Um socialista do PSOL defendendo o ex-conselheiro da JBS na disputa pelo Governo de Santa Catarina. Confrontado com essa aparente contradição em entrevista ao Jornal Razão, o candidato ao Senado Afrânio Boppré bancou o apoio a Gelson Merisio, nome do “time do Lula” no estado: “eu acho que ele sabe separar a vida profissional dele da vida política”.
Na pergunta, o repórter lembrou que Merisio foi conselheiro da JBS, empresa dos irmãos Batista com histórico de envolvimento em casos de corrupção, e citou medidas do governo Lula apontadas como favoráveis ao grupo, questionando se não seria incoerente estar no PSOL, ser socialista e defender esse candidato ao Governo do Estado.
Boppré respondeu elogiando a trajetória do aliado. “O Merisio fez um caminho que merece exatamente um estudo, eu digo da sociologia, de quem tem interesse pela política”, afirmou. O candidato do PSOL relembrou que Merisio chegou ao segundo turno da disputa pelo Governo em 2018, quando a onda bolsonarista elegeu o então desconhecido Comandante Moisés, e reproduziu a leitura do próprio aliado sobre a derrota: “ele mesmo diz, palavras dele, eu fui vítima de um despejo de números dentro da urna”. E completou, citando Merisio: “ele diz, eu mudei, por que os outros não podem mudar?”.
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“Há quem diga que foi pela JBS”
O repórter então apresentou a versão de que a mudança de lado de Merisio teria se dado principalmente pela JBS. Boppré rejeitou a tese: “Não acredito que tenha sido uma movimentação e uma mixagem de interesses empresariais”.
Para o candidato do PSOL, a aproximação de Merisio com o campo da esquerda começou em 2022, quando o ex-presidente da Alesc coordenou a campanha de Lula em Santa Catarina. “Foi uma primeira aproximação”, disse. “Eu vejo como uma decisão inteligente do Merisio e que ele mesmo diz, olha, eu mudei de lado e estou aqui para ficar. O que eu acho uma vitória do nosso campo político.”
Entrevista completa
O trecho integra a entrevista concedida por Afrânio Boppré ao Jornal Razão, em que o candidato também falou sobre democracia, taxação de grandes fortunas, o próprio patrimônio, segurança pública e as propostas para o Senado. Leia a matéria completa sobre a entrevista clicando aqui. Para acompanhar as demais entrevistas da série, acesse as matérias do Estúdio JR.


























