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“Andar armado para se sentir seguro é barbárie”, diz candidato em SC ao criticar emendas para clubes de tiro

Em entrevista ao Jornal Razão, Afrânio Boppré (PSOL) afirmou que o PL é "recordista de emendas pra clube de tiro" em Santa Catarina; confrontado com o caso de São José, onde o recurso pagou a habilitação da Guarda Municipal em fuzil, o candidato não rebateu o fato e voltou as críticas a Jorginho Mello

“Andar armado para se sentir seguro é barbárie”, diz candidato em SC ao criticar emendas para clubes de tiro
Foto: Reprodução
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Bastou o tema da segurança pública entrar na conversa para o candidato ao Senado por Santa Catarina Afrânio Boppré (PSOL) subir o tom contra o partido do governador Jorginho Mello. “Hoje, o PL em Santa Catarina é recordista de emendas pra clube de tiro”, cravou, em entrevista ao Jornal Razão. Perguntado sobre o que seriam essas emendas, o candidato respondeu que servem “pra estimular o uso, o adestramento de uso de armas”.

A acusação apareceu como exemplo de uma tese que Boppré repetiu ao longo de toda a conversa: a de que a segurança não pode ser resolvida por cada cidadão em separado. “Eu não acho que a segurança deve ser individualizada, cada qual resolve a sua segurança”, afirmou. “Então, pra que Polícia Militar? Pra que Polícia Civil? Pra que guarnições? Pra que viaturas? Se a gente achar que a segurança é individual.”

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Para o candidato, o cidadão que decide se armar para se sentir protegido representa um retrocesso. “Eu não posso, pra me sentir seguro, resolver andar armado. Isso é barbárie, isso não é progredir, isso não é civilização. Isso é voltar a um estágio de cada um por si, Deus por todos”, disse. Na avaliação dele, o caminho seguido em Santa Catarina foi o inverso do necessário, com estímulo à individualização da segurança.

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O caso que a crítica não previu

Boppré não citou nomes nem apresentou levantamento que sustentasse o suposto recorde. O caso mais conhecido de emenda destinada a clube de tiro no estado, e o que costuma ser associado ao tema, é o da deputada federal Júlia Zanatta (PL), que direcionou recursos a um clube de tiro para a capacitação da Guarda Municipal de São José, na Grande Florianópolis.

O detalhe que a crítica genérica deixa de fora é o destino prático do dinheiro. O recurso pagou o treinamento que habilita o guarda municipal a operar fuzil, exigência prevista na legislação para que o agente possa portar o armamento. Sem o curso, o guarda não pode usar a arma que o município adotou. E o treinamento, na prática, só é oferecido em clube de tiro.

Confrontado com esse caso concreto durante a entrevista, o candidato não rebateu o fato. Em vez de contestar a informação ou apresentar outras emendas que sustentassem a acusação, Boppré tratou o ponto como fora do debate. “Pras forças de segurança, eu acho inclusive que as prefeituras precisam cada vez mais se aprimorar com tecnologias, com equipamentos. Então isso não está em discussão”, respondeu.

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Na sequência, o candidato mudou o alvo e voltou as críticas ao Executivo estadual. “O governador Jorginho Mello faz muita propaganda de segurança, mas não é isso que está acontecendo”, afirmou, sem retomar a acusação sobre as emendas.

As críticas ao governo

Questionado sobre a que se referia, Boppré listou os pontos que considera falhos na política estadual. Citou os presídios abarrotados, a redução do número de efetivos na Polícia Militar ao longo dos anos e a falta de concurso público para a Polícia Civil. “Se nós temos que melhorar as condições de segurança, nós precisamos que o Estado também se capacite, se aprimore”, disse.

O candidato resumiu a própria posição como a escolha entre dois extremos. “Eu queria era colocar isso, que é uma política macro, global, e não individualizar a segurança. São duas políticas extremas. E eu não jogo com a individualização da segurança. É isso que eu quero deixar esclarecido”, afirmou.

O trecho encerrou com uma frase que Boppré diz ter herdado do pai e que resume o argumento que sustentou durante toda a entrevista.

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“Meu pai dizia assim: ‘Afrânio, quanto mais policial na rua com arma, menos segura é a sociedade’. Então, a boa sociedade é aquela que não precisa de armamento e de violência. E eu quero ir pra essa sociedade”, declarou o candidato.

Entrevista completa

O trecho integra a entrevista concedida por Afrânio Boppré ao Jornal Razão, em que o candidato também falou sobre pena de morte, armamento de mulheres e ressocialização, defendeu a taxação das grandes fortunas e a socialização das riquezas e bancou o apoio a Gelson Merisio, ex-conselheiro da JBS e candidato do time do Lula ao Governo de SC. Leia também o que ele disse sobre pena de morte para estupradores e arma para mulheres. Para acompanhar as demais entrevistas da série, acesse as matérias do Estúdio JR.

ASSISTA À ENTREVISTA COMPLETA

https://youtu.be/m2i37_7IFc0
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