A conta foi feita ali, na frente das câmeras. Um funcionário registrado com salário de R$ 5.000 custa R$ 10.200 para a empresa, mas leva no máximo R$ 4.000 para casa. Foi com esse cálculo que o empresário Antídio Lunelli, pré-candidato ao Senado pelo MDB, resumiu em entrevista ao Jornal Razão o que considera o maior nó da economia brasileira: o peso dos tributos e encargos sobre quem trabalha.
“Um funcionário, um colaborador, que está registrado com R$ 5.000, ele custa, e te faço essa conta e te provo, ele custa R$ 10.200 para a empresa e ele vai levar no máximo para casa R$ 4.000”, afirmou. Para Lunelli, a distância entre o que a empresa desembolsa e o que efetivamente chega ao bolso do trabalhador é a raiz de um problema maior. “De R$ 4.000 que o funcionário vai levar para um custo de R$ 10.200, isso aqui não está certo. Por isso que nós temos tanta informalidade.”
O empresário, que construiu o grupo têxtil Lunelli e foi prefeito de Jaraguá do Sul, disse que pretende atuar justamente sobre essa estrutura. Defendeu que a diferença arrecadada em encargos seja redirecionada para quem produz. “Eu quero ajudar a mexer nisso tudo. Eu quero ajudar a contribuir que esses R$ 10.000, no caso, vá para o operário e não fique só no governo.”
ASSISTA AO VÍDEO
Tirando da boca do trabalhador
Na avaliação do pré-candidato, o modelo atual retira recursos diretamente do orçamento das famílias. “Por que nós não podemos entregar e deixar o dinheiro na mão do colaborador, que hoje estamos tirando da boca dele, do supermercado dele, da farmácia?”, questionou. Segundo Lunelli, o país reúne condições que não combinam com a realidade econômica de boa parte da população.
“Não é esse o país que eu quero. Um país com dimensões continentais como o nosso Brasil, com um povo ordeiro e trabalhador, e nos encontrarmos nessa situação, sendo que poderíamos ser a terceira economia do planeta”, disse. O empresário fez questão de destacar o Estado que pretende representar. “Santa Catarina, indiscutivelmente, é o melhor estado da União. Mas nós temos muito por fazer.”
“Construção de décadas”
Ao falar sobre o desenvolvimento catarinense, Lunelli afirmou que o patamar atual do Estado não é resultado de um único mandato, mas de uma sucessão de governos ao longo do tempo. “É devido a governos anteriores, que vinham nessa MDB, Arena, Arena, MDB. Isso foi forjando e foi fazendo o crescimento. Não foi agora, nesse último governo, que o Estado é o que é”, declarou, em referência à alternância partidária que marcou a política estadual nas últimas décadas.
Filiado ao MDB, Antídio Lunelli se coloca como pré-candidato ao Senado com vistas à eleição de 2026. A entrevista completa ao Jornal Razão abordou ainda sua trajetória do campo à indústria, a passagem pela Prefeitura de Jaraguá do Sul e o cenário político de Santa Catarina para o próximo pleito.























