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Empresário de SC detona MDB por abandono em rodovias: “lideravam a pasta no Governo Federal”

Ao deixar o comando da Associação Empresarial de Joinville, o presidente da Docol cobrou o MDB por ter liderado o Ministério dos Transportes sem destravar as rodovias federais de SC. Pré-candidatos do partido deixaram o salão minutos depois.

Empresário de SC detona MDB por abandono em rodovias: “lideravam a pasta no Governo Federal”
Foto: Reprodução
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O microfone da cerimônia de posse da nova diretoria da Associação Empresarial de Joinville (ACIJ) tinha tudo para entregar um discurso protocolar de despedida. Não entregou. Diante de uma plateia que reunia deputados, senador, prefeita, ex-prefeitos e dois pré-candidatos ao governo de Santa Catarina, Guilherme Bertani, o empresário que deixa o comando da entidade, transformou os minutos finais à frente da casa em um recado direto ao MDB, e o salão sentiu.

Presidente da Docol desde 2016, à frente da maior exportadora de metais sanitários da América Latina, Bertani não é figura de retórica improvisada. Segundo a jornalista Maga Stopassoli, que teve acesso a um vídeo da cerimônia no Joinville Square Garden, o discurso foi lido, ou seja, escrito previamente, cada palavra pesada antes de ser dita. E o alvo escolhido foi o partido que comandou a infraestrutura federal nos últimos quatro anos.

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O recado à logística

A fala mais dura mirou a logística da região. Conforme registrado por Maga Stopassoli, Bertani questionou o que o MDB efetivamente entregou para o Norte catarinense apesar de ter ocupado o Ministério dos Transportes. “Queria saber qual é a do MDB. Talvez apenas para usar o aeroporto”, disparou, em referência à passagem de deputados por Joinville. Na sequência, foi além: o partido “além de nada fazer pela BR-280, em São Francisco do Sul, produziu um projeto medíocre para o trecho Norte da BR-101”.

ASSISTA AO VÍDEO

Capa do vídeo do YouTube

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https://youtube.com/shorts/7J7awnxc4X0

A crítica costura economia e política num só nó. Para o empresário, a força produtiva da região não encontra correspondência no peso político que Joinville exerce em Brasília. “Se, na economia, somos a locomotiva, precisamos evoluir na representatividade política”, afirmou. Ele reconheceu a importância das verbas legislativas, mas cravou que o problema é de representação: “precisamos eleger melhores representantes políticos”.

A plateia que escutou

O peso da fala não vem só do conteúdo, mas de quem estava ouvindo. O jantar funcionou como termômetro do tabuleiro eleitoral de 2026 em Santa Catarina. Estavam no salão os pré-candidatos ao governo Jorginho Mello (PL) e João Rodrigues (PSD), além do pré-candidato a vice na chapa de João, Carlos Chiodini, ambos do MDB, justamente o partido alvo das críticas.

A reação dos atingidos foi silenciosa, mas eloquente. Carlos Chiodini teria deixado o local minutos após a fala de Bertani.

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Nem só de críticas foi feito o discurso. Ainda no texto preparado, Bertani elogiou nominalmente o senador Esperidião Amin, o ex-prefeito de Joinville Adriano Silva e a atual prefeita, Rejane Gambin. O contraste deixou claro que o ataque ao MDB não foi descontrole, e sim escolha editorial de quem se despedia.

A cerimônia marcou a troca de comando da entidade que reúne quase dois mil associados, responsáveis por cerca de 70% dos empregos formais de Joinville. Sai Guilherme Bertani e assume o advogado André Daher, que ocupava a vice-presidência na gestão anterior. A entidade, que adota o slogan “Economia Forte, Cidade Feliz”, chega à nova diretoria com o recado da despedida ainda ecoando entre as lideranças catarinenses.

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