O número que Deco Batisti leva embaixo do braço para a disputa de uma vaga na Assembleia Legislativa é uma marca acima de 70% de aprovação da gestão em Brusque, aferida, segundo ele, em pesquisa interna da própria prefeitura. O vice-prefeito reeleito e pré-candidato a deputado estadual pelo PL veio ao estúdio do Jornal Razão, em Tijucas, apresentar esse capital político e defender que o Vale do Rio Tijucas passe a se espelhar em Brusque na saúde e na segurança.
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O dado aparece logo depois de ele admitir o oposto no episódio mais desgastante do mandato. A obra da Avenida Primeiro de Maio rendeu à administração, nas palavras dele, uma “surra” de críticas. “Pra fazer um omelete, tu quebra o ovo. Então pra tu fazer uma obra, vai dar transtorno”, resumiu. A leitura que ele faz hoje é de que o custo político já foi pago e o resultado apareceu.
Foi levada essa surra por causa dessa obra? Foi, mas hoje o pessoal vê, quem mora principalmente ali, o resultado tá dando.
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Quem é o pré-candidato
Batisti se apresentou como ex-vereador e primeiro eleito pelo PL em Brusque, e fez questão de marcar que não aderiu ao partido depois da chamada onda de 2022. “A gente, eu já tava no PL”, afirmou. Antes da política institucional, foi empresário, e diz que a única empresa que restou é tocada pelo sogro, enquanto as demais foram vendidas. Também se apresentou como líder religioso, músico católico, presidente de associação de moradores e conselheiro do COMUSA representando a Igreja Católica.
Segundo o pré-candidato, a candidatura à Alesc aparece bem posicionada nas pesquisas e busca representar Brusque, Guabiruba, Gaspar e o Vale do Rio Tijucas. O argumento é de referência regional. “Hoje, a saúde de vocês aqui, de Tijucas, do Vale do Tijucas, boa parte da referência é Florianópolis, mas a gente tá muito mais perto de Brusque”, disse. Ele afirmou ainda que Brusque é a quarta melhor cidade do país em acesso à saúde e a melhor do Sul, dado apresentado por ele e não verificado durante a conversa.
O gargalo da estrada
Lorran Barentin ponderou que essa proximidade hoje existe mais no mapa do que na prática, já que ir e voltar de Brusque no mesmo dia é praticamente inviável, e lembrou que a própria entrevista havia sido remarcada uma vez por causa da dificuldade de deslocamento. Batisti concordou, disse que o problema é estadual e estendeu o diagnóstico à BR-101 e à entrada de Florianópolis. “Pra ir pra Florianópolis hoje, pega ali no Estreito, tranca tudo. Horário de pico mesmo, nem pensa”, afirmou.
Sobre o que a gestão fez em Brusque, listou a abertura da Beira Rio, canal extravasor contra enchentes que também funciona como via cortando o município de leste a oeste, com sete quilômetros executados no mandato e outros sete em licitação. Também citou 800 quilômetros de estradas na cidade, quase todas com pavimentação antiga, e um programa de requalificação com fresagem e asfalto novo iniciado há cerca de um mês, com três quilômetros feitos e promessa de passar de cem até o ano que vem. Estão previstos ainda um anel viário para desafogar o bairro Limeira, o que mais cresceu na cidade, e uma nova ligação com Guabiruba, com licitação prevista para depois do período eleitoral porque o recurso vem do Governo do Estado.
A obra que custou caro
Na Primeiro de Maio, a defesa passa por uma divisão de trechos. Segundo Batisti, o projeto é de 2010 e contemplava a via até a curva do Wanka, pouco antes da Sociedade Beneficente. “Ali foi feita a obra, ali cem por cento, funcionou”, disse. Faltam cerca de 170 metros, que devem ser executados no fim do ano, durante as férias escolares, para não travar de novo uma via por onde passam 26 mil veículos por dia, conforme contador instalado por um empresário local.
Lorran Barentin confrontou o ponto, lembrando que críticos da gestão sustentam que a obra não resolveu nada, enquanto a prefeitura gravou moradores dizendo o contrário. Na versão do vice-prefeito, o teste veio com a chuva forte de cerca de quatro semanas atrás: o trecho sem obra alagou e o trecho com galeria escoou. “Onde não tem obra, não vai funcionar”, ressalvou, explicando que a água esbarra em uma ponte e em casas construídas sobre a vala, edificações erguidas quando a legislação ambiental permitia lajes sobre ribeirões.
Questionado sobre por que os 170 metros restantes não entraram no mesmo pacote, respondeu que a licitação foi feita na gestão anterior, na avaliação dele injustamente interrompida por uma cassação, e que a ordem de serviço já saiu com projeto pronto. Aditivar, disse, sairia do objeto da licitação. “Se fosse pra licitar do zero, com certeza faria. Ou até mudaria o método que foi feito.” Um trecho foi escavado à mão, a seis metros de profundidade, em solo que desmoronava, e a empreiteira, com 38 anos de obras públicas, teria classificado a intervenção como a mais difícil que já pegou. Os 170 metros finais já têm galerias licitadas e devem ser tocados pela equipe própria da prefeitura.
O que ele levaria para a Alesc
Batisti aponta duas entregas como cartão de visitas. A primeira é a escola cívico-militar, que diz ter trazido a Brusque com apoio de Daniela Reinert. Quando o governo federal cortou o programa, a cidade o manteve com recurso próprio: são seis escolas hoje, com meta de chegar a oito, e mais de três mil crianças atendidas, a maior unidade com cerca de 900 alunos. Ele rejeita a leitura ideológica do modelo. “Eles não vão militarizar a criança, mas vão ensinar aquilo que a gente perdeu hoje com o tempo”, afirmou, citando patriotismo, respeito ao próximo e empatia. Perguntado se levaria o programa a todo o estado, ponderou: “A gente, lógico, não pode ser hipócrita. Vão botar no estado todo. Tem recurso?”.
A segunda entrega é o projeto “Remédio para Todos”, aprovado por unanimidade na Câmara de Brusque. Antes, quem tinha receita de médico particular ou de convênio precisava marcar consulta no posto só para trocar a prescrição e retirar o medicamento na rede pública. “Brusque não precisa mais”, disse. O efeito, segundo ele, é desafogar a fila e liberar a vaga para quem precisa de consulta de verdade.
Segurança e população em situação de rua
Em segurança, o pré-candidato afirmou que Brusque é a cidade mais segura do país entre as acima de 100 mil habitantes, em disputa ano a ano com Jaraguá do Sul, e creditou o resultado a um tripé: população organizada em rede de vizinhos, empresariado investindo em câmeras e projetos, e parceria com o Governo do Estado. “Em vez de ficar uma rede de fofoca, é uma rede de vizinho”, disse. Ressalvou, porém, um déficit de efetivo: a cidade já teve 120 policiais com 70 mil habitantes e hoje tem cerca de 89 ou 90 com 160 mil.
Ele também afirmou que Brusque reduziu em 90% a população em situação de rua, e fez questão de dizer como não foi feito. “Não foi pegando, botando num carro, levando pra cidade vizinha”, disse. Na versão dele, houve projeto social de inclusão e internação humanizada em clínicas de reabilitação, aprovado pela Câmara. Sobre o custo ao município, respondeu que “o gasto maior é a pessoa na rua ali, às vezes usando droga, bebendo, roubando, ameaçando as outras”. Outra bandeira declarada é a segurança jurídica ao policial, que hoje, observou Lorran Barentin, arca com advogado próprio quando processado, sem custeio do Estado.
“É hipocrisia”
Sobre cotas raciais, tema que gerou forte polêmica em Santa Catarina, foi direto: “Eu sou contra”. Argumentou que as pessoas têm os mesmos direitos e usou a si mesmo como exemplo. Para ele, os dois extremos brigam por pautas que “dispersam mesmo o verdadeiro sentido do serviço público”. O eixo do discurso, disse, é a desburocratização, que estende do empresário ao próprio poder público, e é nesse ponto que aparece a frase mais dura da entrevista sobre carga tributária. “É hipocrisia, quem vai abaixar? Primeiro, a gente tem que baixar o custo da máquina pública.”
O momento mais tenso veio quando Lorran Barentin cobrou coerência sobre o que um deputado estadual pode de fato entregar. Batisti se declarou favorável à população de bem armada, e o Jornal Razão apontou que deputado estadual não vota porte de arma e que criar uma lei de “incentivo catarinense” seria mentir para o eleitor. Depois de devolver a pergunta, o pré-candidato concordou com a crítica. “Não é eu que vou fazer. Eu posso ir pra Brasília, pedir pra um deputado fazer, brigar por essa pauta, mas tem coisa que é hipocrisia. É pra ganhar o like ali, mas não vai resolver nada”, afirmou.
Ao ser lembrado de que o pré-candidato do PT Paulo Eccel também foi entrevistado pelo Jornal Razão, marcou a distância: “esse é um candidato totalmente contrário a mim”. Afirmou que, numa cidade conservadora e com empresariado forte, “o PT só puxa o freio de mão do progresso”, mas ressalvou que critica atitudes e partidos, não pessoas. “A gente tem que debater ideias, debater projetos. E não pessoas”, disse, chegando a elogiar vereadores de Brusque da oposição que, na avaliação dele, trabalham na rua.
Na despedida, fez um aceno explícito à região e brincou com uma cobrança atribuída ao prefeito de Tijucas: “pra ir pra Brusque tu passa por Tijucas. Se tu não ajudar nós aqui, eu vou botar uma cancela”. Elogiou a transformação da cidade e o projeto da antiga Copalama, futura praia Pontal Norte. A pré-candidatura segue em construção até a definição das chapas, e o teste real dos 70% de aprovação que ele carrega de Brusque virá nas urnas de 2026.
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