O deputado estadual Sérgio Motta perdeu 38 quilos em oito meses e transformou a própria balança em bandeira política. Pastor e integrante da base do governador Jorginho Melo, ele foi ao estúdio do Jornal Razão contar como emagreceu com as chamadas canetas emagrecedoras, os remédios à base de GLP-1 popularizados como “Mounjaro”, e defender um projeto para distribuí-las de graça pela rede pública em Santa Catarina.
Segundo o deputado, a perda foi de 38 quilos em oito meses, e o processo continua, com meta de eliminar mais 30 quilos, sempre com acompanhamento médico, nutricionista e exercício físico. Na versão dele, os ganhos vão além do peso: afirma ter eliminado a pré-diabetes e a gordura no fígado, e diz que a pressão, antes controlada com três medicações, hoje está “onze por sete”. “Toda a minha vida tentando com dietas e não tendo êxito”, contou, atribuindo a virada aos hormônios presentes na medicação.
Motta trata a obesidade como doença e liga o tema à própria família. Conta que a mãe morreu com pouco mais de sessenta anos por complicações da obesidade e que, mesmo em dieta severa, não emagrecia por um problema de tireoide. É a partir dessa história que ele sustenta a tese de que, na maioria dos casos, a obesidade tem causa metabólica.
O projeto para o SUS
O centro da proposta é oferecer a medicação gratuitamente a quem não pode pagar. O deputado argumenta que o tratamento é caro e inviável para quem ganha até três salários mínimos, e enquadra a distribuição como direito constitucional à saúde.
Se tem uma medicação que trouxe uma revolução na obesidade, por que não oferecemos às pessoas que não têm condições, sendo que se oferece o remédio pra diabete?
Diante da objeção mais comum, a de que não existe remédio de graça e de que a política pesaria no caixa do Estado, Motta sustentou o contrário. “Não vai onerar, pelo contrário, vai desafogar”, afirmou, argumentando que pessoas que hoje dependem do SUS para remédios de pressão, coração e articulações deixariam de precisar deles com o emagrecimento. Segundo ele, o governador teria conversado sobre estender o tratamento também a diabéticos.
O deputado demarcou limites para não parecer que quer, nas palavras dele, “sair dando canetinha pra todo mundo”: diz que o foco é saúde, não estética, e que o uso deve ser sempre acompanhado por médico e atividade física. Sobre efeitos futuros da medicação, repetiu um argumento que atribui a um médico, sem endosso científico independente, comparando o risco desconhecido ao risco certo de continuar obeso a vida inteira. Em um trecho de otimismo sem base médica que o sustente, chegou a afirmar que a humanidade vai “eliminar a obesidade” por meio desses remédios.
Doença, preconceito e a fala de Lula
O tema do preconceito atravessou a entrevista. Motta diz que a pessoa obesa “sofre muito” e relatou um episódio em que um médico bateu na mesa e mandou que ele fechasse a boca. Questionado sobre a declaração do presidente Lula, que resumiu a orientação a obesos como um chamado para levantar da cadeira e caminhar, o deputado admitiu que gosta de comer e come por ansiedade, mas insistiu no componente metabólico, lembrando novamente o caso da mãe.
Tijucas, emendas e o mandato
Fora da saúde, o deputado listou obras que atribui ao mandato. Em Tijucas, citou a pavimentação da região de Oliveiras e do bairro Terra Nova, hoje descrito como polo de desenvolvimento com chalés e segundas moradias. Segundo Motta, o recurso foi pleiteado junto ao Estado ainda nas gestões anteriores, e ele afirma ter levado à cidade quase seis milhões de reais em emendas e recursos estaduais. Sobre o alcance de um deputado estadual, disse atuar por todos os 295 municípios catarinenses, visitando as cidades independentemente do resultado nas urnas.
Base de Jorginho e a eleição
No xadrez eleitoral, Motta assumiu estar na base da reeleição de Jorginho Melo, mesmo dizendo ter bom relacionamento com João Rodrigues, de Chapecó. “Chega a eleição, a gente tem que escolher uma parte, e nós estamos na base do governo Jorginho Melo”, cravou. Ele se define como de direita conservadora, coloca a família como principal bandeira contra o que chama de “ideologia de gênero”, mas diz rejeitar a briga ideológica de redes sociais: “enquanto fica se discutindo ideologicamente, o estado fica atrasado”.
A entrevista fechou na segurança, tema que Motta diz priorizar desde a primeira eleição, em 2018, com investimento na Polícia Militar. Ele sustenta que Santa Catarina é o estado mais seguro entre todos em que morou e atribui isso à cultura conservadora que “preza a família”. Sobre imigração, ponderou que a maioria de quem chega “vem pra somar, pra trabalhar”, mas atribuiu à vinda de gente de fora boa parte da criminalidade, citando dados que diz terem sido apresentados pelo comandante-geral da Polícia. Ao lado da corporação, defendeu que o policial saia de casa “bem armado” e com respaldo, e elogiou a PM catarinense como “não corrupta”, ressalvando que eventuais desvios são de pessoas, não da instituição.























