A região que mais sofre com cheias em Santa Catarina entra agora numa corrida contra o tempo. Em ano de atuação do El Niño, fenômeno climático que costuma despejar chuva acima da média no Sul do Brasil, a Defesa Civil estadual começou a desassorear os rios do Vale do Itajaí, numa tentativa de evitar que a próxima enxurrada repita o roteiro de destruição que a região conhece de cor.
As máquinas já estão na água em Taió, no Alto Vale do Itajaí. A empresa contratada iniciou a limpeza do leito do Rio Taió, numa obra que abrange 3,36 quilômetros de extensão e custa R$ 3 milhões. O objetivo é abrir caminho para a água escoar mais rápido quando o volume de chuva subir, reduzindo o risco de transbordamento nas margens.
A lógica por trás da intervenção é direta. Com o passar dos anos, os rios acumulam sedimentos, galharias e sujeira no fundo, formando bancos que estrangulam a passagem da água. Quando chove forte, esse gargalo faz o nível subir mais depressa e a cheia chegar mais cedo às cidades.
“Retirando esses materiais, temos um escoamento mais eficiente, com a diminuição de pontos de estrangulamento hidráulico causados por bancos de sedimentos”, explica o Diretor de Obras e Projetos Especiais da SDC, Douglas Leandro Meincheim.
O secretário de Estado da Proteção e Defesa Civil, Cel. BM Fabiano de Souza, ligou as obras diretamente ao período de chuvas que se aproxima.
“Essas obras são essenciais para reduzir o risco de enchentes e garantir mais segurança para quem vive às margens dos rios”, afirmou. “Estamos trabalhando para que Santa Catarina esteja preparada para enfrentar o período de chuvas.”
A frente de trabalho não para em Taió
Em Rio do Oeste, a Secretaria assinou a ordem de serviço para limpar e desassorear o Rio Itajaí do Oeste num trecho de 3,4 quilômetros, com investimento previsto de R$ 5.142.000,00. Somadas, só essas duas frentes passam de R$ 8 milhões.
O dado que mais escancara o tamanho do problema é o tempo. Cidades como Rio do Sul, Rio do Oeste, Mirim Doce e Presidente Getúlio passaram mais de 40 anos sem receber qualquer serviço de limpeza e desassoreamento. Quatro décadas de sedimento acumulado no fundo dos rios de uma das regiões mais castigadas por enchentes do Estado.
Desde 2024, o governo estadual vem retomando essas ações de forma constante, com foco no Vale do Itajaí. Em Rio do Oeste, já foi concluída uma etapa anterior com 7,10 quilômetros de limpeza no Rio Itajaí do Oeste. Em Rio do Sul, foram 5,5 quilômetros executados, incluindo a retirada de uma ilha inteira formada pelo acúmulo de sedimentos no meio do rio.
Convênio com os municípios
Novas obras em Taió, Rio do Sul, Lontras e Rio do Oeste devem começar nos próximos meses. Além das intervenções tocadas diretamente pela Secretaria, o Estado firmou convênios com 48 municípios catarinenses para o mesmo tipo de serviço.
A meta, somando as ações diretas e os convênios municipais, é chegar a mais de 350 quilômetros de rios limpos em Santa Catarina. Para o morador do Vale que já perdeu móveis, carro ou a casa inteira para a água, a conta que importa é outra: se a draga vai chegar antes da próxima chuva forte.























