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Câmara aceita denúncia contra Julio Bento: vereador colecionou brigas nas últimas semanas em Navegantes

Mesa diretora acatou a representação da vereadora Adriana Macarini, que acusa o colega de perseguição e intimidação; caso vai à Comissão de Ética e pode ser analisado como violência política contra a mulher.

Câmara aceita denúncia contra Julio Bento: vereador colecionou brigas nas últimas semanas em Navegantes
Foto: Reprodução
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Na noite desta segunda-feira (13), a mesa diretora da Câmara de Vereadores de Navegantes decidiu acatar a representação apresentada pela vereadora Adriana Macarini (PP) contra o vice-presidente da Casa, Julio Cesar Bento Filho (PSD), e abriu caminho para uma investigação formal por quebra de decoro parlamentar. Agora o caso está nas mãos da Comissão de Ética, que vai apurar acusações de perseguição, condutas ofensivas e intimidação.

O parlamentar, de 32 anos, reagiu à decisão minimizando o peso do processo. Segundo o Diarinho, que colheu a manifestação, Julio Bento afirmou ter “plena certeza que não tem base, e que a comissão decidirá pelo arquivamento” após tomar conhecimento de que a denúncia havia sido recebida.

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Com o aval da mesa diretora, a representação segue agora um rito previsto no regimento interno da Câmara. A Comissão de Ética precisa indicar um relator, colher a defesa do vereador, apurar os fatos narrados e produzir um parecer, que só então será levado à votação em plenário. Não há prazo definido para a conclusão dos trabalhos, e o desfecho pode levar semanas.

Os episódios citados

O que motivou o pedido de Adriana Macarini está descrito em dois episódios distintos. O mais recente aconteceu em 7 de julho, no estacionamento da Câmara. Segundo a vereadora, Julio Bento a abordou de forma exaltada, apontando o dedo, elevando o tom de voz e fazendo cobranças e acusações de caráter pessoal. Ela relata que a discussão gerou tumulto no local e chegou a mobilizar servidores, assessores e outros parlamentares que estavam por perto.

A representação também recupera um episódio anterior, de 18 de maio, durante uma reunião da Comissão de Finanças e Orçamento. Mesmo sem integrar o colegiado, o vereador teria interrompido os trabalhos, apontado o dedo duas vezes na direção de Adriana e dito a frase “não sou teu funcionário”, em tom que a parlamentar classificou como incompatível com o ambiente legislativo. Para ela, as duas condutas violam o Código de Ética da Câmara ao ofender outro vereador e provocar tumulto nas dependências do Legislativo.

Adriana Macarini pediu ainda que o caso seja analisado sob a ótica da violência política contra a mulher, tese que a Comissão de Ética terá de avaliar ao longo da apuração. Caso as acusações sejam consideradas procedentes ao fim do processo disciplinar, o vice-presidente pode sofrer as penalidades previstas no próprio código interno da Casa.

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A defesa do vereador

Do outro lado, Julio Bento nega todas as acusações. Ainda na semana passada, ao ser notificado da representação, ele afirmou ter recebido a denúncia “com profunda indignação, revolta e perplexidade”. “As acusações não correspondem à realidade dos fatos. Em momento algum ameacei, intimidei ou alterei o tom de voz contra a vereadora”, declarou. O vereador afirmou ainda que pretende adotar medidas judiciais para defender “sua honra, sua imagem e o livre exercício do mandato”.

Julio Bento é o mesmo parlamentar que, no início do mês, se envolveu em outro episódio de repercussão na região. Em 3 de julho, ele afirmou ter sido agredido por um morador enquanto gravava um vídeo sobre alagamentos nas proximidades do Rio Itajaí-Açu. Segundo o relato do vereador nas redes sociais, um homem que ele diz não conhecer o atacou com um pedaço de madeira e socos, deixando ferimentos no rosto. Ele registrou boletim de ocorrência e o caso é investigado pela Polícia Civil. Não há qualquer relação estabelecida entre esse episódio e a representação apresentada pela vereadora.

Enquanto isso, a Comissão de Ética inicia os trâmites para definir o relator e dar andamento à apuração. O resultado só será conhecido após a análise das provas e a votação do parecer final pelo plenário da Câmara.

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