Uma máquina abrindo vala no pé de um poste de alta tensão, sem proteção, e o aviso de um morador que já via o estrago vindo: foi essa a cena que antecedeu o apagão que deixou Itapema às escuras na tarde desta quarta-feira (24).
A interrupção no fornecimento atingiu mais de 11 mil unidades consumidoras, segundo a Celesc. A causa, conforme a companhia, foi uma máquina que realizava obras a serviço da concessionária de saneamento de Itapema, no bairro Tabuleiro. Durante os trabalhos, o equipamento atingiu um poste e comprometeu o fornecimento em diferentes regiões da cidade.
No pico da ocorrência, por volta das 14h30, 11.970 unidades estavam sem energia, de um total de 64.306 unidades consumidoras na cidade. A queda foi relatada por moradores de bairros como Morretes, Centro e Sertão do Trombudo, e atingiu residências, comércios e serviços ao longo da tarde.
Um morador que acompanhava o serviço de perto gravou o momento e não escondeu a indignação com a forma como a obra era conduzida. “Essa CONASA é loucura. Os caras me cavaram a vala no pé de um poste de alta tensão. Não tem cabimento, irmão”, afirmou.
Na gravação, ele aponta a falta de preparo da equipe e o risco da operação ao lado de uma estrutura de energia. “Tem uns caras que não têm preparo nenhum. Como é que me cavam o pé de um poste de alta tensão, um poste com aquela grossura, com a retroescavadeira, sem ter uma proteção, sem ter nada?”, questionou.
Foi exatamente o que ele temia que acabou acontecendo. Minutos depois, o poste comprometido cedeu, e o fornecimento caiu em sequência pelos bairros. “Agora o poste está caindo lá no Tabuleiro. É loucura”, relatou o morador, enquanto registrava a movimentação na subida do morro.
A pergunta que ele deixou no ar resume a revolta de quem ficou sem luz por causa do serviço. “A pergunta que fica é: tem engenheiro acompanhando essa obra? Será?”, provocou, cobrando responsabilidade técnica pela intervenção.
A Celesc informou que, desde o início da ocorrência, equipes realizam manobras para recompor o sistema e restabelecer o fornecimento o mais breve possível. Segundo a companhia, o trabalho de recomposição começou logo após o registro da queda, com normalização gradual conforme as manobras são concluídas e as condições de segurança restabelecidas.
Até a última atualização, parte das unidades já havia tido a energia religada, e a concessionária seguia atuando para regularizar o atendimento em toda a cidade. A reportagem segue acompanhando a situação.
























