum não teria acesso à área da cerimônia.
Achei muito importante essa entrega na Marinha, porém nós ficamos para o lado de fora, não conseguimos entrar. Até onde a gente sabe, somente autoridades entraram ali.
Questionada sobre o sentimento de não poder participar do momento, respondeu de forma direta.
Chateada, triste, porque é um evento nacional onde o Estado de Santa Catarina está sendo representado com esse investimento na Marinha. Eu amo o Exército brasileiro, a Marinha, a Aeronáutica. Fiquei muito triste por estar do lado de fora e não poder estar ali acompanhando ao vivo.
Ao ser questionada sobre o que diria ao presidente sobre a organização, Claudinéia apontou para a falta de espaço ao cidadão comum em agendas oficiais.
Nós, como povo brasileiro, gostaríamos de ter mais direito e acesso aos lugares públicos e poder acompanhar de perto a cada evento e estar ali prestando nosso apoio. Brasil é a nossa nação. Somos brasileiros, somos fortes, e que ele fique firme, que vá em frente.
Esvaziamento da recepção
Sobre a baixa adesão de apoiadores no entorno do estaleiro, a microempreendedora atribuiu o esvaziamento à comunicação da agenda e à própria estrutura do evento.
Poucas informações. A mídia está negligenciando talvez algumas informações, por isso muitas pessoas não vieram prestar esse apoio. Também uma falta de organização ao público.
Mesmo reconhecendo que houve divulgação prévia da visita, ela ponderou que muitos desistiram quando perceberam que não conseguiriam entrar.
Teve uma grande demanda de pessoas aqui, mas, não podendo entrar, todos já se deslocaram, foram embora, acabaram desistindo. Mas nós ainda estamos aqui, porque somos brasileiros, estamos juntos, estamos perseverando.
“Fomos barrado”
A dona de casa Vildete também resumiu em poucas palavras o sentimento do grupo que permaneceu na calçada.
Vim para ver a inauguração, para o lançamento. Fomos barrado porque não estava organizado. O público ficou quase todo de fora, só a autoridade entrou, dizem que entrou a autoridade.
Questionada sobre o que achava do fato de os apoiadores terem ficado do lado de fora, foi objetiva.
Precisávamos ter entrado.
A cerimônia transcorreu no interior do estaleiro com a presença de ministros, parlamentares, oficiais da Marinha e empresários do setor naval. Depois do evento, o presidente seguiu para o Porto de Itajaí, onde cumpriu o restante da agenda antes de retornar a Brasília. Em nenhum dos pontos houve contato direto com o público posicionado do lado de fora.
























