Se uma das sete barragens de hidrelétricas da Celesc espalhadas por Santa Catarina apresentar risco de colapso, a partir de agora o aviso não vai depender de sirene, de carro de som ou de alguém tocar a campainha do vizinho. Ele vai tocar direto no bolso de quem estiver na área de risco, com um som diferente de qualquer notificação comum, mesmo que a pessoa nunca tenha se cadastrado em nada.
A Defesa Civil de Santa Catarina e a Celesc firmaram um Termo de Cooperação Técnica com vigência de cinco anos para o uso da tecnologia Cell Broadcast na emissão de alertas extremos à população em caso de rompimento, colapso ou risco iminente das barragens de usinas hidrelétricas sob responsabilidade da companhia. O extrato do acordo foi publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) desta terça-feira (21).
Conforme a Defesa Civil, o acordo partiu de uma solicitação da própria Celesc, que pediu para usar a plataforma de emissão de alertas operada pelo órgão estadual. Não foi uma imposição do Estado à empresa, e sim o caminho inverso: a companhia procurou a estrutura pública que já existe para disparar aviso em massa.
Como o alerta chega
A tecnologia Cell Broadcast permite o envio automático de mensagens para celulares conectados às redes 4G e 5G que estejam dentro da área de risco, sem necessidade de cadastro prévio. O recado chega acompanhado de alerta sonoro diferenciado, ou seja, um som próprio, que não se confunde com notificação de aplicativo, mensagem ou ligação.
A diferença prática é grande. Em um sistema por cadastro, só é avisado quem se inscreveu. No Cell Broadcast, o alerta alcança qualquer aparelho ligado naquela região, incluindo quem está de passagem, o motorista que parou para descansar, o turista, o caminhoneiro. A medida, segundo a Defesa Civil, reforça a proteção da população residente ou em circulação nas áreas potencialmente afetadas pelas barragens hidrelétricas administradas pela Celesc.
Quem faz o quê
O acordo divide as responsabilidades de forma explícita. Pelo termo, caberá à Celesc comunicar imediatamente à Defesa Civil qualquer situação de rompimento, colapso ou risco iminente envolvendo as barragens hidrelétricas, encaminhando as informações técnicas necessárias para a emissão do alerta.
À Defesa Civil compete validar operacionalmente essas informações e realizar o envio das mensagens à população. O órgão também fica encarregado de promover testes, treinamentos e simulados para garantir a efetividade do sistema Cell Broadcast, o que significa que o alerta não deve estrear no dia da emergência, e sim já ter sido testado antes.
As sete barragens
O termo contempla as barragens das usinas hidrelétricas Palmeiras e Cedros, em Rio dos Cedros; Salto Weissbach, em Blumenau; Garcia, em Angelina; Caveiras, em Lages; Celso Ramos, em Faxinal dos Guedes; e Bracinho, em Schroeder. O acordo inclui todas as estruturas associadas a esses empreendimentos, não apenas o paredão principal de cada usina.
A lista atravessa Santa Catarina de ponta a ponta. Rio dos Cedros e Blumenau estão no Vale do Itajaí, região que convive historicamente com o rio cheio e já sabe de cor o que uma água fora de lugar é capaz de fazer. Angelina fica na Grande Florianópolis, Lages na Serra, Faxinal dos Guedes no Oeste e Schroeder no Norte catarinense. São realidades diferentes, com uma coisa em comum: gente morando abaixo de uma estrutura que segura água.
Por que isso muda o jogo
Em rompimento de barragem, o tempo entre o problema e a água chegando pode ser curto. Cada minuto gasto para localizar, ligar, avisar e convencer é minuto que não volta. Um alerta que dispara sozinho em todos os celulares da mancha de risco, com som que obriga a olhar a tela, encurta essa distância entre a informação técnica e a decisão de sair de casa.
O Cell Broadcast já vinha sendo usado no Estado para eventos extremos de clima. A novidade agora é o recorte específico: barragem de hidrelétrica, com o operador da estrutura obrigado por contrato a avisar o Estado na hora. O termo tem vigência de cinco anos.



























