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Crise na família Bolsonaro: Michelle diz que foi “apunhalada” e humilhada por Flávio

Em dois vídeos publicados na quarta-feira (24), a presidente do PL Mulher relatou ter sido desrespeitada por telefone após divergir da aliança do partido com Ciro Gomes no Ceará. Flávio negou e pediu desculpas.

Crise na família Bolsonaro: Michelle diz que foi “apunhalada” e humilhada por Flávio
Foto: Reprodução
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A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro escolheu o Instagram para transformar o que era esperado como um aceno de apoio à pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro em um acerto de contas aberto. Em duas postagens que somam cerca de 26 minutos, publicadas na noite de quarta-feira (24), a presidente nacional do PL Mulher relatou ter sido desrespeitada e humilhada pelo enteado em uma ligação telefônica, e usou uma única palavra para resumir o episódio: “punhalada”.

O relato é direto. Segundo Michelle, depois de divergir publicamente das articulações do Partido Liberal no Ceará, ela buscou no celular qualquer sinal de que Flávio teria tentado conversar com ela antes de criticá-la nas redes. Não encontrou nada. Quando o senador finalmente retornou a ligação, horas depois, a conversa foi pior do que o silêncio.

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“Ele retornou a ligação. Mas, sinceramente, para dizer o que me disse, teria sido melhor que não tivesse ligado. Foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone. E eu não tinha feito nada contra ele. Disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, respondi que tudo bem”, declarou a ex-primeira-dama.

ASSISTA AO VÍDEO

Capa do vídeo do YouTube

A origem da divergência

A divergência tem origem no fim de 2025. Em um comício em Fortaleza, Michelle criticou abertamente a aproximação do PL cearense com Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao governo do estado, e apontou o deputado André Fernandes (PL-CE) como articulador de uma aliança que classificou como precipitada. Para ela, a direita deveria marchar no primeiro turno com o senador Eduardo Girão (Novo), e um eventual apoio a Ciro só caberia em segundo turno.

O argumento de fundo é político e pessoal ao mesmo tempo: Ciro Gomes foi um dos críticos históricos de Jair Bolsonaro e, na leitura de Michelle, contribuiu para o processo que levou o ex-presidente à inelegibilidade.

No vídeo, Michelle também afirmou ter percebido uma reação coordenada dos filhos de Bolsonaro. “Os irmãos se uniram, de forma coordenada, com textos muito parecidos entre si. Parecia combinado, premeditado”, disse. Ela negou que estivesse condicionando seu apoio a Flávio a um pedido de desculpas públicas e fez questão de separar perdão de reaproximação. “Eu nunca pedi, cobrei ou condicionei desculpas públicas de ninguém. Não preciso disso. Eu já liberei o perdão faz muito tempo”, afirmou, acrescentando que “perdoar não é o mesmo que querer continuar o relacionamento”. Apesar de dizer que Flávio vai à sua casa e à do marido toda semana, ela afirmou que os dois não conversam.

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A resposta de Flávio em dois tempos

A reação do senador veio em dois tempos. Primeiro, o deboche. Pouco depois de Michelle publicar os vídeos, Flávio entrou ao vivo nas redes, ao lado da esposa usando uma máscara do atacante Neymar, para mostrar que acompanhava o jogo do Brasil contra a Escócia pela Copa do Mundo. “Hoje é dia de jogo, nada nem ninguém me aborrece. Vamos tratar de coisa boa, vamos tratar de futebol”, disse, sem citar a madrasta diretamente, mas emendando que “o que está em jogo no Brasil está muito acima de qualquer vaidade”.

Mais tarde, veio a nota. Em texto publicado no X, Flávio negou qualquer comportamento agressivo e tentou enquadrar o episódio como diferença de estratégia, não de princípios. “Sou casado há 16 anos, pai de duas filhas maravilhosas e nunca desrespeitei, maltratei ou humilhei uma mulher na minha vida. Jamais o faria com a esposa do meu próprio pai”, escreveu. O senador disse ter respeito por Michelle pelo trabalho no PL Mulher e pediu desculpas por um eventual mal-entendido: “Em nenhum momento ofendi ou tive a intenção de ofender a Michelle. Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas”.

Flávio também reforçou que age com aval do pai. “Estou cumprindo uma missão designada por Jair Messias Bolsonaro. Todas as minhas decisões sempre são tomadas com o respaldo dele. Sempre!”, afirmou. Para ele, divergências internas são naturais em qualquer projeto político e não mudam o objetivo comum da família, que é derrotar o PT em 2026. O senador relatou ainda ter visitado Jair Bolsonaro na prisão domiciliar nesta quarta-feira e disse que o ex-presidente “está forte” e “antenado”.

O clã entra na disputa

Outros integrantes do clã entraram na disputa. Eduardo Bolsonaro (PL-SP) provocou a madrasta ao compartilhar um vídeo de André Fernandes confirmando o apoio a Ciro Gomes e atrelou a aliança à necessidade de votos para uma futura anistia ao pai. “Não se faz política com o fígado”, escreveu. Fernanda Bolsonaro, esposa de Flávio, também se manifestou, defendendo o marido como “um homem leve, respeitoso, carinhoso, restaurado”.

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A crise expõe publicamente a divisão na cúpula do bolsonarismo a poucos meses da eleição, com dois nomes de peso do mesmo campo, Michelle, tida como pré-candidata ao Senado pelo Distrito Federal, e Flávio, ungido pelo pai como pré-candidato ao Planalto, trocando acusações diante das câmeras. Por ora, Michelle afirma estar recolhida e diz que não procura mais o enteado. Flávio mantém o tom de quem busca apaziguar e repete que o foco deve ser tirar o país das mãos do PT.

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