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“Tradição ameaçada”: exigência do governo federal quer mudar a fórmula da Linguiça Blumenau e gera revolta em SC

Nova regra reduz o limite de gordura da Linguiça Blumenau de 42% para 30% para se adequar a diretrizes federais. Produto é patrimônio cultural de SC e tem reconhecimento do INPI.

“Tradição ameaçada”: exigência do governo federal quer mudar a fórmula da Linguiça Blumenau e gera revolta em SC
Foto: Reprodução
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Uma das iguarias mais tradicionais de Santa Catarina virou caso político. A receita da Linguiça Blumenau está no centro de uma queda de braço entre a tradição catarinense e uma exigência técnica que tem origem no governo federal, e a discussão já chegou à Assembleia Legislativa do Estado.

O ponto da polêmica é a redução do limite máximo de gordura permitido na composição do produto, que passaria de 42% para 30%. A mudança foi determinada por uma portaria da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária, editada para adequar a norma estadual às diretrizes técnicas do Ministério da Agricultura.

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Uma receita de gerações

Para os produtores, o problema é que esse percentual mais alto de gordura faz parte da identidade da linguiça. A receita foi construída ao longo de gerações por imigrantes alemães no Vale do Itajaí e está diretamente ligada ao processo de defumação e secagem que dá ao produto seu sabor característico. Segundo os fabricantes, mexer no teor de gordura significa descaracterizar a iguaria.

A discussão ganha mais peso porque a Linguiça Blumenau não é um produto qualquer. Ela é reconhecida como patrimônio cultural imaterial de Santa Catarina e possui Indicação Geográfica reconhecida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial desde 2024, selo que consolidou justamente as características históricas, territoriais e físico-químicas originais do produto.

O impasse dos produtores

Na prática, a nova regra cria um conflito normativo. De um lado, há o reconhecimento oficial de uma receita tradicional protegida por lei. De outro, uma exigência técnica que pode obrigar os produtores a alterar essa mesma receita. Se seguirem a nova norma, descaracterizam um produto protegido por Indicação Geográfica. Se mantiverem a receita original, ficam expostos a questionamentos sanitários e regulatórios.

A mudança vem provocando reação em diferentes setores de Santa Catarina. Produtores, empresas do ramo alimentício, lideranças políticas e entidades ligadas à preservação da cultura catarinense têm manifestado preocupação com a medida, vista por muitos como uma ameaça à identidade regional.

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Debate avança na Alesc

Diante da repercussão, a Assembleia Legislativa de Santa Catarina já se movimenta para tentar barrar os efeitos da portaria e preservar a receita tradicional. A expectativa é que a discussão abra um debate mais amplo sobre os limites da regulação federal sobre produtos tradicionais reconhecidos por sua história e origem.

Até o momento, a portaria segue em vigor e o caso permanece em discussão no parlamento estadual.

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