Vídeos que mostram o interior da Ponte Anita Garibaldi, em Laguna, começaram a circular nas redes sociais após a interdição total da estrutura. As imagens exibem trabalhadores, equipamentos e cabos internos enquanto equipes realizam inspeções e serviços emergenciais.
A concessionária ViaCosteira informou que não conseguiu confirmar quando os vídeos foram gravados. A empresa ressaltou que a ponte passa permanentemente por inspeções, monitoramento e manutenção, o que torna comum a presença de equipes e equipamentos em seu interior.
A circulação das imagens ocorreu no mesmo momento em que o deputado estadual Mário Motta, do PSD, apresentou documentos e questionamentos sobre a construção da ponte. Segundo o parlamentar, parte dos registros técnicos necessários para compreender como a estrutura foi executada ainda não foi entregue integralmente pelo DNIT.
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A Ponte Anita Garibaldi está totalmente interditada desde 9 de julho. A medida foi adotada depois que novos ensaios apontaram o rompimento de cabos internos de protensão na ligação entre segmentos de concreto do vão central, próximo ao mastro 35.
Problemas desde 2022
O local já havia apresentado problemas em 2022. Conforme documentos analisados pelo gabinete do deputado, inspeções realizadas naquele ano identificaram aberturas entre segmentos da ponte e o rompimento completo de quatro barras que ligavam a parte inferior da estrutura.
Na época, o trânsito foi restringido e veículos pesados foram desviados. Cabos adicionais de protensão foram instalados como reforço emergencial. Após a conclusão da intervenção, a ponte voltou a receber o tráfego normalmente.
Em 2026, uma nova abertura de aproximadamente 2,5 milímetros foi identificada no vão lateral do mastro 36. Poucos dias depois, exames apontaram cabos rompidos na região do mastro 35, justamente onde problemas já haviam sido registrados em 2022. A constatação levou à interdição completa da ponte.
A foto do vão central
Durante sua manifestação na Assembleia Legislativa, Mário Motta também mostrou uma fotografia registrada na fase final da construção. Na imagem, os dois lados do vão central aparecem em alturas diferentes antes da união da estrutura.
O próprio deputado afirmou que não cabe a ele determinar se a situação retratada era normal. Segundo Mário Motta, essa conclusão depende de engenheiros especializados e da análise dos procedimentos utilizados durante a obra.
O parlamentar questiona quais cálculos e decisões técnicas foram adotados para fechar o vão central. As respostas deveriam constar nos registros da construção, como diários de obra, boletins de campo, informações sobre os cabos estaiados e documentos relativos ao encontro das duas partes da ponte.
Três anos de espera
Conforme Mário Motta, a concessionária procura esses materiais desde 2022. O primeiro pedido formal apresentado pelo deputado é de maio de 2023, quando a ViaCosteira e uma consultoria informaram à ANTT que o projeto disponibilizado pelo DNIT não continha detalhes suficientes sobre a execução da obra.
A falta dos documentos voltou a ser discutida em uma reunião realizada em 6 de julho deste ano. Na ocasião, segundo a ata citada pelo parlamentar, a ANTT teria se comprometido a buscar auxílio do DNIT para localizar os registros.
Mário Motta afirmou ainda que a concessionária precisou procurar fotografias da construção na internet para tentar reconstituir determinadas etapas da obra.
Todas essas respostas deveriam estar na mesa da concessionária há anos. Se elas já tivessem sido respondidas, talvez não estaríamos precisando enfrentar essa dolorosa paralisação do trânsito na ponte
O que vem agora
A Ponte Anita Garibaldi foi inaugurada em 2015 e custou cerca de R$ 800 milhões, conforme o deputado. A estrutura integra um dos principais corredores rodoviários de Santa Catarina e sua interdição provoca filas e transtornos no Sul do estado.
Mário Motta protocolou uma Moção de Apelo dirigida ao DNIT e à ANTT. O documento solicita que os órgãos localizem, preservem e disponibilizem integralmente os registros técnicos da construção.
A ViaCosteira mantém equipes trabalhando durante 24 horas nos serviços emergenciais. A liberação, ainda que parcial, dependerá dos resultados das avaliações técnicas e da confirmação de que existem condições seguras para a retomada do tráfego.

























