“Eu ando na minha cidade de cabeça erguida.” A frase resume o tom com que Nilza Simas passou pelo Estúdio JR e reivindicou o legado dos oito anos à frente da Prefeitura de Itapema. Ex-prefeita por dois mandatos e hoje pré-candidata a deputada estadual pelo PL, ela apresentou como maior troféu não uma obra de concreto, mas uma reputação: ter deixado o cargo sem sofrer uma única operação policial.
“Estive oito anos prefeita, sem passar por uma operação policial até hoje, graças a Deus”, afirmou. A ressalva carrega peso na cidade que ela governou. Segundo Nilza, Itapema era vista “só como operações em páginas policiais”, num histórico de gestores que passaram pela cassação, pelo afastamento e até pela prisão. “Quantos prefeitos a gente teve cassado, afastado e até preso”, lembrou.
O maior desafio que eu tive foi resgatar credibilidade.
Para ela, o desafio de quem assume uma prefeitura é anunciar de saída a que veio: “Eu vim aqui para fazer o certo, eu vim aqui para ajustar, eu vim aqui para melhorar.” E o primeiro movimento, conta, foi enxugar a máquina. Onde havia 14 secretarias, passou a haver 7. Dos 350 cargos comissionados com carro, ficaram 50. Foi nesse ponto, diz, que assumiu o apelido que a acompanha: “Foi aí que eu fui a faca na bota.”
Prefeitura gerida como empresa
Nilza relata ter passado a estudar cidades que davam certo nas contas, partindo de uma premissa que repete: “Prefeito sem dinheiro não brilha.” A saída que aponta foi instituir a outorga onerosa, instrumento que credita a Balneário Camboriú desde 2011. “Eu preciso ter e entender que a receita tem que ser maior que a despesa, e que a prefeitura tem que ser gerida como se fosse uma empresa privada”, defendeu.
A comparação, ressalva, não é sobre lucro para caixa próprio. “Sim, ela tem que dar lucro. Porque o que sobra tem que ser investido em obras, tem que voltar para a população”, justificou. Uma prefeitura com receita igual à despesa, na leitura dela, seria uma prefeitura paralisada: “Porque eu não faria nada.” O resultado que celebra é a virada de imagem de Itapema, hoje apontada, diz, como o metro quadrado mais valioso do Brasil.
Ao encerrar, Nilza costurou o legado que reivindica ao compromisso pessoal. Disse andar de cabeça erguida “pelas obras que entreguei, pelo cuidado que tive com a cidade”, e falou em permitir que os pais também andem assim. “Tinha um grande compromisso de devolver credibilidade para o município de Itapema”, afirmou, resumindo o que enxerga como a lição a levar para a Assembleia: “Política é liderar pessoas para o caminho do bem.”
























