Logo Jornal Razão
Publicidade

Santa Catarina é o 2º estado do país com mais cidades em risco de deslizamento e enchente, aponta TCE

As prefeituras receberão orientações para corrigir as falhas, e a Secretaria de Proteção e Defesa Civil e a Fecam deverão dar apoio técnico aos 207 listados como prioritários. Fotos: Diego Sommer / Defesa Civil

Santa Catarina é o 2º estado do país com mais cidades em risco de deslizamento e enchente, aponta TCE
Foto: Reprodução
Publicidade

Sete em cada dez cidades catarinenses podem virar cenário de tragédia quando a chuva apertar. Um levantamento do Tribunal de Contas de Santa Catarina, aprovado por unanimidade em 10 de junho, mapeou o estado e chegou a um número que acende o alerta: 207 dos 295 municípios estão suscetíveis a deslizamentos, enxurradas e inundações.

O dado coloca Santa Catarina como o segundo estado do Brasil com mais cidades nessa condição, atrás apenas de Minas Gerais, que tem 283 municípios na mesma situação. A classificação segue critérios do Governo Federal, definidos em nota técnica de 2023 que estabelece quais cidades devem ser prioridade nas ações da União em gestão de risco.

Publicidade

O estudo foi conduzido pela Diretoria de Atividades Especiais do Tribunal e relatado pelo conselheiro José Nei Alberton Ascari, responsável pela área de meio ambiente, ocupação do solo e prevenção de desastres. O objetivo foi atualizar um diagnóstico pioneiro feito em 2023, comparando a evolução das prefeituras com dados coletados em 2025, referentes a 2024. Todas as cidades catarinenses participaram da pesquisa.

Ao apresentar o trabalho, Ascari destacou o compromisso da Corte de agir de forma preventiva diante de eventos climáticos extremos.

“O Tribunal vem atuando, ao longo dos anos, de modo a contribuir para que os municípios estejam mais preparados para enfrentar eventos climáticos extremos”, afirmou o conselheiro.

O levantamento dialoga com o Decreto Estadual nº 1.530/2026, que declarou estado de alerta climático em Santa Catarina por causa do fenômeno El Niño. O decreto cobra das prefeituras o cumprimento de deveres como mapear áreas de risco, manter a defesa civil em funcionamento, revisar o plano de contingência e adotar medidas de evacuação e abrigamento.

Publicidade

O que melhorou

Apesar do retrato preocupante, o estudo aponta avanços importantes entre 2023 e 2024. O número de cidades com Plano Municipal de Contingência, instrumento básico de preparação para emergências, subiu de 160 para 211. As equipes de defesa civil ganharam reforço de 390 profissionais, e outros 44 municípios passaram a contar com Fundo Municipal de Proteção e Defesa Civil.

Também caiu o número de cidades sem nenhuma estrutura de defesa civil, que passou de 47 para 32. E os mecanismos de fiscalização para impedir ocupações em áreas de risco quase triplicaram, saltando de 57 para 151 municípios. Para o relator, o resultado revela uma integração mais consistente entre a defesa civil e a política urbana.

As lacunas que preocupam

Os pontos frágeis, porém, expõem o tamanho do desafio. Apenas 150 municípios, cerca de metade, promoveram capacitações na área. O conselheiro classificou a proporção como preocupante diante da necessidade de atualização constante dos gestores.

O dado mais grave aparece no cadastro de famílias que moram em áreas de risco: 55,6% das cidades não têm esse levantamento, incluindo municípios de grande porte. Sem ele, fica impossível conhecer a realidade local e montar canais de aviso para a população.

Publicidade

“O cadastro revela-se essencial para que se possa conhecer a realidade local e estabelecer canais de comunicações”, reforçou Ascari.

O Tribunal também identificou falhas em itens essenciais à resposta a desastres, como cadastro de abrigos, realização de simulados, canais de comunicação com moradores em risco e elaboração de cartas geotécnicas, documentos que orientam a ocupação segura do solo.

O que vem agora

Diante do cenário, o relator determinou uma série de encaminhamentos. As prefeituras receberão orientações para corrigir as falhas, e a Secretaria de Proteção e Defesa Civil e a Fecam deverão dar apoio técnico aos municípios, em especial aos 207 listados como prioritários. O Tribunal ainda vai acompanhar de perto 14 cidades que descumpriram ou retrocederam na maior parte das recomendações feitas em 2024, com nova coleta de dados prevista para 2027.

Receba as notícias no WhatsAppEntrar
Publicidade
Publicidade
Grupo de WhatsApp · Tempo real

Santa Catarina no seu WhatsApp

Entre no grupo oficial do Jornal Razão. As principais manchetes do dia, direto no seu aparelho. Sem spam.

Entrar no grupo
+48 mil catarinenses já acompanham