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Daniel Freitas ao JR: “Santa Catarina nunca foi prioridade em governo do PT”

Em entrevista ao Jornal Razão, o deputado federal defendeu a candidatura de Flávio Bolsonaro, disse ter costurado a paz entre Ana Campagnolo e Carlos Bolsonaro e acusou o governo Lula de enrolar Santa Catarina no Morro dos Cavalos.

Daniel Freitas ao JR: “Santa Catarina nunca foi prioridade em governo do PT”
Foto: Reprodução
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Seis horas de estrada por conta da paralisação da Ponte de Laguna. Foi esse o preço que o deputado federal Daniel Freitas pagou para chegar ao estúdio do Jornal Razão, e não por acaso a viagem virou argumento: para o criciumense, o trajeto é a prova física do que ele chama de descaso de Brasília com Santa Catarina. Em quarto mandato eletivo e reeleito com votos em 289 municípios, ele passou a entrevista inteira costurando a mesma tese, do Morro dos Cavalos ao pacto federativo.

Freitas chegou com um cartão de visitas incomum: um guia de bolso batizado de “Mandato em Destaque”, estampado com a frase “Uma voz firme em defesa do Brasil”. Deputado federal em segundo mandato e ex-vereador de Criciúma por duas vezes, ele se apresenta como herdeiro de uma tradição política familiar. “Eu venho de uma família tradicionalmente de direita. Nós somos da indústria, da iniciativa privada, mas meu bisavô, o Diomício Freitas, foi deputado federal”, afirmou, dizendo ter sonhado em recuperar esse espaço.

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Ele lembrou ter sido coordenador do fórum da bancada catarinense no primeiro mandato, quando atuava como deputado de situação e tinha, na sua versão, “acesso direto ao presidente Bolsonaro”. “Eu não sou aquele deputado que fica em cima do muro”, resumiu, ao justificar o slogan do próprio material de campanha.

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A paz do almoço

Com a esquerda catarinense tendendo a ocultar o número 13 na pré-campanha, o cenário estadual se desenha como direita contra direita. Foi nesse quadro que Freitas assumiu o papel de bastidor: reunir Ana Campagnolo e Carlos Bolsonaro, cujo atrito saiu dos bastidores e virou guerra quente na internet. O encontro aconteceu no “almoço de ideias” que ele promoveu em Governador Celso Ramos, e o deputado considera o episódio superado.

A direita tá tomando um rumo agora de entender que o objetivo é um só: nós temos que derrubar a esquerda.

Na versão dele, Ana tinha motivos iniciais porque buscava espaço no Senado, mas o impasse teria ficado ultrapassado com a confirmação da chapa. Para o Senado, Freitas apontou dois pré-candidatos fortes: a ex-colega de Câmara Carol Detoni e o próprio Carlos Bolsonaro. O deputado sustentou que Carlos foi enviado a Santa Catarina por decisão do pai e rebateu quem diz que ele ainda não conhece o estado, afirmando que o vereador tem percorrido “todos os cantos”. Mais do que isso, seria o elo direto com o “futuro Presidente da República”, que ele aposta ser Flávio Bolsonaro, pré-candidato que entrou por vídeo em seu evento e prometeu que Santa Catarina seria prioridade.

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Morro dos Cavalos

O gargalo virou o exemplo principal do que Freitas classifica como descaso federal. “Santa Catarina hoje não é e nem nunca foi prioridade pro governo federal quando se trata de governo PT”, declarou. Segundo o deputado, ele foi a Brasília entregar uma alternativa de alça de contorno viário, “muito mais barata e mais rápida”, mas o governo teria enrolado até o último dia. O Jornal Razão chegou a publicar matéria, com foto do projeto e do deputado do PT Pedro Kwizai, anunciando a solução com dois túneis, desmentida em menos de 15 dias.

Sobre o governo estadual, o parlamentar afirmou que Jorginho Melo já executou “cem por cento” do plano de governo, citando cirurgias eletivas, faculdade gratuita e estradas rurais, e projetou reeleição em primeiro turno: “Quem fez em quatro vai fazer muito mais em oito”. Também defendeu a revisão do pacto federativo, com a máxima de que o estado “manda cem e recebe dez”. “Se sobrar um copo d’água lá em Brasília, eles nunca vão mandar pra Santa Catarina”, ironizou, voltando à Ponte de Laguna, feita há onze anos e hoje motivo de seis horas de viagem por conta da paralisação.

Covid, Rocinha e Moraes

Confrontado com a crítica, que vem inclusive da direita, de que Bolsonaro investiu pouco em Santa Catarina, Freitas atribuiu as limitações ao contexto. “O presidente Bolsonaro enfrentou um governo com muita adversidade, a começar pela Covid-19”, disse, lembrando ter sido relator da PEC Emergencial que, segundo ele, destinou R$ 34 bilhões na segunda fase do auxílio. Na infraestrutura, afirmou que a Serra da Rocinha ficou “praticamente noventa por cento pronta” na gestão do então ministro Tarcísio, sem conclusão por questões climáticas e orçamentárias.

Sobre a decisão de Alexandre de Moraes que barrou visitas de Flávio a Jair Bolsonaro, o deputado foi enfático: “Primeiro, é uma decisão ilegal. Ele tá interrompendo um filho de visitar o pai”. Argumentou que Flávio é advogado do ex-presidente e comparou o caso ao de Lula, que, segundo ele, escreveu 22 cartas quando esteve preso, lidas na imprensa por Gleisi Hoffmann, Haddad e Zanin, “e nada aconteceu”. Freitas cobrou manifestação da OAB e revelou que ele próprio está na lista para visitar Bolsonaro, mas nesta eleição não terá, pela primeira vez, um vídeo ou carta atual do ex-presidente. “É a perseguição implacável do Alexandre de Moraes”, afirmou, dizendo aguardar a postura do ministro diante da visita anunciada de Javier Milei, no dia 25, ao lançamento de Flávio.

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Pesquisas e narrativa

Diante de pesquisa recente que aponta ampliação da vantagem de Lula sobre Flávio dentro da margem de erro, Freitas relativizou o dado local: “Que bom se o Brasil fosse Santa Catarina”, disse, chamando o estado de “oásis no meio do deserto” por nunca ter sido governado pelo PT. Ele preferiu se apoiar em outro levantamento, que atribuiu a Donald Trump, apontando empate técnico de 45% a 45% e, ainda, 82% dos brasileiros a favor do impeachment de ministros do STF e 80% favoráveis ao voto impresso, que fez questão de definir como comprovante em urna eletrônica, não como cédula de papel.

O deputado apostou que Flávio se consolidará ao mostrar um perfil “moderado, articulador, estadista” e somará votos de adversários de primeiro turno, como Zema, Caiado e Renan Santos, no segundo. Ao tratar de desinformação, chamou “narrativa” de “a palavra mais perigosa do momento” e citou o acionamento do Conselho de Ética por uma foto fake de IA que juntava Bolsonaro e Vorcaro, publicada pelo deputado Rogério Corrêa, que depois se retratou. Ainda assim, ponderou que a fake news atinge “todos os lados”. Sobre o novo comando do TSE, evitou previsões: “O que vale pra nós não vale pra eles”, disse, acrescentando que não se sente confortável em questionar a urna na qual foi eleito, a mesma que elegeu Bolsonaro.

Cadeiras e Vale-Gás

Autor de projeto que proíbe atletas trans de competirem com mulheres biológicas, Freitas negou que o texto trate de identidade e afirmou que ele se baseia na genética: “XX vai competir com XX e XY com XY”, com a possibilidade de as federações abrirem uma liga para trans. Ele apresentou o esporte como uma de suas bandeiras, listando skate parks entregues em Criciúma, Florianópolis, Balneário Camboriú, Tubarão, Imbituba e Garopaba. Sobre o fato de Érika Hilton presidir a Comissão da Mulher, disse que a aprovação “não depende dela”, e sim da maioria do plenário.

O parlamentar defendeu o remanejamento de cadeiras na Câmara, que daria a Santa Catarina quatro deputados a mais, passando de 16 para 20, sem onerar o erário, já que os assentos sairiam de estados que, pela contagem do IBGE, já não teriam a representatividade. A medida, segundo ele, foi barrada pelo STF. Freitas também lamentou que o estado nunca tenha emplacado um presidente da Câmara e criticou o desfecho do apoio do PL a Hugo Motta: “Ele prometeu pautar anistia, e no final não pautou anistia”. Relatou ainda que a dosimetria foi vetada por Lula, teve o veto derrubado, mas o Judiciário interferiu e “os presos do dia oito estão lá ainda”.

Sobre os R$ 350 milhões em investimentos que atribui ao mandato, foi direto ao ser provocado se o dinheiro é dele: “Esse dinheiro é do pagador de imposto”. Criticou o novo Vale-Gás, afirmando que, com Bolsonaro, o cidadão recebia o botijão em casa, e hoje recebe um crédito para comprar de fonte única. “Que esquemão é esse? Uma pessoa tá ganhando muito dinheiro vendendo gás pra população do Brasil”, questionou.

Por fim, cobrou a aprovação da PEC do BNDES, que exigiria autorização do Congresso para empréstimos ao exterior, lembrando os financiamentos ao Porto de Mariel, em Cuba, cuja garantia, segundo ele, foram “charutos cubanos”, e ao gasoduto na Argentina. O deputado reconheceu que, hoje, sem estar ao lado do governo federal, atua sobretudo “fiscalizando” e encaminhando recursos, e encerrou reforçando o apelo para que os catarinenses participem do processo eleitoral de 2026.

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