O prefeito de Joinville, Adriano Silva (NOVO), mudou de forma clara o discurso sobre a vinda de Carlos Bolsonaro para disputar o Senado por Santa Catarina. As declarações ocorreram com um lapso temporal de cerca de quatro meses e foram dadas em entrevistas conduzidas pelo jornalista Upiara Boschi, em contextos políticos distintos.
Primeira declaração no podcast Cabeça de Político
Em setembro de 2025, Adriano Silva foi entrevistado por Upiara Boschi no podcast Cabeça de Político. Na conversa, o prefeito adotou um tom duro e crítico em relação à possibilidade de Carlos Bolsonaro disputar uma vaga por Santa Catarina.
Logo no início, afirmou: “A vinda do Carlos Bolsonaro, eu entendo isso até como uma agressão ao Estado.”
Na sequência, sustentou que a eventual candidatura transmitiria a ideia de ausência de lideranças locais:
“Isso mais ou menos diz que em Santa Catarina não existe liderança para assumir o Senado.”
Adriano deixou claro que a crítica não era pessoal, mas direcionada ao movimento político: “Essa crítica eu faria a qualquer outro que quisesse se mudar do seu pleito eleitoral para um Estado meramente por uma questão de oportunidade de voto.”
Ainda no podcast, citou nomes de parlamentares catarinenses que, segundo ele, já teriam trajetória suficiente para ocupar o cargo:
“Quando eu vejo a Carol De Toni fazendo um excelente trabalho, eu vejo o Gilson Marques fazendo um excelente trabalho, o próprio senador Amin faz um excelente trabalho.”
E concluiu com nova crítica a candidaturas externas: “Não lideranças de fora, que não têm qualquer relação com o Estado. É uma aposta no escuro.”
Segunda declaração no SCC Meio-Dia, do SBT
Quatro meses depois, agora em janeiro de 2026, Adriano Silva voltou a falar sobre o tema, novamente em entrevista a Upiara Boschi, desta vez no telejornal SCC Meio-Dia. O cenário político, porém, já é outro.
Nesse momento, Adriano já havia sido escolhido para disputar o governo do Estado como vice-governador na chapa liderada por Jorginho Mello, que passou a contar com Carlos Bolsonaro como pré-candidato ao Senado.
O tom da fala mudou. Adriano começou minimizando qualquer vínculo pessoal: “Eu sinceramente não o conheço pessoalmente.”
Em seguida, reconheceu a legalidade da mudança de domicílio eleitoral:
“A lei federal permite que uma pessoa possa se mudar a um Estado e é democrático.”
Também transferiu a decisão final para o eleitorado: “Quem vai decidir quem serão os senadores serão os catarinenses.”
Ao tratar do novo arranjo político, passou a defender unidade ideológica dentro da coligação: “Agora, fazendo parte dessa coligação, obviamente a gente também busca esse alinhamento de direita e estarmos unidos com aqueles políticos que realmente têm uma agenda de direita que vão estar defendendo o Estado de Santa Catarina também no Congresso Nacional.”
Contexto da mudança
As duas entrevistas, ambas conduzidas por Upiara Boschi, evidenciam uma mudança objetiva de discurso entre setembro de 2025 e janeiro de 2026. O que antes foi classificado como “agressão ao Estado” e “aposta no escuro”, passou a ser tratado como um direito democrático previsto em lei e uma necessária aliança “da direita”.
A virada ocorre após Adriano Silva ser confirmado como vice-governador na chapa de Jorginho Mello, a mesma que inclui Carlos Bolsonaro como pré-candidato ao Senado, contexto inexistente no momento da primeira declaração.

























