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“Crianças cegas sem livros”: deputado de SC acusa governo Lula de abandono em escolas

O deputado federal Daniel Freitas (PL-SC) protocolou requerimento na Câmara cobrando explicações do MEC após mais de 90 dias de atraso na entrega de livros em braille para alunos cegos da rede pública.

“Crianças cegas sem livros”: deputado de SC acusa governo Lula de abandono em escolas
Foto: Reprodução
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O deputado federal Daniel Freitas (PL-SC) protocolou nesta semana o Requerimento de Informação nº 1045/2026 na Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, cobrando explicações imediatas do Ministério da Educação (MEC) sobre o atraso na entrega de livros em braille para alunos cegos e surdocegos da rede pública de ensino.

A ação foi motivada por uma reportagem publicada no último dia 18 de maio pelo jornalista Claudio Dantas, que revelou que mais de 90 dias após o anúncio de regularização das entregas, milhares de alunos cegos seguem sem acesso a livros em braille. Levantamento da Associação Brasileira da Indústria, Comércio e Serviços de Tecnologia Assistiva (Abridef) aponta que 75% das redes estaduais consultadas ainda não receberam os materiais.

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O que o deputado cobra

No documento, Daniel Freitas questiona o cronograma real de distribuição, a quantidade efetiva de estudantes contemplados e os motivos para o descumprimento do prazo. O requerimento também pede esclarecimentos sobre a redução progressiva do número de alunos considerados pelo programa, que, segundo a Abridef, caiu de mais de 45 mil para cerca de 2 mil efetivamente atendidos.

“É inadmissível que, passado mais de um terço do ano letivo, crianças cegas ainda estejam sem livros em braille. O direito à educação não pode esperar. O governo precisa explicar por que prometeu e não cumpriu, e quem vai ser responsabilizado por esse descaso”, afirmou Daniel Freitas.

Uma crise que começou em fevereiro

A crise dos livros em braille se arrasta desde o início do ano letivo de 2026. Em fevereiro, a Abridef denunciou que, pela primeira vez em 40 anos, o governo federal não havia apresentado cronograma nem assegurado orçamento para a produção dos materiais. O Instituto Benjamin Constant, vinculado ao próprio MEC, chegou a classificar 2026 como um ano de “braille zero” nas escolas brasileiras.

Sob pressão, o MEC anunciou em março que distribuiria 22,3 mil livros em braille, com investimento de R$ 27 milhões por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). A promessa, no entanto, não se concretizou. Dados do próprio FNDE, atualizados em 13 de maio, mostram que apenas 7.354 dos 19.373 exemplares previstos foram entregues, o que equivale a menos de 40% do total.

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Alunos encolhem no papel

Um dos pontos centrais da cobrança de Daniel Freitas é o que a Abridef classifica como “desidratação administrativa” do programa. Conforme a entidade, dados do IBGE apontam a existência de mais de 45 mil estudantes cegos em idade escolar no Brasil. Os sistemas do MEC, porém, identificaram inicialmente 7.321. O número anunciado caiu para 3.495 e, na prática, a estimativa é que apenas cerca de 2 mil estejam sendo efetivamente atendidos.

“Não se resolve uma crise de acesso reduzindo o número de alunos no papel”, afirmou Rodrigo Rosso, presidente da Abridef, em entrevista recente. A entidade cobra do MEC e do FNDE a divulgação de um cronograma detalhado de produção e distribuição.

Pressão bipartidária

Daniel Freitas não é o único parlamentar a cobrar respostas. Em fevereiro, os senadores Damares Alves, Mara Gabrilli, Magno Malta e Eduardo Girão acionaram o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União sobre o caso. Na Câmara, o deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) também solicitou audiência pública sobre o tema, na qual o FNDE reconheceu o atraso nas entregas.

“O país não pode naturalizar que o estudante cego comece o ano sem braille e termine o semestre esperando pelo que deveria ter recebido no primeiro dia de aula”, afirmou Rosso.

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Próximos passos

O requerimento protocolado por Daniel Freitas aguarda encaminhamento ao MEC pela Mesa Diretora da Câmara. O ministério tem prazo legal de 30 dias para responder. Até a publicação desta matéria, o MEC não havia se manifestado sobre o novo pedido de informações. A Abridef alerta ainda que, se o governo não organizar o edital de 2027 até julho, a crise pode se repetir no próximo ano letivo.

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