A água tomou a Avenida La Salle nas proximidades da empresa Vantec e transformou a via em um ponto crítico do mapa de Xanxerê, no Extremo Oeste catarinense. Foi o retrato mais visível de uma madrugada em que o céu despejou sobre o município mais chuva do que a rede de drenagem conseguia engolir.
Nas últimas 24 horas, a média de precipitação no município chegou a 91,7 milímetros, segundo a Defesa Civil. Os acumulados variaram entre 78,6 mm e 110 mm nas estações de monitoramento espalhadas pelo território, índice classificado como chuva forte a muito forte, faixa em que o risco de alagamentos e deslizamentos cresce de forma acelerada.

Onde mais choveu
O maior volume foi registrado na comunidade de Passo Trancado, com 110 mm. Logo atrás aparece o Ecoparque Municipal Romeu Scirea, com 98,5 mm. A estação da própria Defesa Civil marcou 79,8 mm, e o bairro Leandro fechou a lista com 78,6 mm. A diferença de mais de 30 milímetros entre o ponto mais castigado e o menos atingido mostra como a chuva se concentrou em faixas específicas do município.

Equipes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros Militar atenderam a ocorrência da Avenida La Salle, sinalizaram o local e passaram a monitorar o nível da água. Conforme a análise técnica, o alagamento foi provocado pela intensidade da chuva, que sobrecarregou o sistema de drenagem urbana, somada à possível obstrução de bocas de lobo.
Chuva de um dia em poucas horas
O coordenador da Defesa Civil de Xanxerê, Ronaldo Luzzi, explicou que o problema não foi apenas o total acumulado, mas a velocidade com que ele caiu.
A quantidade de chuva registrada em poucas horas superou a média esperada para um dia inteiro, provocando a saturação do solo, aumento do escoamento da água e maior pressão sobre a rede de drenagem do município.
Com o solo encharcado, a água que deveria infiltrar passou a correr por cima, ampliando o volume que chegava de uma vez às galerias pluviais. É o mecanismo clássico que transforma chuva forte em alagamento urbano em questão de minutos.
Estradas rurais comprometidas
Os transtornos não ficaram restritos à área central. As comunidades do interior de Xanxerê também sentiram o impacto. O excesso de chuva causou danos em estradas rurais, principalmente em trechos onde tubulações ficaram obstruídas pelo acúmulo de água e de materiais carregados pela enxurrada, dificultando o escoamento e comprometendo o tráfego.

Desde as primeiras horas desta quarta-feira (22), equipes da Prefeitura trabalham com máquinas e servidores na desobstrução de tubulações, na limpeza e na recuperação das vias, com o objetivo de restabelecer a circulação e reduzir os impactos das chuvas nas comunidades mais isoladas.
O que fazer agora
A previsão é de continuidade da instabilidade, e a Defesa Civil orienta que moradores de áreas próximas a rios, córregos e encostas fiquem atentos a sinais de risco: aumento repentino do nível da água, rachaduras no solo, movimentação de terra e deslizamentos. Qualquer um desses indícios deve ser tratado como alerta imediato.
A recomendação é evitar transitar por áreas alagadas e jamais tentar atravessar ruas ou pontes cobertas pela água. Em caso de emergência, a população deve acionar a Defesa Civil pelo telefone (49) 99180-4710 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.
As equipes seguem monitorando os pontos críticos do município e realizando ações preventivas, como a limpeza e a desobstrução de bocas de lobo e galerias pluviais nas regiões mais afetadas, para reduzir os impactos das chuvas e garantir a segurança da população.






















